Flávio Bolsonaro é pré-candidato ao Palácio do Planalto em outubroFoto: @FlavioBolsonaro/X/ND Mais
A corrida pelas eleições de 2026, marcadas para outubro, também movimenta o campo da oposição no Brasil e coloca o senador Flávio Bolsonaro entre os nomes lançados para a disputa presidencial. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o parlamentar passou a aparecer com mais frequência no debate político como candidato do campo conservador após o pai indicar seu nome para o Planalto.
Em meio a uma sexta-feira 13 no calendário político, cientistas políticos apontam que a eventual candidatura de Flávio Bolsonaro enfrenta um conjunto de desafios que vão além da disputa direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O cenário envolve fatores eleitorais, institucionais e de imagem pública que podem influenciar a viabilidade de seu projeto presidencial.
Nos últimos meses, o senador intensificou aparições públicas e articulações políticas, movimento interpretado por analistas como tentativa de consolidar seu nome nacionalmente. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que a trajetória do parlamentar carrega obstáculos típicos de candidaturas ligadas a lideranças políticas muito fortes.
Receba no WhatsApp as principais notícias de política e economia Entre no grupo
Cinco fatores que preocupam a campanha de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro é pré-candidato ao Planalto. Nome foi lançado pelo pai, JairFoto: Flavio Bolsonaro/@FlavioBolsonaro/X
1. A consolidação do nome como presidenciável
O primeiro desafio apontado por analistas políticos ouvidos pelo ND Mais envolve a própria consolidação de Flávio Bolsonaro como candidato competitivo em uma disputa presidencial. Para o cientista político Adriano Cerqueira, professor do Ibmec de Belo Horizonte e da Universidade Federal de Ouro Preto, o nome do senador surgiu relativamente tarde no debate eleitoral.
“Ele apareceu muito em cima da hora no cenário nacional como presidenciável, e durante um período houve dúvidas se de fato seria candidato e se teria condições de sustentar uma candidatura presidencial”, afirma, ao lembrar que após Bolsonaro ser declarado inelegível, e condenado por tentativa de golpe de Estado, Flávio foi apontado pelo pai como o nome do PL para concorrer ao Planalto.
Outro fator citado por analistas envolve a própria trajetória política do senador eleito pelo Rio de Janeiro. Apesar de estar há anos na vida pública, Flávio Bolsonaro nunca disputou uma eleição presidencial nem conduziu diretamente uma campanha nacional desse porte.
Sua carreira política foi construída principalmente no Rio de Janeiro, onde foi deputado estadual por quatro mandatos antes de se eleger senador em 2018. Para cientistas políticos, a eventual disputa pelo Palácio do Planalto exigiria do parlamentar um salto de projeção nacional e capacidade de articulação política muito mais ampla.
Segundo o especialista, a movimentação política recente indica uma tentativa clara de consolidar essa imagem. “Nos últimos meses ele tem intensificado aparições públicas e buscado se posicionar como uma alternativa viável, inclusive tentando dialogar com setores de centro que enxergam nele um perfil mais moderado em comparação com o pai”, diz.
Lula e Flávio estariam tecnicamente empatadosFoto: RECORD/Agência Brasil/Reprodução/ND Mais
2. Lula como principal adversário eleitoral
Outro fator apontado como um desafio para o filho 01 de Jair Bolsonaro é o peso eleitoral de Lula na história política brasileira. Analistas destacam que ao longo das últimas décadas, o Partido dos Trabalhadores, que tem em Luiz Inácio Lula da Silva a principal figura, acumulou resultados expressivos em disputas presidenciais.
Cerqueira lembra que a única derrota petista em eleições presidenciais no século XXI ocorreu em 2018, quando Lula teve sua candidatura barrada pela Justiça e foi substituído por Fernando Haddad, hoje seu ministro da Economia, e derrotado por Jair Bolsonaro nas urnas.
“Lula e o PT têm um desempenho eleitoral muito consistente nas eleições presidenciais do século XXI. Isso certamente é um fator de preocupação para qualquer candidato que pretenda enfrentá-lo”, avalia o cientista político, professor do Ibmec.
Fachada do STF, em BrasíliaFoto: MAURO BURLAMAQUI/SCO/STF/ Reprodução ND Mais
3. O fator STF e os conflitos institucionais
O terceiro ponto, na avaliação do especialista ouvido pela reportagem, envolve o papel do Supremo Tribunal Federal (STF) no ambiente político recente. Nos últimos anos, a relação entre o tribunal e a família Bolsonaro foi marcada por conflitos institucionais e decisões judiciais que impactaram diretamente o campo político ligado ao ex-presidente, inclusive com o julgamento da ação penal que terminou com a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Para analistas, o histórico de embates jurídicos e institucionais pode continuar influenciando o cenário político nos próximos anos, especialmente em disputas eleitorais polarizadas. “O STF acabou se tornando um dos principais atores institucionais nas disputas envolvendo o bolsonarismo”, afirma Cerqueira. Vale lembrar que o senador é um dos principais nomes da oposição quando se fala em críticas ao ativismo político de ministros da Corte, e defensor do impeachment de magistrados como Alexandre de Moraes, por exemplo.
Queiroz é suspeito de “rachadinha”Foto: Reprodução/Instagram/ND
4. Possíveis denúncias e o peso do passado
Outro fantasma que pode assombrar o senador Flávio Bolsonaro em 2026, citado por analistas políticos, é a possibilidade de que episódios do passado político do senador voltem ao centro do debate público durante a campanha presidencial, o que poderia influenciar o seu desempenho nas urnas.
Flávio Bolsonaro já foi alvo de investigações relacionadas à movimentação financeira em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O caso foi conduzido pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e teve grande repercussão política nos últimos anos.
Além disso, questionamentos sobre a compra de imóveis com pagamentos em dinheiro vivo foram explorados por adversários no debate político. Para analistas, quanto mais um candidato ganha projeção nacional, maior tende a ser o escrutínio público sobre sua trajetória política.
Flávio Bolsonaro foi escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para ser o nome do PL na disputa presidencial de 2026Foto: Instagram/Reprodução/ND Mais
5. Rejeição e comparação permanente com o pai
O quinto fator que pode abalar a candidatura do senador pelo Partido Liberal envolve a própria relação política entre Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para o consultor político Jorge Mizael, da Metapolítica Consultoria, o sobrenome Bolsonaro continua sendo um ativo eleitoral importante, mas também carrega forte rejeição em segmentos da sociedade.
“O sobrenome Bolsonaro ativa apoios muito intensos, mas também rejeições fortes em parte do eleitorado”, afirma. Segundo o analista, isso cria um desafio adicional para a candidatura do senador. “Existe também uma dependência significativa da transferência de capital eleitoral do pai. Isso levanta dúvidas sobre a autonomia política da candidatura e sobre sua capacidade de ampliar apoio além do núcleo bolsonarista mais fiel.”
Além disso, a trajetória política de Flávio Bolsonaro tende a ser constantemente comparada à liderança política do ex-presidente, que atualmente cumpre a pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado em Brasília, na Papudinha. Para especialistas, essa comparação permanente pode influenciar a forma como o eleitorado avalia sua candidatura.
Palácio do Planalto cercado em BrasíliaFoto: José Cruz/Agência Brasil
Instabilidade internacional e cenário econômico ampliam incertezas
Outro elemento citado pelos analistas ouvidos pelo ND Mais envolve o ambiente internacional e seus possíveis reflexos na política doméstica. Tensões geopolíticas e impactos econômicos globais podem alterar o humor do eleitorado e influenciar o debate político interno, segundo aponta o professor Adriano Cerqueira. “Quando há turbulência econômica ou crises externas, o comportamento do eleitor pode mudar rapidamente. Em alguns casos isso favorece candidatos de oposição, em outros fortalece governos em busca de estabilidade”, afirma.
Nos bastidores da política em Brasília, a avaliação predominante é que a disputa presidencial de 2026 tende a repetir o clima de polarização das últimas eleições. Enquanto aliados trabalham para consolidar o nome de Flávio Bolsonaro como alternativa competitiva no campo conservador, analistas apontam que os chamados “fantasmas” políticos da campanha podem influenciar diretamente o rumo da corrida eleitoral.

