O governo federal determinou a expulsão de Sergey Cherkasov e proibiu seu retorno ao Brasil pelos próximos 30 anosFoto: Reprodução/ND Mais
O governo Lula determinou a expulsão de Sergey Vladimirovich Cherkasov, apontado como um suposto espião russo que viveu no Brasil por mais de 15 anos usando uma identidade falsa.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira (6) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O ato estabelece que Cherkasov será expulso do Brasil e ficará proibido de retornar ao país pelos próximos 30 anos, com base no artigo 54 da Lei de Migração (Lei 13.445/2017). O prazo começa a contar a partir da saída efetiva do território brasileiro.
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Atualmente, Sergey Cherkasov está preso em Brasília desde 2022.
O suposto espião foi preso em 2022, após ser deportado ao Brasil quando tentou entrar na Holanda com documentos brasileiros falsosFoto: Reprodução/ND Mais
Segundo as investigações da Polícia Federal e de autoridades internacionais, Sergey Cherkasov é um cidadão russo acusado de integrar uma rede de espionagem que utilizava o Brasil como base para infiltrar agentes em outros países e obter informações estratégicas para a Rússia.
Para sustentar o disfarce, ele adotou a identidade falsa de Victor Muller Ferreira, apresentada como a de um brasileiro nascido em Niterói (RJ). A falsa identidade fazia parte de um plano para conseguir a cidadania portuguesa e, posteriormente, circular pela Europa como cidadão europeu.
As investigações apontam que Sergey entrou no Brasil em 2010 e passou anos construindo uma história de vida detalhada para dar credibilidade ao personagem.
As investigações apontam que Sergey Cherkasov fazia parte de uma rede que usava o Brasil como base para infiltrar agentes em outros paísesFoto: Reprodução/ND Mais
Como funcionava a identidade falsa
De acordo com documentos obtidos durante a investigação, Cherkasov criou uma biografia completa para Victor Muller Ferreira.
Entre as informações falsas estavam a morte da mãe durante o parto, uma suposta ascendência alemã – usada para justificar o sotaque – e uma infância marcada por mudanças entre diferentes cidades brasileiras, incluindo Brasília. As informações são do Estadão Conteúdo.
Durante o período em que viveu no Brasil, ele conseguiu obter documentos brasileiros, estudar na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e buscar oportunidades de estágio em órgãos governamentais e organismos internacionais.
Durante o período em que viveu no Brasil, Sergey Cherkasov estudou na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, usando identidade falsaFoto: Reprodução/ND Mais
Como Sergey Cherkasov foi descoberto
O suposto espião foi descoberto em março de 2022, quando tentou entrar na Holanda utilizando um passaporte brasileiro e outros documentos falsos para assumir um estágio no TPI (Tribunal Penal Internacional), em Haia.
As autoridades holandesas e americanas identificaram a fraude antes que ele assumisse a função. Após ser deportado para o Brasil, Sergey foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Dois meses depois, passou a cumprir pena de 15 anos de prisão e também passou a responder por investigações relacionadas a supostos atos de espionagem, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e uso de documento falso.
Pedido de extradição para a Rússia
Após a prisão, Sergey pediu para ser extraditado à Rússia. O governo russo afirmou que ele era investigado por integrar uma organização internacional de tráfico de drogas e solicitou seu retorno para responder ao processo no país de origem.
O STF (Supremo Tribunal Federal) chegou a autorizar a extradição, condicionando a medida à conclusão de investigações da Polícia Federal em São Paulo.
Em dezembro de 2024, porém, o ministro Edson Fachin negou o pedido por entender que Cherkasov ainda possuía pendências penais no Brasil.
Esconderijo em São Paulo
As investigações também identificaram um esconderijo em Cotia, na Grande São Paulo, que, segundo a Polícia Federal, funcionaria como ponto de apoio da suposta rede de espionagem.
No local, foram encontrados equipamentos e materiais que teriam sido usados para armazenar mensagens e informações destinadas a outros integrantes da organização.
Os dispositivos foram localizados a partir de dados extraídos do celular apreendido com Sergey no momento da prisão, em Guarulhos, e posteriormente repassados ao FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, para análise.

