Pesquisa apontou a torcida da Chapecoense como a maoior de Santa CatarinaFoto: Rafael Bressan
Toda pesquisa de torcida desperta debate. Faz parte da essência do futebol. O torcedor dificilmente aceita ver seu clube atrás de um rival e, quase sempre, procura argumentos para contestar os números.
É uma reação compreensível, afinal, paixão não combina com estatística. Ainda assim, quando o levantamento é realizado com metodologia séria, como o da Neokemp Pesquisas para o Grupo ND, ele merece ser analisado com respeito e, principalmente, com inteligência.
Mais do que definir quem tem a maior torcida, esse tipo de pesquisa funciona como um retrato de momento. Ela mostra quais clubes estão ocupando espaço na memória do torcedor e conseguindo manter sua marca viva. E isso não acontece por acaso. O crescimento de uma torcida é consequência de um conjunto de fatores que vai muito além da tradição.
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O primeiro deles é o desempenho esportivo. Clubes que disputam finais, conquistam títulos e aparecem com frequência em competições nacionais naturalmente ampliam sua visibilidade. A nova geração de torcedores costuma criar vínculos com equipes que estão em evidência. Quem aparece mais, conquista mais espaço. Quem desaparece do cenário nacional acaba perdendo lembrança, especialmente entre os mais jovens.
Santa Catarina oferece exemplos claros disso. O Figueirense viveu esse processo nos anos 2000. As campanhas na Série A, as participações na Copa Sul-Americana e a presença constante na elite nacional fortaleceram a marca do clube muito além da Grande Florianópolis. O crescimento da torcida foi consequência direta daquele período de protagonismo.
O Criciúma também vive um momento favorável. Além da boa campanha na Série B, que pode culminar com o retorno à Série A, o clube apresenta números expressivos de sócios e uma média de público que chama a atenção em 2026. Se confirmar o acesso, é natural imaginar que esse movimento apareça nas próximas pesquisas. Estar na vitrine do futebol brasileiro faz diferença para qualquer instituição.
Mas resultados dentro de campo não bastam. O futebol mudou e a disputa pela atenção do torcedor acontece todos os dias. Os departamentos de marketing passaram a ter papel decisivo na construção dessa relação. A proximidade pelas redes sociais, programas de sócios atrativos, experiências nos dias de jogos, ações com crianças e presença constante na comunidade ajudam a criar identificação e fidelizar novos torcedores.
Então, essa pesquisa também é um ‘puxão de orelha’ nos departamentos de marketing dos clubes, que precisam expor mais a marca.
Criticar a pesquisa, não é o caminho
Torcedores de Avaí e Figueirense fizeram críticas a pesquisa nas redes sociaisFoto: Marco Santiago/ND
Pesquisas como essa da Neokemp não deveriam ser encaradas como motivo para discussão entre torcidas, mas como uma ferramenta de planejamento. Elas indicam tendências, mostram onde cada clube está conseguindo se conectar melhor com seu público e revelam desafios para quem pretende crescer.
No fim das contas, tamanho de torcida não se decreta. Constrói-se ao longo dos anos com boas administrações, estabilidade financeira, campanhas competitivas e uma marca presente na vida das pessoas. A pesquisa não define quem é maior. Apenas mostra quem, neste momento, está ocupando mais espaço na lembrança e no coração do torcedor catarinense.

