Empresa de Blumenau é alvo de megaoperação envolvendo fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiroFoto: GAECO/Divulgação/ND Mais
Uma empresa de Blumenau, no Vale do Itajaí, foi alvo, na manhã de quinta-feira (9), de uma operação que investiga uma organização criminosa voltada à fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro.
Foram cumpridos 17 mandados de prisão nas cidades de Blumenau, sede da empresa investigada, Rio do Sul, Lages, Penha, Balneário Camboriú, Canoinhas e Irani, todos endereços dos alvos.
A megaoperação “Gaiola Digital” foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) e o GEAC (Grupo Especial Anticorrupção). A empresa de Blumenau não teve o nome divulgado até o momento.
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Empresa de Blumenau é suspeita fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro
A investigação, segundo o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), teve início a partir de informações obtidas por meio de acordos de colaboração premiada firmadas e descobertas em outra operação deflagrada em fevereiro de 2026.
A colaboração foi confirmada com um amplo conjunto de provas reunidas durante as investigações. A ação apura uma organização criminosa voltada à prática de fraudes em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a administração pública.
Como funcionava o método de fraudes?
De acordo com MPSC, o método consistiria na aproximação prévia de agentes públicos, na elaboração ou influência sobre editais, na inserção de cláusulas restritivas à competitividade e no uso de critérios técnicos moldados para favorecer uma empresa previamente escolhida, além do pagamento de vantagens indevidas para a obtenção, manutenção e renovação de contratos públicos.
As investigações apontam que o esquema teria estrutura organizada, com divisão de tarefas entre núcleos responsáveis pela articulação com agentes públicos, pela elaboração de documentos técnicos, pela operacionalização de pagamentos indevidos e pela movimentação financeira voltada à ocultação da origem e do destino dos recursos.
Também foram identificados indícios de lavagem de dinheiro por meio de saques fracionados e de operações financeiras destinadas à formação de um caixa clandestino usados no pagamento de propinas.
Somente no período investigado, entre 2022 e 2026, foram identificadas centenas de movimentações bancárias incompatíveis com a atividade empresarial regular, somando milhões de reais.
Os mandados de busca e apreensão têm como objetivo coletar e preservar provas, incluindo documentos, equipamentos eletrônicos, registros digitais e outros elementos relevantes.
Operação “Gaiola Digital”
O nome “Gaiola Digital” faz referência ao ambiente tecnológico utilizado como instrumento para a perpetuação do esquema investigado, que, segundo apurado, teria capturado e restringido a livre concorrência em processos licitatórios voltados à contratação de sistemas informatizados para a administração pública.
A investigação tramita sob sigilo e, assim que houver a publicidade dos autos, novas informações poderão ser divulgadas.

