Colapso de geleira é apontado como causa de enxurrada que devastou NepalFoto: X/Reprodução/ND Mais
O colapso de uma geleira foi o estopim para a enxurrada repentina que provocou inundações entre o Nepal e o Tibete nesta quarta-feira (26), segundo investigações preliminares. De acordo com cientistas do USGS (Serviço Geológico dos EUA), o fenômeno ocorre quando uma grande massa de gelo se desintegra.
Neste caso, o rompimento teria ocorrido próximo ao pico Langtang Lirung, no Nepal, a cerca de 15 quilômetros da área atingida pelas inundações.
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O especialista em geleiras da Universidade de Dundee, Dr. Simon Cook, explicou à BBC que a massa de gelo provavelmente colapsou em direção ao Noroeste e, em seguida, deslocou-se para o Oeste. A partir disso, uma “avalanche de gelo e rocha originada em uma área de grande altitude” deve ter se formado.
A avaliação é do ICIMOD (Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas).
Segundo a instituição, o deslizamento fez com que um “grande volume de gelo e detritos rochosos” atingisse um afluente do rio Bhote Koshi. O impacto provocou uma elevação repentina do nível do rio, que passou a transportar grandes quantidades de água, sedimentos e blocos de rocha.
Câmera registra enxurrada de água, lama e detritos atingindo posto de fronteira entre Nepal e China
Vídeo: X/Reprodução/ND Mais
Em cerca de 30 minutos, o nível da água nos rios a jusante subiu entre sete e nove metros. Ainda não se sabe, porém, o que provocou o colapso da geleira.
Cientistas alertam para efeitos do aquecimento global sobre as geleiras
Segundo a BBC, cientistas alertam há anos que o derretimento acelerado das geleiras e do permafrost — camada de solo permanentemente congelada — no Himalaia, impulsionado pelas mudanças climáticas, pode aumentar o risco de desastres naturais na região.
“A lógica é que, com o aquecimento do planeta, observamos a redução das geleiras e o derretimento intenso de neve. O permafrost, que ajuda a manter a estabilidade de algumas encostas montanhosas, está aquecendo, descongelando e se degradando”, disse o Dr. Simon Cook.
Correnteza do rio Trishuli arrasta ponte após subida repentina das águas no NepalFoto: X/Reprodução/ND Mais
“Consequentemente, haverá mais deslizamentos de terra, fluxos de detritos, aumento do volume de água de degelo glacial, rompimentos de lagos e colapsos de geleiras, pois o aquecimento climático acaba desestabilizando esses ambientes de alta montanha”, finalizou o especialista.
Terremoto chegou a ser apontado como possível causa
De acordo com a Reuters, os primeiros relatos de autoridades nepalesas indicavam que um terremoto na região poderia ter provocado o colapso da parte inferior da geleira, desencadeando a enxurrada e as inundações. No entanto, o USGS informou posteriormente que o tremor não teria causado o desastre.
Uma análise de imagens de satélite da Planet Labs identificou uma avalanche de neve e rochas na fronteira entre Nepal e China, que teria provocado uma inundação com detritos no rio Lhende
Vídeo: NDRRMA_Nepal/X
Segundo o órgão, o sinal sísmico identificado correspondia à energia liberada pelo colapso de rochas e gelo da geleira.
Enxurrada no Nepal deixa mais de 1.500 pessoas desaparecidas
De acordo com a Reuters, quase 1.500 pessoas estão desaparecidas no Nepal e na região do Tibete, sendo mais de 700 estrangeiras. O número de mortos, por sua vez, pode ultrapassar 165, segundo estimativas da polícia nepalesa. “Esse número vai aumentar”, afirmou o porta-voz da corporação, Abi Narayan Kafle.
Ainda segundo a imprensa internacional, barracas, alimentos e outros suprimentos de emergência enviados pela Índia estão sendo distribuídos nos distritos mais atingidos pela enxurrada. Equipes da ONU também estão encaminhando recursos e profissionais para apoiar as comunidades afetadas.

Yasmin Mior Repórter
Yasmin Mior é repórter do ND Mais e faz parte do Núcleo Nacional, escrevendo matérias que envolvem política, segurança e saúde, assim como outros assuntos que impactam o dia a dia do brasileiro. Além de trazer previsões do tempo, tem como foco pautas econômicas e sociais em diferentes estados do Brasil. Jornalista formada pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), atua na área desde 2021 e cobriu eventos de destaque, como as Olimpíadas de Paris 2024 e a posse do Papa Leão XIV. Também está sempre conectada ao mundo da cultura pop, por dentro do que há de novo em filmes e séries, e fez cursos livres de SEO, gestão de mídias sociais e cinema contemporâneo. Acompanhou as Eleições Municipais de 2024 atuando no setor de distribuição de conteúdo de um portal de notícias de Santa Catarina. Leia mais ▾
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