Carta encontrada em confessionário após 42 anos no Extremo-Oeste catarinense.Foto: Divulgação/Museu da Colonização/ND Mais
Uma carta encontrada escrita há mais de 60 anos e escondida dentro de um confessionário foi achada por acaso, 42 anos depois, revelando um retrato de Palma Sola, em 1965. O documento, datado de 24 de junho daquele ano, permaneceu oculto no interior do móvel religioso até 2007, quando o confessionário retornou ao município para integrar o acervo do Museu da Colonização.
A mensagem foi ditada pelo marceneiro João Feix e escrita por sua filha, Alice. Na época, ele havia confeccionado o confessionário para a Igreja Matriz de Anchieta, a pedido do então vigário, padre Martinho Burger. Antes da entrega da peça, decidiu deixar um registro para quem, um dia, viesse a encontrá-lo.
Na carta encontrada 42 anos depois, João Feix faz um breve relato sobre o contexto da época. Ele registra que o presidente da República era Castelo Branco, o governador de Santa Catarina era Celso Ramos e que o primeiro prefeito eleito de Palma Sola era Libório Romildo Kuhn. Também cita o papa Paulo VI e o bispo da Diocese de Chapecó.
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Além das autoridades, o marceneiro descreve aspectos do cotidiano. Ele anota quais eram as moedas em circulação no Brasil, faz referência ao dólar, ao marco alemão e à libra inglesa, informa o valor do salário mínimo e quanto um trabalhador costumava receber por dia.
O trecho que mais chama a atenção está no encerramento da carta. Aos 60 anos, João Feix escreveu. “Já sou tão velho, com 60 anos, e ainda tenho que fazer confessionário. Muitas felicidades para todos. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.”
Uma carta encontrada escrita há mais de 60 anos e escondida dentro de um confessionário foi achada por acaso, em Palma Sola.Foto: Câmara Municipal de Palma Sola/Reprodução/ND
Carta encontrada estava no confessionário
Segundo o Museu da Colonização, a carta foi encontrada durante a desmontagem do confessionário, em 2007. Na época, a peça foi emprestada pela comunidade de Anchieta para compor o acervo do museu, criado para preservar a história da colonização de Palma Sola. Foi durante esse trabalho que o então responsável pela busca do móvel, José Felício Jung, descobriu o documento escondido em seu interior.
Desde então, a carta encontrada permanece exposta junto ao confessionário e se tornou uma das peças mais simbólicas do museu. Para a instituição, o documento representa uma espécie de cápsula do tempo, já que o autor registrou informações pensando que, algum dia, alguém encontraria aquelas palavras.
Carta encontrada escrita há mais de 60 anos e escondida dentro de um confessionário foi achada por acaso, 42 anos depois.Foto: Jornal Sentinela do Oeste/ND Mais
Além dessa carta, o Museu da Colonização reúne outros documentos considerados raros, como a primeira certidão de casamento registrada em Palma Sola e um antigo mapa da década de 1940 que já apontava a formação de futuras cidades da região, como São José do Cedro, Princesa e Romelândia.
Após quase duas décadas em exposição no museu, o confessionário deverá ser devolvido à comunidade de Anchieta, que solicitou o retorno da peça. A carta encontrada, no entanto, permanece como um dos registros mais valiosos da memória de Palma Sola e da história de seus primeiros moradores.

