Paulo Rolemberg Florianópolis
Governador Eduardo Leite concedeu entrevista ao Grupo ND em Criciúma.Foto: Reprodução/ND Mais Criciúma
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), defendeu a candidatura do ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD) como alternativa à polarização entre os dois principais campos políticos do país.
Em entrevista ao Grupo ND em Criciúma, onde palestrou para empresários, Leite traçou paralelos entre seu Estado e Santa Catarina, comentou os desafios de sua gestão à frente das contas públicas gaúchas e avaliou o cenário da eleição presidencial de 2026.
Ao comparar os dois Estados, Leite destacou raízes históricas e econômicas em comum.
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“Rio Grande do Sul e Santa Catarina compartilham uma história que está interligada pela imigração, além de uma cultura de associativismo bastante profunda e forte tradição empreendedora”, afirma o governador.
Ele também citou a relação de ambos os Estados com o agronegócio e o avanço da industrialização, que resultou em “parques industriais bastante robustos” nas duas economias.
Apesar das semelhanças, o governador gaúcho reconheceu trajetórias distintas entre os governos estaduais. Segundo ele, o Rio Grande do Sul possui uma máquina pública mais antiga, o que trouxe consigo “um peso de decisões tomadas no passado que acabaram gerando passivos históricos a serem superados”.
Por isso, afirmou que coube à sua gestão o desafio de recuperar a capacidade fiscal do Estado diante de desequilíbrios herdados.
Cooperação
Um dos pontos centrais da entrevista foi a cooperação entre os dois Estados na área de prevenção a desastres naturais.
Leite reconheceu Santa Catarina como referência nacional no desenvolvimento de sistemas de monitoramento e alerta, tecnologia que o Rio Grande do Sul vem aprimorando nos últimos anos – especialmente após as enchentes que atingiram o estado gaúcho em 2024.
O governador citou a instalação de novos radares meteorológicos e estações hidrometeorológicas, integrados a plataformas de geração de alertas à população.
Segundo ele, há “muita parceria da Defesa Civil do Rio Grande do Sul com Santa Catarina” para o compartilhamento de dados, plataformas e treinamento conjunto das equipes responsáveis pela proteção da população.
Primeira reeleição gaúcha e o peso do radicalismo
Leite lembrou que sua gestão marcou um fato inédito na história política do Rio Grande do Sul: a primeira reeleição de um governador.
Agora, afirmou, o desafio passa a ser eleger um sucessor pela primeira vez.
“Eu confio bastante nisso, a gente trabalhou bastante para poder entregar resultados”, declarou, ao reconhecer que a unanimidade é impossível diante do cenário político nacional.
Segundo o governador, os dois polos políticos mais radicalizados “captam muito da atenção”, mas a tendência é que, à medida que a campanha avança, o eleitor amadureça sua análise sobre o futuro do Estado.
Para Leite, essa reflexão mais aprofundada conduz à busca por segurança e continuidade, evitando tanto o retrocesso quanto o que classificou como aventuras políticas sem conteúdo: “Entre o retrocesso e a aventura, tem um caminho seguro.”
Ao ampliar a análise para o cenário nacional, Leite criticou o que considera uma inversão de prioridades no debate público brasileiro.
Para ele, “o Brasil gasta muita energia querendo destruir um ao outro e pouca energia para construir algo diferente”.
Na avaliação do governador, o país não enfrenta um problema de potencial, mas de direção, ao citar como exemplos a necessidade de reequilíbrio das contas públicas e de retomada da articulação político-institucional entre os poderes.
“Opção capaz de liderar projeto novo”
Ao comentar a corrida presidencial, Leite reconheceu que o processo eleitoral seguirá marcado pela polarização, mas apostou em uma mudança de percepção conforme os candidatos se tornarem mais conhecidos pelo eleitorado.
Segundo ele, parte significativa dos brasileiros não se sente representada pelos extremos do espectro político e tende a buscar um caminho alternativo.
O governador apontou o colega de partido, Ronaldo Caiado, como opção capaz de liderar um projeto novo para o país, com base em trajetória, conhecimento técnico e habilidade política.

Paulo Rolemberg
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