Giorgio Guedin Florianópolis
Papa falou sobre riscos no funcionamento da democraciaFoto: Divulgação/Vatican News/White House/ND Mais
O papa Leão XIV afirmou que a democracia pode se transformar em uma “tirania da maioria” caso não esteja baseada em princípios éticos e no bem comum.
A declaração foi feita em mensagem oficial do Vaticano e ocorre após recentes tensões com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embora o pontífice não cite diretamente o país ou o líder americano.
“Risco de tirania da maioria”
Na carta, divulgada nesta terça-feira (14), Leão XIV afirma que a democracia precisa ir além de um sistema formal de regras.
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“Longe de ser um mero procedimento, a democracia autêntica reconhece a dignidade de cada pessoa”, escreveu.
Ele alerta, no entanto, que o modelo pode se distorcer: “Sem essa base, corre o risco de se tornar uma tirania da maioria ou uma máscara para o domínio de elites econômicas e tecnológicas”.
Carta aborda uso do poder e cenário globalFoto: Reprodução/ND Mais
“O poder não é um fim”
O papa também enfatiza que o poder deve ser exercido com responsabilidade.
“O poder não é um fim em si mesmo, mas um meio ordenado ao bem comum”, diz o texto.
Segundo ele, a legitimidade das autoridades depende da forma como esse poder é utilizado, e não apenas da força econômica ou tecnológica.
Ordem internacional em mudança
O pontífice ainda aborda o cenário global, afirmando que rivalidades e concentração de poder podem comprometer a estabilidade entre países.
Ele defende que a ordem internacional não deve ser guiada apenas pelo equilíbrio de forças ou por uma lógica técnica, mas por princípios de justiça e cooperação.
Carta após tensão com EUA
Declaração ocorre após tensão com TrumpFoto: Vatican News/@realDonaldTrump/X/ND Mais
A mensagem foi divulgada após críticas públicas de Donald Trump ao papa, motivadas por um apelo do pontífice por cessar-fogo e proteção de civis no Oriente Médio.
Apesar do contexto, o documento não faz menção direta aos Estados Unidos nem a conflitos específicos.

