Voto jovem no Espírito Santo: mais de 608 mil capixabas entre 15 e 29 anos estão aptos para votar nas eleições de 2026Foto: Alejandro Zambrana/TSE/ND Mais
No Brasil, mais de 35 milhões de eleitores jovens (de 15 a 29 anos) estão aptos a votar nas eleições de 2026, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O número representa cerca de 22% do eleitorado brasileiro, que totaliza mais de 158 milhões de pessoas.
No Espírito Santo, são mais de 608 mil jovens da mesma faixa etária aptos a exercer o direito do voto, cerca de 20% dos quase três milhões de eleitores capixabas.
Eleições no Espírito Santo
Fato é que a presença desse eleitorado é fundamental para a democracia. Afinal, democracias mais saudáveis contam com a participação de diferentes grupos sociais, incluindo os jovens. Quando os jovens votam e se mostram engajados pela política, temas como educação e ensino superior, tecnologia, meio ambiente, inclusão social e diversidade, entre outros, passam a receber mais atenção dos governantes.
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Para além disso, eleitores jovens, principalmente aqueles que não têm a obrigatoriedade do voto (maiores de 16 e menores de 18 anos), podem fazer a diferença no resultado das urnas, especialmente em municípios com grande concentração de estudantes e jovens trabalhadores.
De acordo com o Estatuto da Juventude (Lei nº 12.852/2013), são considerados jovens aqueles com idade entre 15 e 29 anos. Conforme o portal de dados abertos do TSE, com atualizações até maio deste ano, 2.992.602 capixabas estão aptos a votar nas eleições de 2026. Desses:
- 15 anos: 1.327 eleitores*
- 16 anos: 8.882 eleitores
- 17 anos: 19.535 eleitores
- 18 anos: 33.701 eleitores
- 19 anos: 39.566 eleitores
- 20 anos: 44.329 eleitores
- 21 a 24 anos: 191.591 eleitores
- 25 a 29 anos: 270.029 eleitores
*Segundo o TSE, jovens de 15 anos que completarão 16 anos até o dia 4 de outubro de 2026, data do primeiro turno das eleições, também podem tirar a primeira via do título eleitoral.
O voto facultativo
Voto jovem no Espírito Santo: público pode fazer diferença no resultado das urnasFoto: Wilson Dias/Agência Brasil/ND Mais
Por lei, cidadãos maiores de 16 anos e menores de 18 anos não são obrigados a votar, mas, a eles, é garantido o direito do voto facultativo.
Essa garantia foi conquistada graças à força do movimento estudantil brasileiro durante a década de 1980, que tinha como uma de suas principais bandeiras o direito do voto para jovens entre 16 e 17 anos.
Foi assim que no dia 2 de março de 1988, a Assembleia Nacional Constituinte, que elaborou a Constituição de 1988 (a Constituição Cidadã), aprovou o voto facultativo para menores a partir de 16 anos. De autoria do deputado Hermes Zanetti (PMDB-RS), a emenda teve o apoio de 355 constituintes, recebeu 98 votos contrários e 38 abstenções. Estabeleceu ainda que o alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para maiores de 18 anos e facultativos para os analfabetos e maiores de 70 anos.
Nas galerias, cerca de 600 jovens comemoraram a decisão. Organizados pela Juventude Socialista, eles cantaram o hino nacional e gritaram slogans como “Chegou a nossa vez, voto aos 16”.
Atualmente, 2,2 milhões de jovens brasileiros entre 16 e 17 anos estão aptos a votar. Nas eleições municipais de 2024, de acordo com a Justiça Federal, mais de 1,8 milhão de brasileiros entre 16 e 17 anos emitiram o título eleitoral. O número representa um aumento de 78% em comparação às eleições gerais de 2020.
No Espírito Santo, os jovens dessa faixa etária são pouco mais de 29 mil, número maior que nas eleições de 2024, quando aproximadamente 22 mil jovens do Espírito Santo, com idades de 16 e 17 anos, foram às urnas pela primeira vez.
Influência nas redes sociais
Ex-governador e pré-candidato ao Senado, Renato Casagrande (PSB) é um dos políticos que adotou as redes sociais para se comunicar com seu eleitorado e, consequentemente, conquistar o público jovemFoto: Redes sociais/Divulgação/ND Mais
Os jovens não apenas votam, mas também ajudam a moldar o debate público. Compartilhamento de conteúdos, participação em campanhas digitais, produção de vídeos e discussões em plataformas como Instagram, TikTok, YouTube e X (antigo Twitter) podem ampliar a visibilidade de determinados temas e candidatos.
Na tentativa de se adaptar a essa nova linguagem e, consequentemente, se conectar com o público jovem, muitos políticos têm buscado ampliar sua presença nas redes sociais, fato que tem moldado a estratégia política.
Se antes os candidatos dependiam de comícios, televisão, rádio e cobertura da imprensa para alcançar o público, hoje um político pode transmitir mensagens diretamente aos cidadãos por meio de vídeos, lives, postagens diárias e até trends.
Priorização de pautas específicas
Jovens costumam demonstrar interesse por pautas específicas, como educação e valorização do ensino superior, emprego e empreendedorismo, tecnologia e inovação, meio ambiente e sustentabilidade, saúde mental, e inclusão e diversidade.
Essas e outras questões terão impacto direto na vida da nova geração por décadas. Portanto, candidatos que consigam dialogar com essas demandas podem conquistar o voto de uma parcela importante desse público.
Representatividade jovem na política
Voto jovem no Espírito Santo: à esquerda, vereadora Açucena (PT); à direita, deputado estadual Lucas Polese (PL)Foto: Redes sociais/Lucas S. Costa/Divulgação/ND Mais
Entre os fatores que podem engajar a participação de eleitores jovens nas eleições está a presença de políticos jovens nas Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e Congresso Nacional.
Afinal, quando o jovem vê uma pessoa da mesma faixa etária ocupando um espaço político, debatendo políticas públicas para a juventude e pensando formas diferentes de fazer política, ele se sente representado.
Atualmente, na Ales (Assembleia Legislativa do Espírito Santo), apenas um entre os trinta deputados é jovem. Hoje com 29 anos, o parlamentar Lucas Polese (PL) é o deputado estadual mais jovem da história capixaba. Na Ales, ele preside a Frente Parlamentar da Juventude, que tem como objetivo debater, discutir, propor projetos e incentivar ações para inclusão dos jovens nas políticas públicas.
Nas Câmaras Municipais, o destaque vai para a vereadora Açucena (PT). Hoje com 26 anos, ela fez história ao ser a primeira mulher eleita pelo PT (Partido dos Trabalhadores) no município de Cariacica, na Grande Vitória. Ela atua como a única representante feminina na Câmara da cidade.
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