Especialistas visitam paleotoca encontrada em Lauro Müller, no Sul de SC, e explicam que analisaram dentro do túnel Foto: Divulgação/ND Mais
Após repercussão nas redes sociais, o túnel misterioso encontrado em Lauro Müller, no Sul de Santa Catarina, passou por análise técnica que confirmou se tratar de uma paleotoca e revelou o que existe dentro da estrutura.
O local, que viralizou após ser descoberto durante uma escavação em uma propriedade na comunidade de Rio Amaral Gruta, foi visitado por especialistas do Geoparque Mundial da UNESCO Caminhos dos Cânions do Sul.
Marcas, formato e estrutura chamam atenção em túnel misterioso
Dentro da paleotoca, uma galeria subterrânea escavada por animais da megafauna, os pesquisadores encontraram diversos indícios claros da origem pré-histórica. As paredes apresentam marcas de garras, preservadas na rocha, que indicam a escavação feita por animais de grande porte.
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“O túnel apresenta abundância de marcas de garra em suas paredes, evidenciando a origem animal”, explicou o geólogo Gustavo Simão.
Além disso, o formato da galeria, com cerca de 1 metro de diâmetro, e a sua extensão, de aproximadamente 20 metros, reforçam que o espaço foi escavado por animais como tatus gigantes, que viveram há cerca de 10 mil anos.
Outro ponto observado é a presença de fraturas naturais na rocha e trechos instáveis, além de uma ramificação secundária do túnel, atualmente obstruída por terra e ainda não explorada.
Marcas de garra nas paredes evidenciam a origem animalFoto: Divulgação/ND Mais
Interior preserva vestígios raros e inéditos
O interior da paleotoca também revelou um detalhe considerado inédito para a ciência. A estrutura está inserida em arenitos da Formação Rio Bonito, um tipo de rocha associado às camadas de carvão da região.
Esse fator é incomum, já que a maioria das paleotocas conhecidas no Sul do Brasil está ligada a outros tipos de formação geológica.
Além das marcas de escavação, o ambiente interno preserva características originais do comportamento desses animais, como o padrão das paredes escavadas e a organização da galeria, considerada um icnofóssil, ou seja, um vestígio fossilizado de atividade biológica.
A análise também descartou qualquer relação com mineração. “A forma da escavação e as marcas de garra descartam essa possibilidade”, reforçou o geólogo.
Estudo aponta que a escavação pode estar associada a tatus gigantes que viveram há cerca de 10 mil anosFoto: Divulgação/ND Mais
Local exige proteção e tem potencial educativo
Com a confirmação de que se trata de uma paleotoca, o local passa a ser considerado uma cavidade natural protegida por lei.
Entre as recomendações estão o cercamento da área, instalação de sinalização e cadastro em sistemas de proteção ambiental. Como a estrutura é estreita e apresenta riscos de desmoronamento, a entrada no interior não é recomendada.
Apesar disso, o local tem potencial turístico e pedagógico, podendo ser utilizado para educação e pesquisa sobre a megafauna que habitou a região há milhares de anos.
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Equipe técnica do Geoparque Mundial da UNESCO Caminhos dos Cânions do Sul esteve no local e analisou o túnel – Divulgação/ND Mais
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Simone Cattaneo encontrou a caverna durante uma escavação na propriedade – Divulgação/ND Mais
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Visita técnica foi realizada no dia 7 de março – Divulgação/ND Mais
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Vestígios apontam cavernas feitas por tatus pré-históricos – Divulgação/ND Mais

