’14 de maio, dia que não acabou’ ecoa na avenida da Nego QuiridoFoto: Mafalda Press/ND Mais
A escola de samba Os Protegidos da Princesa abriu os desfiles neste sábado (14) e, sob chuva persistente, cantou por respeito e resistência. Com o enredo “14 de Maio – o dia que ainda não acabou: minha alma resiste e meu corpo é de luta”, a escola de samba do Morro do Mocotó exigiu respeito e reafirmou a resistência diante dos preconceitos.
Vestida de princesa, Lorena Ribeiros Neves avisava ao staff que seu lugar era dentro da coroa que estava à frente do carro alegórico. Aos 15 anos, é a quinta vez que a jovem desfila pela escola, mas falava como uma das herdeiras da escola mais antiga da Capital, fundada em 1948. Lorena é bisneta de uma das fundadoras, dona Didi, e neta de Dona Lica, história viva da escola.
“A diretoria se reuniu e não pensou em ninguém melhor para ser a princesa da Protegidos do que eu. A escola sempre vai estar ali para te apoiar e segurar a sua mão, não importa o momento, mesmo na chuva. Ser a princesa é uma responsabilidade grande, mas também é uma alegria enorme”, fala.
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No enredo do Carnaval de 2026, a escola fundada no Morro do Mocotó refletiu sobre o dia seguinte à assinatura da Lei Áurea, que promulgou a abolição da escravatura, 14 de maio.
Apesar de o nome da escola ser inspirado na Princesa Isabel, que assinou a lei e inspirou o nome da escola de samba, o tema deste ano falou sobre a luta constante por equidade racial e liberdade prometida que não se concretizou.
Veja fotos do desfile da Os Protegidos da Princesa
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‘14 de Maio’ ecoa na avenida com Protegidos da Princesa – Mafalda Press/ND Mais
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Os Protegidos da Princesa apresentam o ’14 de maio, o dia que nunca acabou’ – Mafalda Press/ND Mais
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Os Protegidos da Princesa brilham com tributo ao fim da escravidão – Alan Pedro/Jornal ND/ND Mais
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Ala das baianas abrilhantam desfile da Os Protegidos da Princesa – Alan Pedro/Jornal ND/ND Mais
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Porta-bandeira da Os Protegidos da Princesa com traje exuberante na Passarela Nego Quirido – Alan Pedro/Jornal ND/ND Mais
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Mestre-sala e porta-bandeira vestem as cores da Protegidos da Princesa – Mafalda Press/ND Mais
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Mestre-sala e porta-bandeira da Protegidos da Princesa no desfile na Passarela Nego Quirido – Mafalda Press/ND Mais
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Mestre-sala e porta-bandeira da Os Protegidos da Princesa na Passarela Nego Quirido – Mafalda Press/ND Mais
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Carro alegórico expõe a luta contra a escravidão no desfile da Os Protegidos da Princesa – Mafalda Press/ND Mais
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Ala da Os Protegidos da Princesa conta com inclusão de pessoas com deficiência – Mafalda Press/ND Mais
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Desfile trouxe a representatividade e luta contra a escravidão – Mafalda Press/ND Mais
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Enredo questiona a liberdade prometida à população negra – Mafalda Press/ND Mais
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Carro alegórico interpreta a luta contra a escravidão, tema da escola de samba – Mafalda Press/ND Mais
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Escolinha de samba brilha na Passarela Nego Quirido – Mafalda Press/ND Mais
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Sorrisos abrilhantam desfile da Protegidos da Princesa – Mafalda Press/ND Mais
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Comissão de frente da Os Protegidos da Princesa no desfile na Nego Quirido – Alan Pedro/Jornal ND/ND Mais
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Carros alegóricos brilham com o tema ’14 de maio, dia que nunca acabou’ – Alan Pedro/Jornal ND/ND Mais
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Rainha de Bateria da Os Protegidos da Princesa no Carnaval 2026 – Alan Pedro/Jornal ND/ND Mais
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Os Protegidos da Princesa entram na Passarela Nego Quirido – Gabriela Ferrarez/ND Mais
Paulinho Trindade, carnavalesco da escola e um dos que assinou o enredo, conta que nutria a ideia há pelo menos oito anos. Ele explica que, diante de ataques recentes à comunidade do Mocotó, a letra se torna ainda mais pertinente.
“Há oito anos, ouvi uma música do Lazzo Matumbi que fala exatamente sobre isso. A letra diz: ‘No dia 14 de maio eu saí por aí, que não tinha trabalho nem casa e nem para onde ir.’ Está aí o enredo. […] A Protegidos vem com muita garra, muita vontade de vencer, e uma vontade ainda maior de mostrar a força e a superioridade que o negro ainda vai alcançar, mais do que já conquistou”, pontua.
Após forte oração, escola desfila embaixo de chuva intensa
A chuva intensa que atingiu Florianópolis acompanhou a escola desde a concentração até a Protegidos da Princesa concluir o desfile. Apesar da água alagar as laterais da passarela, não abalou quem desfilou pela escola de samba, como Lúcia Souza Vieira, de 60 anos, e Jana Silveira, de 48 anos, que balançavam animadas mesmo embaixo da chuva, já encharcadas.
“Desfilo desde criança e continuo porque acho divertido, amo a minha protegida também”, resumiu.
Lúcia e Jana animadas para desfile mesmo encharcadas com a forte chuvaFoto: Gabriela Ferrarez/ND Mais
Minutos antes da escola sair, Cristina Braga impunha as mãos sobre os integrantes, que já dançavam sob a chuva, e rezava em silêncio. Após terminar, contou que pedia que Santa Clara e todos os santos abençoassem a passagem. Então, bateu no peito e falou do amor e orgulho que sente pela escola.
Cristina reza para que o desfile saia bem mesmo com chuvaFoto: Gabriela Ferrarez/ND Mais
“Mesmo que seja debaixo de chuva, que tudo possa dar certo, porque a nossa escola trabalhou muito. Eu sou uma pessoa de muita fé e tenho muito amor por essa escola, eu não poderia deixar de fazer uma oração pelo meu filho que tá na bateria e meu marido que é vice-presidente do conselho deliberativo”, disse.
A prece foi atendida: quem assistia o desfile não via os integrantes da escola abalados pela água; pelo contrário, parecia fazê-los dançar no ritmo do samba. O desfile foi fechado pelo coro da ala dos amigos, que entoou: “Protegidos da Princesa, você é a nossa voz!”.

