Tarcísio e Flávio Bolsonaro participam juntos da Marcha para Jesus em São Paulo, no primeiro encontro público da dupla desde a explosão do escândalo “Dark Horse”Foto: Arquivo/Reprodução/ND Mais
A Marcha para Jesus, que acontece nesta quinta-feira (4) em São Paulo, será palco do primeiro encontro de rua do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, após o escândalo envolvendo o filme “Dark Horse“.
Este também é o primeiro encontro da dupla após uma operação da Polícia Civil paulista que atingiu a produtora do filme, aprofundando o distanciamento entre os dois aliados.
O motivo do distanciamento entre Tarcísio e Flávio
Nos últimos dias, Tarcísio vinha evitando agendas com Flávio Bolsonaro. O governador tentava blindar sua imagem após o vazamento de um áudio em que o senador pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, uma obra sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A última agenda pública dos dois havia sido em 15 de maio, em Campinas (SP), logo após o caso estourar. Na ocasião, uma entrevista coletiva que já estava prevista acabou sendo cancelada.
O evento evangélico na capital paulista marca o fim do distanciamento momentâneo entre Tarcísio e Flávio Bolsonaro, provocado pelo vazamento de áudios do senadorFoto: Andressa Anholete/Agência Senado/Paulo Guereta/Governo Estado SP/ND Mais
A crise piorou com uma investigação da Polícia Civil de São Paulo, comandada pela gestão de Tarcísio. A operação mira suspeitas de fraudes em contratos de wi-fi na periferia da capital paulista com a ONG de Karina Ferreira Gama, que também é dona da GoUP Entertainment, produtora do filme sobre Bolsonaro. A polícia apura se dinheiro público do contrato ajudou a custear a produção cinematográfica.
Críticas à polícia e desconfiança nos bastidores
A operação policial gerou forte mal-estar no ambiente político:
- Flávio Bolsonaro criticou a ação, afirmando que a apuração não tem relação com o filme e que esperava que a polícia não estivesse sendo usada para “fins eleitoreiros”.
- O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), aliado de ambos, definiu o caso como “erro grave” e “perseguição política”.
- Tarcísio de Freitas defendeu a autonomia da instituição: “A polícia tem autonomia para fazer as suas investigações. É uma instituição de Estado”, declarou, após afirmar publicamente que Flávio tem “muitas questões que ele mesmo precisa explicar”.
O senador Flávio Bolsonaro enfrenta desgaste político após o vazamento de um áudio em que pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre a vida de seu pai Andressa Anholete/Agência Senado
Nos bastidores, segundo o UOL, aliados do senador reclamam da falta de um apoio mais enfático por parte do governador paulista.
Flávio Bolsonaro tenta recuperar votos entre evangélicos
A presença na Marcha para Jesus é considerada estratégica para Flávio Bolsonaro estancar a perda de popularidade. Após o escândalo dos áudios, o senador cancelou sua participação na edição da Marcha no Rio de Janeiro e viu seus números caírem nas pesquisas.
Segundo o último levantamento Datafolha, as intenções de voto em Flávio no segmento evangélico caíram de 49% para 42%, enquanto sua rejeição saltou de 28% para 34%.
Apesar do desgaste, o organizador do evento, apóstolo Estevam Hernandes, minimizou o impacto. Ele afirmou não ver “ilegalidade” no pedido de dinheiro e avalia que a presença de Flávio na Marcha ajuda a fortalecer sua conexão com o eleitorado cristão.
Quem mais participa da Marcha para Jesus em São Paulo
Além de Tarcísio e Flávio, o prefeito Ricardo Nunes participa da caminhada na região da Luz e dos discursos na praça Heróis da FEB. O evento de 2026 conta ainda com o pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) e o ministro do STF André Mendonça.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado, mas deve manter a postura de anos anteriores e não comparecer . O governo federal é representado por Jorge Messias, advogado-geral da União, que atua como ponte com o eleitorado evangélico, um setor onde a gestão petista ainda enfrenta resistências.

