Guto Felício concorre ao Senado no Distrito Federal pelo PSDB.Foto: Divulgação/ND Mais
O candidato ao Senado Federal pelo Distrito Federal (DF), Guto Felício, do PSDB, destacou em entrevista ao ND Mais a necessidade de equilíbrio entre os Poderes, defendendo que o combate às fake news não pode dar espaço a excessos.
Na conversa, Felício também apoiou a criação de um Código de Ética para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e reforçou seu compromisso com o desenvolvimento econômico do DF.
Confira o que pensa Guto Felício, candidato ao Senado no Distrito Federal:
ND Mais: Como o senhor enxerga a atuação dos ministros do STF e como avalia o papel do Senado na tramitação de pedidos de impeachment dos magistrados da Suprema Corte?
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Guto Felício: Eu defendo o respeito às instituições e à independência entre os Poderes. O Supremo tem um papel fundamental na democracia, mas isso não significa que seus ministros estejam acima da Constituição ou livres de qualquer controle. Da mesma forma, o Senado não pode transformar pedidos de impeachment em instrumento de disputa política. Cada caso precisa ser analisado com seriedade, responsabilidade e fundamento jurídico. Se houver elementos que caracterizem crime de responsabilidade, o Senado tem o dever constitucional de analisar e decidir. O que não podemos é substituir o equilíbrio entre os Poderes por uma guerra permanente entre as instituições.
ND+: Qual a sua opinião sobre o inquérito das Fake News e a investigação acerca das emendas parlamentares?
G.F.: Fake news precisam ser combatidas, mas sempre dentro da Constituição, com respeito ao devido processo legal, à liberdade de expressão e às atribuições de cada instituição. Nenhum combate à desinformação pode servir de justificativa para excessos. Precisamos de regras claras e segurança jurídica, porque democracia se fortalece com instituições funcionando dentro dos seus limites.
Em relação às emendas parlamentares, defendo transparência absoluta. Emenda é dinheiro público e a população tem o direito de saber quem indicou, para onde o recurso foi, quem recebeu e como foi aplicado. Se houver indício de irregularidade, tem que investigar. O que precisamos preservar é a prerrogativa legítima do Parlamento de destinar recursos, mas com rastreabilidade, fiscalização e responsabilidade do início ao fim.
ND+: O senhor acredita que é necessário estabelecer um código de ética aos ministros do STF? Qual é, na sua visão, o ponto mais importante a ser regulamentado?
G.F.: Quem exerce uma função pública de tamanha responsabilidade precisa estar submetido a regras éticas claras e transparentes. Um Código de Ética não enfraquece o Supremo, ao contrário, ajuda a preservar a credibilidade e a autoridade da instituição. Para mim, o ponto mais importante é estabelecer regras muito claras sobre conflito de interesses, impedimento e suspeição. A sociedade precisa ter segurança de que nenhuma relação pessoal, profissional ou econômica possa colocar em dúvida a imparcialidade de quem julga. Isso vale para qualquer autoridade pública e deve valer também para os ministros do STF. Ética e transparência fortalecem as instituições.
ND+: Como pretende contribuir para o desenvolvimento econômico do seu Estado?
G.F.: Brasília precisa diversificar sua economia e gerar mais oportunidades fora do serviço público. Como senador, quero trabalhar para atrair investimentos, fortalecer o empreendedorismo e transformar a tecnologia e a inovação em grandes motores do desenvolvimento do Distrito Federal.
Uma das minhas propostas é incentivar a criação de polos de desenvolvimento econômico nas regiões administrativas, respeitando a vocação de cada cidade. Precisamos aproximar o emprego da casa das pessoas, movimentar o comércio local e criar oportunidades para quem quer empreender.
Brasília tem mão de obra qualificada, universidades, localização estratégica e potencial enorme em tecnologia, turismo e economia criativa. O papel do senador é ajudar a criar as condições, buscar recursos e construir uma legislação que permita transformar esse potencial em emprego, renda e desenvolvimento.
ND+: Qual a sua visão sobre a classificação das facções criminosas como grupos terroristas pelo Governo dos Estados Unidos?
G.F.: O crime organizado precisa ser enfrentado com firmeza, inteligência e cooperação entre as instituições. A classificação adotada pelos Estados Unidos é uma decisão daquele país. No Brasil, precisamos discutir esse tema com responsabilidade, dentro da nossa legislação e preservando a soberania nacional.
Não acredito que uma mudança de nomenclatura, sozinha, seja capaz de enfrentar organizações criminosas dessa dimensão. O que precisamos é atingir suas fontes de financiamento, combater a lavagem de dinheiro, fortalecer a inteligência e a integração das forças de segurança e impedir que essas organizações ampliem seu poder econômico e territorial.
ND+: Como avalia as tarifas internacionais contra as empresas brasileiras e o que pretende fazer para minimizar os efeitos dessas sanções?
G.F.: Tarifas que prejudicam as empresas brasileiras preocupam porque, no final, atingem a produção, os investimentos e principalmente os empregos. Acho que esse tema precisa ser tratado com diálogo e negociação.
Como senador, vou defender os interesses das empresas e dos trabalhadores brasileiros, apoiar a negociação diplomática para reduzir barreiras comerciais e trabalhar pela abertura e diversificação de mercados para os nossos produtos. Também precisamos criar condições para que as empresas afetadas atravessem esse período sem perder competitividade e empregos.
O Brasil precisa ter uma relação madura com os Estados Unidos e com os demais parceiros comerciais. Defender os interesses nacionais não significa criar conflitos. Significa negociar com firmeza, responsabilidade e buscar soluções que sejam boas para o Brasil.
ND+: Na sua visão, qual é a perspectiva para o futuro da previdência do País e quais sugestões pretende apresentar se eleito senador?
G.F.: A Previdência é uma conquista social que precisa ser preservada para quem já se aposentou e também para as próximas gerações. O Brasil está envelhecendo e o mercado de trabalho está mudando, então precisamos discutir o futuro do sistema com responsabilidade, equilíbrio e sem soluções simplistas.
No Senado, quero defender medidas que melhorem a gestão, combatam fraudes e desperdícios e ampliem a base de trabalhadores protegidos pela Previdência, especialmente diante das novas formas de trabalho. Também precisamos estimular a geração de empregos formais e o crescimento econômico, porque uma Previdência sustentável depende de uma economia capaz de gerar trabalho e contribuição.
Qualquer mudança precisa ser discutida com transparência e segurança jurídica, preservando direitos e buscando equilíbrio para que o sistema continue pagando aposentadorias hoje e tenha condições de fazer o mesmo no futuro.
O Portal ND Mais buscou ouvir todos os candidatos ao Senado pelo Distrito Federal. Entretanto, os candidatos Avenir Rosa (Democrata), Bia Kicis (PL), Erika Kokay (PT), Leila do Vôlei (PDT), Marley (Avante), Michelle Bolsonaro (PL), Ronaldo Fonseca (PSD), Sebastião Coelho (Novo) e Zanata (PSTU) não responderam ao convite.

