El Niño no agronegócio desafia agricultores do Oeste de Santa Catarina nos próximos meses.Foto: Amauri Salles/NDTV Record/ND Mais
O El Niño no agronegócio já preocupa produtores rurais do Oeste de Santa Catarina. Confirmado para o segundo semestre de 2026, o fenômeno climático deve aumentar o volume de chuvas na Região Sul do país, especialmente entre a primavera e o início do verão, cenário que pode afetar diretamente a produção agrícola, favorecer doenças nas lavouras, provocar erosão do solo e dificultar o planejamento das atividades no campo.
Em uma região onde o agronegócio é um dos principais motores da economia, agricultores e técnicos intensificam o planejamento para enfrentar os desafios climáticos e preservar a produtividade.
El Niño no agronegócio do Oeste catarinense leva produtores a reforçar medidas preventivas.Foto: Amauri Salles/NDTV Record/ND Mais
El Niño no agronegócio coloca a produção catarinense em alerta
O Oeste de Santa Catarina está entre as regiões mais importantes do Estado para a produção agrícola. Milho, soja e trigo lideram as lavouras e sustentam boa parte da economia regional, além da presença de frutíferas e hortaliças produzidas em menor escala.
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Com a confirmação do El Niño, produtores passaram a acompanhar as previsões meteorológicas com ainda mais atenção. A expectativa é de chuvas mais frequentes e volumosas nos próximos meses, o que pode comprometer desde o plantio até o desenvolvimento das culturas.
Especialistas explicam que o fenômeno ocorre devido ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica a circulação da atmosfera e influencia o clima em diferentes partes do planeta. No Sul do Brasil, o principal reflexo costuma ser o aumento das chuvas.
Embora os primeiros efeitos sejam discretos durante o inverno, a tendência é que os volumes de precipitação aumentem gradativamente entre julho e agosto e se intensifiquem principalmente entre setembro e dezembro.
Excesso de umidade pode favorecer doenças e aumentar os riscos de perdas nas lavouras.Foto: Amauri Salles/NDTV Record/ND Mais
El Niño no agronegócio preocupa produtores de milho, soja e trigo
A possibilidade de excesso de chuva preocupa principalmente quem depende da produção de grãos para garantir a renda da propriedade.
Em entrevista a equipe da NDTV Record, o produtor rural Leonardo Dal Piva Zeni, cuja família cultiva a terra há gerações no interior de Guatambu, no Oeste catarinense, acompanha diariamente as previsões do tempo. Nesta safra, a aposta foi no milho, mas o planejamento já considera os possíveis impactos do fenômeno.
“Quando a gente fala em clima, sempre é uma incógnita. Nós da área rural sofremos bastante com isso. Estamos vendo as previsões de um El Niño muito forte e, dentro do possível, estamos tentando nos antecipar, desde a implantação de cobertura de inverno até um manejo verde para tentar segurar um pouco mais esse excesso de água”, disse o produtor.
Segundo o agricultor, além da erosão, o excesso de umidade pode degradar o solo e criar condições favoráveis para o surgimento de doenças, aumentando os riscos de perdas na produção.
El Niño no agronegócio: importância da conservação do solo
Diante desse cenário, práticas de conservação do solo passam a ser fundamentais para minimizar os impactos provocados pelas chuvas intensas
Na propriedade de Leonardo, com orientação da Epagri, foram construídos terraços agrícolas, estruturas que ajudam a reduzir a velocidade do escoamento da água da chuva, aumentam a infiltração no solo e diminuem os processos erosivos.
Além de preservar a fertilidade da terra, a técnica também contribui para proteger nascentes e mananciais, reduzindo o transporte de sedimentos para os cursos d’água.
Terraços agrícolas são aliados do El Niño no agronegócio ao reduzir a erosão e melhorar a infiltração da água no solo.Foto: Amauri Salles/NDTV Record/ND Mais
Segundo a Epagri, medidas conservacionistas como essa aumentam a capacidade das propriedades de enfrentar eventos climáticos extremos e devem ganhar ainda mais importância caso as previsões para o El Niño se confirmem.
El Niño no agronegócio exige planejamento para reduzir prejuízos
Além dos terraços, a orientação dos técnicos é investir em cobertura permanente do solo, manejo com plantas de inverno, diversificação das culturas e sistemas produtivos mais resilientes.
Nas propriedades voltadas à pecuária leiteira, por exemplo, o uso de pastagens perenes ajuda a proteger o solo e melhora a capacidade de infiltração da água. Já na fruticultura, a recomendação é manter coberturas vegetais permanentes entre as linhas de plantio, reduzindo a erosão e os custos de produção.
Para os produtores, o momento é de prevenção.
Embora ainda seja impossível prever a intensidade dos impactos em cada propriedade, a preparação antecipada é considerada a melhor estratégia para enfrentar um período que pode ser marcado por chuvas acima da média e maior pressão sobre as lavouras do Oeste catarinense.
Conservar o solo hoje pode significar menos perdas durante o período de chuvas.Foto: Amauri Salles/NDTV Record/ND Mais
A expectativa é de que o comportamento do clima exija ainda mais planejamento dos agricultores nos próximos meses. Enquanto acompanham as atualizações meteorológicas, produtores da região apostam em práticas de conservação do solo e manejo adequado para reduzir riscos, proteger a produção e manter a competitividade de um setor que movimenta a economia do Oeste de Santa Catarina.

