Governo Lula reagiu à tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos do BrasilFoto: Arquivo/White House/ND Mais
O governo federal reagiu nesta à decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Em nota divulgada nesta quinta-feira (16), a Presidência da República chamou a medida de “marco lastimável” nas relações entre os dois países e anunciou que vai acionar imediatamente a Lei de Reciprocidade e recorrer à OMC (Organização Mundial do Comércio).
As novas tarifas entram em vigor no próximo dia 22 e foram anunciadas pelo governo norte-americano com base em uma investigação conduzida pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos).
Segundo a Secom (Secretaria de Comunicação Social), responsável pela nota, o Brasil não reconhece a legitimidade da investigação que embasou a decisão dos EUA, alegando que ela não respeita as regras multilaterais do comércio internacional.
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“O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável”, afirma o governo Lula.
Lula e Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do BrasilFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/ND
Segundo a nota, as tarifas impostas pelos Estados Unidos são consideradas medidas unilaterais e sem justificativa.
“O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, informou o governo.
Por que os EUA aplicaram tarifa de 25% ao Brasil?
A decisão dos Estados Unidos é resultado de uma investigação iniciada há cerca de um ano pelo USTR.
O órgão concluiu que determinadas práticas adotadas pelo Brasil prejudicariam agricultores, trabalhadores, exportadores e empresas norte-americanas.
Entre os pontos citados pelo governo dos EUA estão:
- comércio digital e serviços de pagamento eletrônico;
- tarifas preferenciais consideradas injustas;
- combate à corrupção;
- proteção da propriedade intelectual;
- acesso ao mercado brasileiro de etanol;
- desmatamento ilegal.
As tarifas de 25% impostas pelos EUA entram em vigor no próximo dia 22Foto: Canva/ND Mais
Governo defende o Pix e rebate acusações dos EUA
Na nota, o governo brasileiro contestou as críticas envolvendo o Pix e a regulação das plataformas digitais.
Segundo o comunicado, as alegações são “descabidas” e não encontram respaldo técnico.
“O Pix é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas”, diz a nota.
O governo também chamou de “absurdas” as acusações relacionadas ao desmatamento e afirmou que, desde 2023, houve redução significativa dos crimes ambientais em todos os biomas brasileiros.
Além disso, destacou que a liberdade de expressão “não é carta branca para a criminalidade”, ao comentar críticas feitas pelos Estados Unidos sobre a regulação das plataformas digitais.
Governo cita apoio do setor privado contra o tarifaço
Outro argumento apresentado pela Presidência é que, durante as audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, a maior parte das manifestações foi contrária à adoção da tarifa de 25%.
Segundo a nota, houve 78 intervenções de representantes do setor privado brasileiro e norte-americano, sendo 63 delas contra o chamado tarifaço.
O governo também utilizou dados oficiais dos próprios Estados Unidos para defender que a relação comercial entre os dois países já favorece os norte-americanos.
De acordo com o comunicado, os EUA acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.
Além disso, em 2025, 76% das importações provenientes dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagamento de imposto de importação, enquanto a alíquota média aplicada aos produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%.
Plano Brasil Soberano prevê proteção aos setores afetados
Ao final da nota, o governo informou que continuará adotando medidas para reduzir os impactos da tarifa de 25% sobre a economia brasileira.
Segundo a Presidência, o Plano Brasil Soberano será utilizado para proteger os setores atingidos, preservar empregos e manter a capacidade produtiva nacional, ao mesmo tempo em que o país buscará ampliar parcerias comerciais e abrir novos mercados para os produtos brasileiros.

Carolina Sott Editora/Repórter
Carolina Sott é repórter e editora no ND Mais, onde acompanha de perto os movimentos da política, segurança pública e economia no Brasil. Atuante na área desde 2020, é formada em Jornalismo pela Uniplac (Universidade do Planalto Catarinense) e tem MBA em Jornalismo Digital. Escreve matérias que revelam bastidores, contextualizam disputas de poder e mostram, de forma clara, como decisões feitas no alto escalão impactam o cotidiano dos brasileiros. Interessada pelo que move Brasília, São Paulo e outras capitais, costuma ler sobre política e assuntos relevantes para o cenário político e social. Indicada ao prêmio Microfone de Ouro da Acaert, já passou por portal de notícias e rádio, onde produziu e apresentou conteúdos que traduzem escolhas complexas para a vida das pessoas. Cobriu as Eleições Municipais em Lages (2020) e Florianópolis (2024), além de trabalhar na cobertura das Eleições Gerais de 2022 em um portal de notícias. Leia mais ▾
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