Festa do Divino Espírito Santo em Santo Amaro da Imperatriz termina com cortejo pela cidadeVídeo: Festa do Divino Espírito Santo/Reprodução/ND Mais
A Festa do Divino Espírito Santo, em Santo Amaro da Imperatriz, na Grande Florianópolis, se inicia nesta sexta-feira (22), seguindo uma tradição centenária em sua 172ª edição.
Como festividade católica de forte relevância na região, o evento tem seu fim na segunda-feira (25) marcado por shows e um cortejo curioso pela cidade de dois caixões, que é regado com chope e música alemã.
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Neste ano, seguindo a tradição, a Igreja Matriz de Santo Amaro da Imperatriz promove a celebração após a Novena de Pentecostes, ocorrida entre 14 de maio e esta sexta-feira. Já ao final da celebração, ocorrerá o tradicional “enterro dos ossos”, no qual pessoas com caixões levam a coroa e o cetro para serem depositados em uma capela.
Além dos símbolos carregados, o ritmo da festa toma conta do espaço e até mesmo pessoas são levadas, enquanto os foliões tomam chope e ouvem as músicas tradicionais.
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Fim da celebração é marcado pelo cortejo e outros evntos durante a segunda-feira – Festa do Divino Espírito Santo/Reprodução/ND Mais
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Com forte tradição açoriana, festa abraçou músicas tradicionais de diversos locais – Festa do Divino Espírito Santo/Reprodução/ND Mais
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Festa do Divino Espírito Santo em Santo Amaro da Imperatriz termina com cortejo pela cidade – Festa do Divino Espírito Santo/Reprodução/ND Mais
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Festa do Divino Espírito Santo no município sobreviveu após críticas – Festa do Divino Espírito Santo/Reprodução/ND Mais
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Festividade foi instituída no município em 29 de maio de 1854 – Festa do Divino Espírito Santo/Reprodução/ND Mais
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Evento é extremamento popular na comunidade e na região – Festa do Divino Espírito Santo/Reprodução/ND Mais
Tensões históricas e a evolução da Festa do Divino Espírito Santo
O tradicional “enterro dos ossos”, realizado na tarde de segunda-feira pós-Pentecostes, constitui uma das expressões mais singulares da Festa do Divino Espírito Santo em Santo Amaro da Imperatriz.
O ato, registrado formalmente nos anais paroquiais em 1975, embora de origem provavelmente anterior, consiste em um irreverente cortejo festivo que percorre o centro da cidade ao som de marchinhas e bandas de música.
Cetro imperial é símbolo da festa e significa o poder temporal do Rei de mando e decisãoFoto: Festa do Divino Espírito Santo/Reprodução/ND Mais
A atração principal do desfile é o transporte de caixões carregados dos “ossos”, em uma celebração regada a bebidas e paradas em bares locais, que acabou sendo oficializada como feriado municipal em 1997 devido à sua forte conotação cultural.
Essa manifestação coroa uma trajetória de tensões e adaptações entre a devoção popular e o clero católico. Com origens que remontam ao século XIV em Portugal, sob o patrocínio da rainha Isabel, e trazida ao litoral catarinense pelos imigrantes açorianos, a festividade foi instituída no município em 29 de maio de 1854.
Inicialmente articulada por moradores da região de Braço de São João, no município, a celebração contava com cantorias de folias e novenas em casas particulares, onde a bandeira do Divino era levada para recolher esmolas e abençoar os lares.
A centralização da organização nas mãos dos “leigos” e o caráter excessivamente festivo do evento geraram forte resistência da Igreja a partir do início do século XX. Em 1906, determinações episcopais proibiram o uso de folias e restringiram os peditórios com a bandeira, medidas que foram ratificadas no Primeiro Sínodo Diocesano de Florianópolis em 1910.
As massas da festa são colocadas ao lado do Império e no final da festa, os pães, também símbolos da festa são postos em leilão e arrematadosFoto: Festa do Divino Espírito Santo/Reprodução/ND Mais
Durante décadas, párocos e bispos aplicaram sanções coercitivas para disciplinar o ritual, centralizar as novenas na Igreja Matriz e combater o que consideravam abusos profanos, exigindo moderação e simplicidade dos festeiros.
Apesar das proibições históricas e das críticas posteriores voltadas ao luxo e à ostentação dos desfiles da Corte Imperial na década de 1990, a comunidade seguiu com a herança açoriana adaptada à realidade regional.
Atualmente, a Festa do Divino Espírito Santo de Santo Amaro da Imperatriz equilibra os esforços da Igreja Matriz para manter a espiritualidade e a vida pastoral ao lado de suas manifestações folclóricas.

