Nome de carrascos do Brasil costumam virar tendência após eliminaçõesFoto: Reprodução/ND Mais
O registro do recém-nascido Haaland de Timbó, no Vale do Itajaí, na terça-feira (14), reacendeu uma tradição peculiar, mas comum entre os brasileiros: homenagear os carrascos da Seleção Brasileira em Copas do Mundo no nome dos próprios filhos.
O costume é antigo e tem ligação direta com os nomes de catarinenses há décadas. Nomes de jogadores de Copas traumatizantes, como as de 1982 e de 2014, estão na lista de tendências no estado, mesmo que este não seja o único motivo para os registros.
A Tragédia do Sarriá em 1982 e o salto no registro de nomes de carrascos do Brasil
A chamada “Tragédia do Sarriá” é um dos jogos mais marcantes da história da Seleção Brasileira. O time repleto de estrelas, como Zico, Falcão e Sócrates, é considerado um dos maiores do futebol mundial, mas foi impedido de conquistar a Copa do Mundo de 1982 após uma eliminação dramática contra a Itália.
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Na partida disputada no Estádio Sarriá, em Barcelona, na Espanha, o Brasil precisava de um empate para se classificar para as semifinais, mas os três gols marcados pelo italiano Paolo Rossi em uma partida que terminou em 3 a 2 para a Itália acabaram com o sonho de uma das grandes gerações brasileiras.
Grande nome de carrascos do Brasil, Paolo Rossi eliminou uma das maiores gerações da história da SeleçãoFoto: Getty Images/Divulgação/ND
O efeito foi sentido rapidamente nos cartórios do país. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os cidadãos chamados “Paolo” nascidos no país saltaram de 259 na década de 1970 para 561 na década de 1980, um aumento de 116,6%, impulsionando a escolha por esse nome de carrascos do Brasil. Na década seguinte, o número caiu para 402.
Em Santa Catarina, o aumento foi ainda maior percentualmente. Na década de 1970, foram registrados 17 “Paolo” e, na década de 1980, o número passou para 44, representando um aumento de 158,82% sob a influência desse fenômeno do nome de carrascos do Brasil.
A eliminação de 2006 com gol de Thierry Henry e o impacto do nome de carrascos do Brasil nos anos 2000
Outra eliminação marcante para a Seleção ocorreu nas quartas de final da Copa do Mundo de 2006, quando a escalação tinha craques como Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano.
O algoz da vez foi a França, no Estádio Waldstadion, em Frankfurt, na Alemanha. O grande nome desta partida foi o francês Zinedine Zidane, mas o real carrasco foi Thierry Henry, que marcou o único gol da partida terminada em 1 a 0 para os franceses.
Gol de Thierry Henry em 2006 eliminou Seleção Brasileira após cruzamento de ZidaneFoto: Reprodução/ND Mais
Assim como o visto no caso dos “Paolo”, o aumento dos registros de Henry também ocorreu na década da eliminação. Se na década de 1990 os cidadãos chamados Henry registrados no Brasil foram 884, na década de 2000 o número alcançou 4.460, um aumento de 404,52%. Na década seguinte, o número seguiu em crescimento, alcançando 11.046.
Em Santa Catarina, o aumento também ocorreu, mas com menos impacto percentual do que no resto do país. Os registros saltaram de 51 na década de 1990 para 166 na década de 2000, um aumento de 225,49%, marcando a presença de mais um nome de carrascos do Brasil na região.
O trauma do Mineirão em 2014 e a consolidação do nome de carrascos do Brasil na década de 2010
Se as gerações nascidas antes de 1980 tiveram na Tragédia do Sarriá o seu grande trauma, as gerações seguintes têm em 2014 o ponto mais marcante envolvendo a Seleção Brasileira. Em um time menos estrelado que nas duas Copas citadas anteriormente, uma derrota acachapante em casa teve um grande peso para os torcedores.
Na partida de semifinal terminada em 7 a 1 para a Alemanha no Estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, os gols foram marcados por vários atletas, mas um nome em específico teve um aumento de registros exatamente na década de 2010: o de Thomas Müller, autor do primeiro gol alemão.
Derrota de 7 a 1 para a Alemnha em 2014 começou com gol de Thomas Müller Foto: Reprodução/ND Mais
Apesar de ser um nome mais comum no país do que Paolo ou Henry, o registro de crianças chamadas Thomas nascidas na década de 2000 foi de 5.238 e saltou para 10.363 na década de 2010, um aumento de 97,84%. Outro ponto interessante deste nome é que o ano de nascimento médio dos brasileiros chamados Thomas é exatamente 2014.
Já em Santa Catarina, o aumento percentual foi menos relevante, apesar de ainda ter ocorrido. Na década de 1990, 318 crianças chamadas Thomas foram registradas e, na década seguinte, alcançou 491 registros, um aumento de 54,40%.

Matheus Bastos Repórter
Matheus Bastos é estudante de Jornalismo na UFSC e, no ND Mais, escreve sobre assuntos de interesse público da vida do catarinense. Entre assuntos mais abordados estão o meio ambiente, segurança pública e a infraestrutura de Santa Catarina, com foco especial em Florianópolis e região. Foi premiado na Expojor UFSC, em trabalhos de áudio e jornalismo digital, e recebeu o Prêmio ACMP de Jornalismo, em 2025, com a reportagem “Corrupção de milhões: como a Operação Mensageiro mudou contratos públicos e a política de SC”. Também atua na cobertura de destaques da política de Santa Catarina e integra a cobertura das Eleições 2026 no portal ND Mais. Leia mais ▾
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