Do fim do relacionamento ao feminicídio: o ciclo que se repete no Oeste catarinense.Foto: Reprodução/ND Mais
O avanço dos casos de feminicídio em Santa Catarina — especialmente na região Oeste — tem reforçado o alerta sobre a violência de gênero e pressionado o poder público por respostas mais duras e estruturais.
Em paralelo ao aumento dos homicídios nos primeiros meses de 2026, os dados mostram que a violência contra mulheres segue um padrão persistente e, muitas vezes, silencioso.
Entre janeiro e abril deste ano, o Oeste catarinense registrou uma sequência de mortes violentas que contribuem para a sensação de insegurança.
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Feminicídios no Oeste catarinense
- Ana Dayse Gomes Provensi em Maravilha, em 27 de janeiro;
- Carla Denise Ely da Silva em Peritiba, em 19 de fevereiro;
- Erica Borges e Tatiane Rebelatto Zanaro em Passos Maia, em 18 de abril;
- Claudete Ramos em Chapecó, em 6 de abril;
- Roseli Montardin em Chapecó, em 24 de abril;
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Ana Dayse Gomes Provensi em Maravilha, em 27 de janeiro – Reprodução/Foto Fritz/Redes sociais
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Carla Denise Ely da Silva em Peritiba, em 19 de fevereiro; – Reprodução/ND Mais
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Erica Borges e Tatiane Rebelatto Zanaro em Passos Maia, em 18 de abril – Divulgação/ND Mais
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Roseli Montardin em Chapecó, em 24 de abril – Divulgação/ND Mais
No recorte específico dos feminicídios, os dados são ainda mais preocupantes. Santa Catarina contabilizou 22 casos entre 1º de janeiro e 29 de abril de 2026 — aumento significativo em relação ao mesmo período de 2025, quando foram 14 registros.
Chapecó lidera os casos de feminicídios em SC
Chapecó aparece entre os municípios com maior número de ocorrências neste ano, seguido por Passos Maia, Maravilha e Peritiba.
Além dos números absolutos, levantamentos do Ministério Público de Santa Catarina apontam um dado que chama atenção: Chapecó figura entre as cidades com maior taxa de mortes de mulheres por 100 mil habitantes, com índice de 2,55.
O estudo também identifica a existência de um “corredor do fenômeno feminicida” no Oeste catarinense, abrangendo municípios entre Xanxerê e São Miguel do Oeste, onde se concentram algumas das maiores taxas de letalidade feminina do Estado.
Padrão recorrente do feminicídio
Os dados revelam ainda um padrão recorrente. Em 71% dos casos registrados em Santa Catarina, os crimes são classificados como feminicídios íntimos — ou seja, cometidos por companheiros ou ex-companheiros.
Fatores como abuso de álcool e drogas, comportamento controlador e histórico de violência aparecem com frequência em casos de violência doméstica.Foto: Agência Câmara de Notícias/ND Mais
A maioria das vítimas tem entre 25 e 44 anos (52,84%) e, em mais da metade dos casos (56,1%), possui ensino fundamental ou médio completo. Outro ponto crítico é o local dos crimes: 77,48% acontecem dentro de ambientes fechados, geralmente na própria residência.
Do lado dos agressores, fatores como abuso de álcool e drogas, comportamento controlador e histórico de violência aparecem com frequência. Situações de ruptura do relacionamento — como separações ou tentativas de término — também são apontadas como gatilhos comuns para os crimes.
Apesar da gravidade dos casos, a Polícia Civil destaca que há alto índice de resolução: 99,66% dos autores de feminicídio em Santa Catarina foram identificados e presos, exceto aqueles que tiraram a própria vida após o crime.
Ações de enfrentamento
No enfrentamento à violência contra a mulher, o Estado mantém programas específicos, como o “Polícia Civil por Elas”, que atua em diferentes frentes. Entre as ações estão grupos reflexivos para vítimas e agressores, iniciativas financeira, fortalecimento da autoestima, além de cursos e campanhas educativas.
No campo operacional, operações como “Mulheres” e “Shamar” buscam intensificar a repressão e prevenção desses crimes.
No enfrentamento à violência contra a mulher, o Estado mantém programas específicos, como o “Polícia Civil por Elas”, que atua em diferentes frentes.Foto: Divulgação Polícia Civil Bahia/ND Mais
Mesmo com essas iniciativas, especialistas e autoridades apontam que os números indicam a necessidade de ampliar políticas públicas, especialmente em regiões mais populosas — onde os casos tendem a se concentrar — e fortalecer a rede de proteção às mulheres.
Debates no estado
Esse cenário foi refletido diretamente no debate político no dia 30 de abril, na Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina). A sessão foi marcada por discursos voltados ao enfrentamento da violência de gênero, com destaque para o Projeto de Lei 275/2026, apresentado pela deputada Paulinha (Podemos).
A proposta prevê restrições a condenados por crimes graves, como feminicídio, estupro e pedofilia, incluindo a proibição de visitas íntimas no sistema prisional após condenação definitiva. Segundo a parlamentar, a medida busca estabelecer limites proporcionais à gravidade dos crimes.
Projeto contra violência à mulher domina debate na Alesc e pode colocar SC na liderança nacional.Foto: Divulgação/Alesc/ND Mais
Durante a sessão, dados foram citados para reforçar a urgência do tema, como o registro de 22 mulheres mortas no estado apenas neste ano, sendo 10 em um único mês. A deputada também afirmou que muitos desses casos envolvem vítimas que tentavam romper ciclos de violência.
Enquanto o projeto segue em tramitação, os números continuam a expor um problema estrutural: o feminicídio, em grande parte dos casos, acontece dentro de casa, cometido por alguém próximo — o que torna o enfrentamento ainda mais complexo e urgente.
Diante disso, autoridades reforçam a importância da denúncia. Casos de violência podem ser comunicados à Polícia Civil pelo telefone 181 ou diretamente em delegacias, inclusive pela Delegacia Virtual, onde também é possível solicitar medidas protetivas de urgência.
Denuncie a violência contra a mulher Toda violência doméstica deve ser denunciada sob a Lei Maria da Penha. Se presenciou ou foi vítima, informe as autoridades. Em Santa Catarina, a denúncia pode ser feita de maneira online na Delegacia de Polícia Virtual da Mulher por este link ou pelo WhatsApp (48) 98844-0011. Na Polícia Militar, usa-se o aplicativo PMSC Cidadão. Já por telefone, a denúncia pode ser anônima pelos telefones 181 (Polícia Civil), 190 (Polícia Militar) e 180 (Disque Denúncia).

