Irã acusou os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, de serem responsáveis por violações do cessar-fogo firmado em abrilFoto: Joyce N. Boghosian/White House/ND Mais
O plano de paz no Oriente Médio, que parecia caminhar para uma assinatura esta semana, acabou de balançar. O Irã colocou a culpa na conta dos Estados Unidos pelas violações do cessar-fogo assinado no último dia 8 de abril. Para piorar, a troca de ataques com Israel deixou o clima entre Teerã e Washington, que já era difícil, sob “extrema suspeita”.
O tamanho do desgaste fez o presidente americano, Donald Trump, ir às redes sociais na manhã desta segunda-feira (8): “Israel e Irã devem parar imediatamente os disparos”, publicou Trump na Truth Social.
Como a situação saiu do controle?
O que estava desenhado para ser uma semana de diplomacia virou uma sequência de ataques cruzados:
- O estopim: Israel bombardeou Beirute, no Líbano, mirando o Hezbollah.
- O troco: o Irã achou que Israel passou dos limites e disparou 11 mísseis contra os israelenses no domingo (7).
- O contra-ataque: nesta segunda (8), Israel mirou o sudoeste do Irã e bombardeou o complexo petroquímico de Mahshahr, afirmando que o local produzia mísseis balísticos. Além disso, drones foram abatidos em Teerã após forte barulho de explosões.
Antes disso, Trump já tinha criticado o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deixando claro quem está no comando da mediação: “É ele [Trump] quem manda em tudo”.
Teerã afirma que a troca de ataques com Israel dificulta as negociações diplomáticas com WashingtonFoto: Tasnim News Agency/Reprodução/ND Mais
O nó diplomático: por que sobrou para os EUA?
Na visão do Irã, os EUA não são apenas mediadores, são cúmplices. O porta-voz das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, chamou o processo atual de “caótico” e disse que Israel está tentando sabotar a paz de propósito.
Como os americanos assinaram o acordo de cessar-fogo, Teerã entende que Washington tem responsabilidade por tudo o que Israel faz na região. O medo real, segundo o porta-voz, é que isso vire uma guerra regional generalizada.
No meio desse caos, o ministro do Interior do Paquistão foi a Teerã no domingo para tentar uma ponte indireta de conversa entre o Irã e os EUA. Se funcionou ou não, ninguém sabe ainda, mas o relógio está correndo.

