País registra 91.053 falhas em assistência de saúde em 2026Foto: Canva/ND Mais
Apenas em 2026, Santa Catarina já registrou 5.815 incidentes relacionados à assistência à saúde, notificados à Notivisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), da Anvisa. A maior parte dos eventos adversos, segundo as informações, ocorreu em hospitais, especificamente nas unidades de internação.
Ao ND Mais, a SES (Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina) informou que monitora os dados e destacou a importância da iniciativa em permitir que cidadãos notifiquem ocorrências de serviços de saúde públicos, privados ou filantrópicos, além de registrarem problemas relacionados a produtos sujeitos à vigilância sanitária, inclusive de uso domiciliar.
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“A SES/SC destaca que o sistema é instrumento essencial para o fortalecimento da segurança do paciente e da vigilância sanitária, abrangendo registros relacionados a hospitais, clínicas, laboratórios, alimentos, cosméticos e saneantes”, disse.
Além disso, a Secretaria apontou que segue comprometida com a segurança dos pacientes, ressaltando a promoção da capacitação voltada à Rede de Atenção à Saúde, realizada neste mês por meio do Núcleo de Gestão Estratégica em Segurança do Paciente.
“A iniciativa terá orientações para ampliar a participação de pacientes, familiares e acompanhantes no cuidado e no uso dos canais formais de notificação, como o e-Notivisa”, concluiu.
Perfil das falhas em assistência de saúde em Santa Catarina
Segundo dados do Notivisa (Sistema Nacional de Notificações em Vigilância Sanitária), o estado é o quarto com mais notificações no país, atrás apenas de Minas Gerais, São Paulo e Paraná.
Falhas em assistência de saúde causaram o óbito de 55 pacientes em Santa CatarinaFoto: Imagem gerada por IA/ND Mais
Os casos são classificados pelo sistema nacional conforme a gravidade:
- Nenhum dano (2.208 casos): os pacientes não apresentaram sintomas e não foi necessário tratamento;
- Danos leves (2.592 ocorrências): representam a maioria dos registros. São classificados desta forma incidentes com perda de função ou danos mínimos e moderados de curta duração;
- Danos moderados (756 casos): em que pacientes apresentam sintomas e são submetidos a intervenções, com aumento do tempo de internação e dano ou perda de função permanente ou de longo prazo;
- Danos graves (204 notificações): situações em que os pacientes precisam de intervenção para suporte de vida ou intervenção clínica de grande porte, resultando em diminuição na expectativa de vida.
- Óbito (55 ocorrências): o evento adverso causou ou acelerou a morte do paciente.
As notificações mais recorrentes no Estado referem-se a incidentes envolvendo sondas e cateteres (1.603). Em segundo lugar, aparecem as falhas em processos ou procedimentos clínicos (1.383).
Especialista afirma que falhas em assistência de saúde devem ser debatidas desde a formação de profissionais da áreaFoto: Divulgação/ND Mais
Aline Albuquerque, especialista em bioética e doutora em Direitos Humanos, entende que problemas de comunicação e de segurança em decisões médicas refletem diretamente nessas falhas.
“Esse debate precisa começar na formação de profissionais de saúde. Médicos, enfermeiros e toda a equipe assistencial precisam compreender os riscos da prática clínica e a importância de colocar o paciente no centro do cuidado”, afirma a especialista.

