Biscoito à base de guabiroba pode ajudar a controlar glicemia e colesterol em SCFoto: Montagem/ND Mais
Uma árvore comum na região pode se tornar aliada da saúde. Pesquisadoras da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), em Pinhalzinho, no Oeste catarinense, desenvolveram um biscoito à base de folhas de guabiroba.
A pesquisa identificou resultados promissores na redução da glicemia e do colesterol. O estudo foi conduzido nos programas de mestrado e doutorado da instituição e ainda deve avançar para novas etapas.
Da árvore nativa da guabiroba ao laboratório
A pesquisa foi desenvolvida no Laboratório de Bioprocessos da Udesc Oeste, e integra o mestrado de Cristiane Tremea e o doutorado de Vanessa Ruana Ferreira Silva, sob orientação da professora Aniela Pinto Kempka.
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Segundo a orientadora, o grupo já estuda frutas nativas do Sul do Brasil há vários anos. No caso da guabiroba, apesar de haver pesquisas sobre o fruto, ainda existiam lacunas científicas relacionadas às folhas da planta, o que motivou o aprofundamento da investigação.
O trabalho envolveu análises laboratoriais (in vitro) e testes em animais (in vivo), para avaliar possíveis efeitos biológicos.
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As folhas da guabirobeira foram coletadas em janeiro de 2023 – Arvito Concatto/NDTV Record/ND Mais
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O grupo já estuda frutas nativas do Sul do Brasil há vários anos – Arvito Concatto/NDTV Record/ND Mais
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O biscoito teve boa aceitação e foi consumido normalmente – Arvito Concatto/NDTV Record/ND Mais
Como o biscoito foi desenvolvido
As folhas da guabirobeira foram coletadas em janeiro de 2023. Após seleção e processamento, foi utilizado o método de infusão para extrair os compostos da planta.
O extrato foi incorporado à formulação de um biscoito enriquecido com proteínas, como gelatina e quinoa, além de estabilizantes e aromatizantes. O produto foi moldado, assado e administrado a animais durante 28 dias, em grupos controle e tratamento.
De acordo com as pesquisadoras, o biscoito teve boa aceitação e foi consumido normalmente pelos animais durante o período de testes.
O produto foi moldado, assado e administrado a animaisFoto: Arvito Concatto/NDTV Record/ND Mais
Resultados animadores
As análises indicaram modulação positiva de marcadores ligados à glicemia, especialmente no controle de médio e longo prazo. Também foi observada redução média de 14% no colesterol total.
A tese de doutorado ampliou a investigação, analisando diferentes mecanismos de ação e atividades biológicas da espécie Campomanesia xanthocarpa, nome científico da guabiroba.
Os resultados são considerados inéditos para a espécie estudada e reforçam o potencial da biodiversidade regional para o desenvolvimento de produtos funcionais.
Espécie Campomanesia xanthocarpa, nome científico da guabirobaFoto: Imagem gerada por IA/ND Mais
Próximos passos
Apesar dos resultados promissores, as pesquisadoras destacam que ainda são necessários novos estudos antes da aplicação em humanos. A próxima etapa envolve aprofundamento dos mecanismos identificados e, futuramente, testes clínicos.
O projeto deve continuar dentro do programa de pós-graduação da Udesc, com a participação de novos alunos e pesquisadores.
Ciência pública e valorização regional
Para a equipe, além dos avanços acadêmicos, o estudo reforça o papel da universidade pública na produção de conhecimento com impacto social. A pesquisa contou com apoio institucional da Udesc e financiamento da Fapesc.
Ao valorizar uma espécie nativa e abundante no Sul do Brasil, o estudo abre caminho para o desenvolvimento de alimentos funcionais e fortalece a pesquisa científica voltada à biodiversidade regional.

