Javalis em Santa Catarina causam grande preocupação para órgãos ambientais e do setor produtivoFoto: Freepik/Reprodução
Apesar do crescimento de pedidos de manejo de javalis em Santa Catarina nos últimos anos, os animais seguem preocupando os setores produtivos e o meio ambiente do Estado.
Por ser uma espécie invasora e perigosa, o território não possui meios de controle naturais para o javali, que se reproduz rapidamente e é capaz de devastar plantações.
Ao ND Mais, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) esclareceu que não há um controle validado específico, visto que os pedidos de manejo e abatimento são autodeclaratórios.
Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir
De acordo com o Simaf (Sistema de Manejo de Fauna), os dados de manejo de javalis em Santa Catarina de 2019 até agosto de 2025 foram:
- 2019: 5.838
- 2020: 17.126
- 2021: 24.582
- 2022: 26.328
- 2023: 34.631
- 2024: 36.006
- 2025: 34.278 (até agosto)
De acordo com a Instrução Normativa Ibama nº 12/2019, no Art. 7º, as pessoas físicas e jurídicas que realizarem o controle do javali deverão encaminhar as informações referentes às atividades realizadas por meio do Relatório de Manejo de Espécies Exóticas Invasoras disponível no sítio eletrônico do Simaf.
Isso deve ocorrer sempre que finalizarem o manejo declarado ou, no mínimo, por ocasião de cada pedido de renovação. Sendo assim, os dados podem apresentar inconsistências por falhas de cumprimento da autodeclaração após o pedido dos manejos.
Pelas normas do órgão, o controle dos javalis inclui a perseguição, o abate e a captura seguida de eliminação direta. Toda a ação deve ser realizada por meios físicos, incluindo instrumentos de abate como armas brancas e de fogo. Quaisquer maus-tratos aos animais estão proibidos.
Já o uso de substâncias químicas, salvo anestésicos, só é permitido mediante autorização de manejo de espécies invasoras, que deve ser solicitada no Simaf. Ainda estão previstos os usos de armadilhas e de cães nas atividades de controle.
Impacto econômico e riscos dos javalis em Santa Catarina
Abate de javalis em Santa Catarina pode ser feito com uso de cãesFoto: Reprodução/ND
Segundo o Ibama, não há uma estimativa oficial sobre a população de javalis em Santa Catarina nem no Brasil, tampouco sobre os avistamentos dos animais.
Apesar disso, a Faesc (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado) possui uma estimativa de que há mais de 200 mil animais espalhados por 236 municípios catarinenses. A federação ainda destaca que, de 2019 a 2024, 120 mil animais foram abatidos.
Ao ND Mais, Clemerson Argenton Pedrozo, vice-presidente da Faesc, afirmou que a instituição mantém preocupação constante com os problemas causados pela espécie invasora. Ele destacou a economia e a saúde pública como os principais pontos de atenção.
“Apesar de Santa Catarina ocupar apenas 1,12% do território nacional, o Estado é o maior produtor e exportador de suínos do Brasil, o segundo maior produtor de frangos e o terceiro maior produtor de leite. Por isso nossa preocupação é tão grande. Sabemos dos riscos sanitários envolvidos”, disse.
Ele fez um apelo para legislações que sejam mais capazes de proteger os setores, respeitando realidades locais e desburocratizando processos “para que as ações ocorram de fato na ponta”.
“A situação é preocupante e seguimos à disposição para debates que contribuam para resolver essa questão de forma definitiva. Queremos preservar a economia, garantir a segurança sanitária e evitar acidentes no meio rural. Estamos unidos em prol dessa causa”, concluiu o vice-presidente da Faesc.
Perigo ambiental e sanitário dos javalis em Santa Catarina
O IMA (Instituto do Meio Ambiente) destaca que o Sus scrofa, nome científico do javali, representa um risco à preservação da biodiversidade e dos recursos naturais do Estado.
Órgãos identificam javalis em Santa Catarina como espécie invasora que ameaça integridade da fauna e flora Foto: Divulgação/IMA/ND Mais
Segundo o órgão, espécies exóticas invasoras são consideradas a segunda maior causa de perda da biodiversidade em escala global. O javali ainda é considerado uma das 100 espécies exóticas mais perigosas do mundo pela União Internacional de Conservação da Natureza.
O animal recebe essa atenção devido a fatores como:
- Agressividade;
- Facilidade de adaptação;
- Reprodução descontrolada;
- Ausência de predadores naturais.
Segundo o IMA, os animais causam prejuízos econômicos, ambientais e sanitários. “No aspecto econômico, varas de javalis têm destruído lavouras de grãos, que chegam a percentuais de 30% ou 40%, levando inclusive agricultores a reduzir a atividade”, apontou o instituto.
No aspecto ambiental, as intervenções no solo com movimentação de rochas e destruição de habitats podem inviabilizar o futuro de florestas. “Eles fuçam também nascentes, porque gostam de se banhar no barro, afetando a qualidade e até mesmo o fluxo da água”.
O instituto ainda destaca que os animais podem ser portadores de zoonoses, como leptospirose, toxoplasmose e tuberculose. No Brasil, o controle da espécie invasora requer autorização do Ibama, e a caça sem a devida documentação é considerada ilegal.

