Pai e filho dividem o amor pela Chapecoense há 17 anosFoto: Arquivo Pessoal/ND Mais
Há 17 anos, Adelar e Alex Missel, pai e filho dividem um ritual que começou quando ele ainda tinha apenas 7 anos: ir ao estádio para assistir à Chapecoense. O filho não consegue lembrar exatamente qual foi o primeiro jogo, mas guarda na memória a antiga arquibancada do lado leste, mais baixa e próxima do campo.
Foi ali que começou uma história que atravessaria a infância, a adolescência e chegaria à vida adulta.
“Não me recordo do jogo, eu tinha 7 anos, mas me lembro de sempre irmos para o estádio. Lembro da arquibancada velha, na área leste, que tinha metade da nova. Era próxima e baixa, quase no campo.”
Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir
Desde então, pai e filho passaram a viver praticamente todos os capítulos da Chapecoense juntos. A relação com o clube cresceu ao mesmo tempo em que crescia o menino que acompanhava o pai para a Arena Condá.
Na campanha do acesso à Série A, em 2013, ele esteve em 17 dos 19 jogos. Também acompanhou as campanhas internacionais e esteve presente em muitos dos momentos mais importantes da história do Verdão.
“A gente vai para o estádio até hoje junto, vive a Chapecoense junto, fala da Chapecoense, a gente briga pela Chapecoense um com o outro. Vive quando está ganhando e vive quando está perdendo.”
Alex recorda de todos os momentos importantes do clube do coração que dividiu ao lado do paiFoto: Arquivo Pessoal/ND Mais
O dia em que a Chape parou Chapecó
Entre tantas lembranças, existe uma que ele consegue contar nos mínimos detalhes.
Ele tinha 14 anos quando acordou naquela manhã e encontrou o celular cheio de mensagens no grupo de amigos da escola. A notícia era de que o avião que levava a delegação da Chapecoense havia caído.
A princípio, não acreditou. Correu para a sala, ligou a televisão e confirmou o que parecia impossível.
“Eu saí gritando pela casa para acordar meus pais, tanto meu pai quanto minha mãe, para ver as notícias. E aí já foi aquele choradeira.”
Naquele momento, a Chapecoense não era apenas o time que ele acompanhava desde criança. Era parte da rotina, da família e da própria identidade.
Alex e Adelar acompanharam a Chapecoense na Sul-Americana 2016 Foto: Arquivo/Conmebol/ND Mais
Ele havia acompanhado toda a campanha da Copa Sul-Americana de 2016 e assistido aos jogos que colocaram a Chapecoense em uma final internacional inédita. Por isso, naquele dia, ficar em casa era impossível.
Foi para a escola, mas não conseguiu permanecer na sala. “Eu não conseguia ficar na sala porque só ficava chorando.”
Por volta das 10h, o pai precisou buscá-lo.
Os dois passaram em uma loja, compraram uma bandeira da Chapecoense e seguiram para o estádio. Enquanto o pai voltou para casa, o filho permaneceu na Arena Condá. Nos dias seguintes, o estádio se tornou um dos principais pontos de encontro da cidade e, para ele, um lugar onde precisava estar.
“Eu lembro que todos os dias eu fui para o estádio à noite.”
Entre lágrimas, títulos e arquibancadas
A história dos dois também é feita de outras emoções. Algumas felizes, outras nem tanto.
Ele lembra de ter chorado com permanências na Série A, de ter chorado em acessos e de ter vivido de perto títulos importantes da Chapecoense.
“Já chorei em ficar na Série A, já chorei em acesso. Até hoje mexe com meu emocional a Chapecoense.”
E, em 17 anos, são muitos os jogos que poderiam ocupar o lugar de mais inesquecível.
A defesa de Danilo contra o San Lorenzo, na semifinal da Sul-Americana de 2016, é uma das lembranças que ficaram marcadas para sempre.
“Os jogos aproximam nós”, explica Alex sobre o momento pai e filhoFoto: Arquivo Pessoal/ND Mais
Mas, se fosse possível escolher apenas uma partida para reviver ao lado do pai, a escolha seria a vitória nos pênaltis contra o Independiente, também em 2016.
“São tantos: 5 a 0 no Inter, 1 a 0 no Grêmio na Arena, títulos catarinenses. Mas acho que ficaria com o jogo dos pênaltis contra o Independiente, em 2016. Ali parecia que não íamos mais perder.”
Entre tantas partidas, a relação dos dois acabou se tornando maior do que o próprio futebol.
“O jogo aproxima nós e é um momento pai e filho, algo que só nós fazemos. É algo que fortalece os laços e, claro, dá muito estresse também por causa do nosso amor pelo time”, brinca.
A arquibancada mudou. Os jogadores mudaram. A Chapecoense passou por acessos, títulos, derrotas, campanhas históricas e momentos de profunda dor.
O menino de 7 anos também cresceu.
A relação dos dois acabou se tornando maior do que o próprio futebolFoto: Arquivo Pessoal/ND Mais
Mas, 17 anos depois, sempre que a Chapecoense entra em campo, pai e filho continuam fazendo o mesmo caminho juntos.
Porque, para eles, torcer pela Chape nunca foi apenas assistir a um jogo. Foi uma forma de viver a vida lado a lado.
Amistoso de Chapecoense e Atlético Nacional no estádio que ficou marcado pela tragédia de 2016
Dez anos após um dos capítulos mais dolorosos da história da Chapecoense e do futebol mundial, o clube catarinense volta a Medellín, na Colômbia, para reencontrar o Atlético Nacional.
As equipes se enfrentam neste sábado (26), no estádio Atanasio Girardot, palco que marcou a história dos dois clubes e que agora recebe novamente a Chape em um momento de homenagem e amizade.
A partida terá transmissão exclusiva da NDTV e do RecordPlus, a partir das 17h (de Brasília), com a bola rolando às 17h30. A narração será de Giovani Martinello, com comentários de Sergio Badá.

