Kassab acena a Michelle Bolsonaro no PSD e aumenta a pressão sobre Flávio na corrida contra Lula.Foto: Agência BrasilFoto: michelle
As declarações do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganharam um novo peso nos bastidores do Congresso: a possível aproximação com Michelle Bolsonaro.
A leitura entre parlamentares é que Kassab não apenas mirou os erros de Flávio na relação com os Estados Unidos. Ao elogiar Michelle e dizer que a ex-primeira-dama seria bem acolhida no PSD, o dirigente abriu uma fresta política em meio à crise interna da família Bolsonaro.
Segundo a Gazeta do Povo, Kassab afirmou que não vê chances de Michelle deixar o PL antes das eleições, mas admitiu que ela poderia ser recebida pelo PSD após o pleito. O presidente da sigla classificou Michelle como uma figura respeitada e destacou sua articulação com mulheres e evangélicos.
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O gesto ocorre depois de uma semana de desgaste para Flávio Bolsonaro. Em entrevista ao UOL, Kassab disse que o senador “erra muito” ao tentar demonstrar influência junto ao governo de Donald Trump e avaliou que a proximidade da família Bolsonaro com os Estados Unidos pode gerar desgaste eleitoral no Brasil.
Nos bastidores, congressistas governistas tratam a movimentação como uma cortina de fumaça diante de escândalos envolvendo o entorno da família Bolsonaro e do desgaste provocado pela atuação de Flávio em Washington. Para aliados do Planalto, a tentativa de aproximação com o governo norte-americano alimenta o discurso de “entreguismo” e dá a Lula uma bandeira nacionalista em plena corrida eleitoral.
Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos para tentar adiar uma possível tarifa de 25% sobre produtos brasileiros para depois da eleição de outubro. O presidente Lula acusou o senador de ajudar a provocar a medida, enquanto Flávio nega a acusação e diz ter atuado para evitar prejuízos ao Brasil.
FRAME – ‘Lula não está nem aí para o Brasil’, diz Flávio Bolsonaro sobre atrito com EUAFoto: Instagram/Reprodução/ND Mais
Na oposição, a avaliação é diferente. Parlamentares ouvidos reservadamente tratam a tese de racha como boato político e afirmam que a prioridade do campo conservador segue sendo retirar Lula do Planalto. A leitura é que especulações sobre Michelle no PSD interessam mais a adversários de Flávio do que ao núcleo duro do bolsonarismo.
Ainda assim, o nome de Michelle passou a ser visto como peça estratégica. A ex-primeira-dama deixou o comando do PL Mulher em meio a atritos com os filhos de Jair Bolsonaro, o que acendeu alertas sobre o impacto da crise no eleitorado feminino. Michelle, de acordo com as últimas pesquisas é considerada uma das principais pontes do bolsonarismo com mulheres conservadoras e evangélicas.
Dentro do próprio PSD, o nome dela já havia sido defendido por uma ala da legenda para compor uma chapa presidencial. Segundo a Band, integrantes do partido resistiram à formação da chapa Caiado-Kassab e defendiam Michelle como vice, sob o argumento de que ela ampliaria o alcance da direita entre conservadores e evangélicos.
A escolha de Kassab como vice de Ronaldo Caiado, formalizada em Brasília, consolidou a chapa pura do PSD para a disputa presidencial. Mesmo assim, o aceno a Michelle mantém aberta uma disputa simbólica: quem conseguirá herdar o eleitorado bolsonarista sem carregar todo o desgaste da família Bolsonaro?
Kassab como vice de Ronaldo Caiado define chapa PSD para disputa presidencialFoto: Joice Gonçalves/ND Mais
Na prática, Kassab colocou Michelle no centro do tabuleiro. Para o governo, isso expõe uma direita fragmentada. Para a oposição, é apenas ruído de bastidor. Mas, para o PSD, pode ser uma forma de pressionar o PL, disputar o eleitorado feminino e se apresentar como alternativa mais organizada contra Lula em 2026.

