Léo Renz, volante do Figueirense, no jogo treino contra o Santa CatarinaFoto: Patrick Floriani/FFC/ND
O Figueirense deve ter uma mudança importante para o jogo decisivo deste domingo (23), diante da Inter de Limeira, e ela passa por uma aposta que, em um primeiro olhar, pode parecer arriscada: a entrada do garoto Léo Renz no lugar de Breno (suspenso).
Em um jogo de margem de erro praticamente zero, no qual o Figueirense precisa vencer para chegar à rodada final ainda com possibilidades mais reais de classificação, lançar um jogador que está iniciando sua trajetória no profissional naturalmente aumenta o grau de responsabilidade.
Não se trata apenas de substituir uma peça por outra. Breno já conhece o ambiente, tem mais experiência e oferece ao treinador uma referência de marcação e também de organização ofensiva. Léo Renz, por outro lado, ainda está construindo seu espaço no elenco principal. Colocá-lo justamente em uma partida desse tamanho exige confiança. E, pelo que se sabe internamente, é exatamente isso que a comissão técnica tem no garoto.
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A informação é de que Léo Renz transmite personalidade e segurança nos treinamentos e, principalmente, que não se intimida diante de jogos de maior pressão. E isso não é apenas uma impressão criada fora de campo. O garoto já teve a oportunidade de entrar nos dois últimos compromissos do Figueirense, justamente em partidas nas quais o peso do resultado era enorme também, e respondeu bem.
Contra a Ferroviária, por exemplo, entrou em um cenário complicado, com o gramado encharcado e condições que tornavam o jogo ainda mais físico e difícil de controlar. Mesmo assim, conseguiu cumprir a função que lhe foi passada. No confronto mais recente, diante do Caxias, novamente entrou em um momento de pressão e correspondeu. Ou seja, embora a responsabilidade agora seja maior, Léo Renz não chega completamente cru para esse desafio.
Há também uma questão importante do ponto de vista tático. A escolha não representa uma mudança radical na característica do setor. Léo Renz tem atributos de marcação semelhantes aos de Breno, o que permite ao treinador manter uma estrutura que já vinha sendo utilizada. A diferença estará muito mais na experiência e na leitura de determinados momentos da partida do que na função que deverá exercer.
É claro que existe risco. Seria irresponsável ignorá-lo. Um jogador que está começando no profissional pode sentir a pressão, especialmente em um jogo em que um erro pode praticamente tirar o Figueirense da briga. Mas também é preciso considerar o outro lado: se a comissão técnica não enxergasse personalidade e capacidade de resposta, dificilmente faria essa aposta justamente agora.
O Figueirense chega ao jogo contra o Caxias sabendo que não há espaço para administrar. Precisa vencer e, depois, olhar para a rodada final com a esperança mantida. É um cenário que exige jogadores dispostos a competir, suportar pressão e executar a estratégia durante os 90 minutos. Léo Renz terá uma responsabilidade enorme, mas também uma oportunidade igualmente grande.
Se Léo Renz repetir as atuações de quando entrou no Figueirense, vai referendar a aposta
O volante Breno, suspenso, está fora do jogo do Figueirense contra a Inter de LimeiraFoto: Patrick Floriani/FFC/ND
Talvez o risco esteja justamente em enxergar apenas a idade e a falta de experiência. O futebol já mostrou muitas vezes que personalidade não se mede pela quantidade de jogos disputados. Léo Renz teve duas amostras recentes, em momentos decisivos, e passou por elas. Agora terá o maior teste. Se repetir o que apresentou quando entrou contra Ferroviária e Caxias, a aposta de Raul Cabral pode deixar de ser vista como risco e passar a ser entendida como uma escolha coerente com o momento e com as características do jogador.
No Figueirense de hoje, não há espaço para apostas sem convicção. Se Léo Renz vai começar, é porque a comissão técnica acredita que ele está preparado. Agora caberá ao garoto transformar essa confiança em resposta dentro de campo, justamente quando o erro custa caro e a vitória é o único resultado capaz de manter o sonho vivo.

