Maria Fumaça percorre antigos trilhos ferroviários em um passeio que combina história, natureza e turismo entre SC e RS.Foto: Prefeitura de Piratuba/ND Mais
O apito de uma Maria Fumaça rompe o silêncio da Estação Ferroviária de Piratuba, no Meio-Oeste de Santa Catarina. Pouco depois, a locomotiva a vapor começa a avançar lentamente pelos trilhos, deixando para trás a cidade turística conhecida pelas águas termais. O destino é Marcelino Ramos, no Rio Grande do Sul.
O que parece ser apenas um passeio turístico é, na verdade, uma viagem pela história da região.
Conhecido como Trem das Termas, o percurso acompanha o Rio do Peixe, passa por pequenas propriedades rurais, antigas comunidades ferroviárias e chega a um dos momentos mais marcantes da viagem: a travessia sobre o Rio Uruguai, na ponte metálica que liga Santa Catarina ao Rio Grande do Sul.
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Estação Ferroviária de Piratuba foi inaugurada em 29 de outubro de 1910 e hoje é ponto de partida do Trem das Termas.Foto: Prefeitura de Piratuba/ND Mais
A locomotiva a vapor utilizada no passeio foi construída na Bélgica em 1906 e, em 2026, completa 120 anos.
O passeio é operado pela ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária), entidade dedicada à conservação do patrimônio ferroviário brasileiro.
O trem mantém vivo um trecho da antiga rede ferroviária que ajudou a conectar comunidades e transportar pessoas e mercadorias pelo interior do Sul do Brasil.
Onde começa a história da Maria Fumaça
A viagem começa na antiga Estação Ferroviária de Piratuba. O prédio foi inaugurado em 29 de outubro de 1910, quando foi aberta a ligação ferroviária entre Presidente Pena, atual município de Caçador, e Uruguai, em Piratuba.
Na época, a ferrovia fazia parte da antiga Estrada de Ferro São Paulo–Rio Grande, uma das grandes obras de infraestrutura que avançaram pelo interior do Sul do país no início do século XX.
Ponte de 455 metros é atravessada pela Maria Fumaça durante a viagem entre Piratuba e Marcelino Ramos.Foto: Prefeitura de Piratuba/ND Mais
A estação, que originalmente recebeu o nome de Rio do Peixe, acabou fechada e posteriormente passou a ser utilizada como moradia.
Em 2003, parte do espaço começou a ser ocupada pela ABPF para a operação do Trem das Termas. Desde 2007, a associação utiliza integralmente o local.
Hoje, o espaço também funciona como ponto de contato com essa história.
Na estação, visitantes podem encontrar objetos ligados à atividade ferroviária, como ferramentas, peças e outros elementos que ajudam a contar como era a rotina dos trabalhadores dos trilhos.
O apito anuncia o início da viagem do Trem das Termas
Antes da partida, o clima já lembra outra época.
O sino toca, a locomotiva solta o vapor e o apito anuncia que o passeio vai começar. A composição deixa a estação e segue pelo interior de Piratuba.
O trajeto turístico tem aproximadamente 25 quilômetros em cada sentido. No caminho, o trem passa por localidades como Alto Maratá, Distrito de Uruguai e Volta Grande, acompanhando a margem esquerda do Rio do Peixe.
A paisagem muda conforme o trem avança.
O trajeto turístico tem aproximadamente 25 quilômetros em cada sentido.Foto: Prefeitura de Piratuba/ND Mais
Pequenas propriedades rurais, áreas de mata e o curso do rio acompanham os passageiros durante boa parte do percurso.
Para quem está acostumado a fazer viagens pela rodovia, a velocidade reduzida do trem permite observar detalhes que normalmente passam despercebidos.
O passeio também é acompanhado por monitores, músicos e serviço de bordo, segundo a ABPF. A proposta é justamente unir a experiência turística à preservação da memória ferroviária.
A ponte que virou um dos símbolos da viagem
Se existe um momento em que os passageiros costumam ficar atentos às janelas, é quando o trem se aproxima do Rio Uruguai.
É ali que a viagem deixa de ser apenas um passeio pelo interior de Santa Catarina e passa, literalmente, para outro estado.
A composição atravessa uma ponte metálica de aproximadamente 455 metros, construída com estrutura de origem belga. A passagem sobre o Rio Uruguai conecta Piratuba, em Santa Catarina, a Marcelino Ramos, no Rio Grande do Sul.
A história da estrutura é ainda mais antiga.
Antigos trilhos da ferrovia ganharam uma nova função com o Trem das Termas, que transformou o trecho em atração turística.Foto: Patrimônio Belga no Brasil/ND Mais
De acordo com registros sobre a antiga Estrada de Ferro São Paulo–Rio Grande, uma primeira ponte provisória de madeira foi destruída por uma enchente em maio de 1911.
O tráfego ferroviário só foi totalmente restabelecido depois da instalação da ponte de aço fabricada na Bélgica, cuja estrutura permanece no local.
Assim, enquanto o trem avança lentamente sobre a estrutura metálica, os passageiros atravessam uma obra que testemunhou mais de um século de transformações na região.
Do Rio do Peixe ao Rio Uruguai
A paisagem também ajuda a entender a importância da ferrovia.
Antes de o trecho se transformar em atração turística, os trilhos eram utilizados para transportar passageiros e cargas.
A antiga estação de Marcelino Ramos, hoje destino do passeio, fazia parte dessa estrutura ferroviária e funcionava como ponto de baldeio de passageiros.
A ABPF classifica o trecho percorrido pelo Trem das Termas como parte da chamada Ferrovia do Contestado, integrante da antiga Estrada de Ferro São Paulo–Rio Grande.
É essa transformação que dá outro significado ao passeio: os mesmos trilhos que um dia serviram à circulação de pessoas e mercadorias hoje são utilizados para preservar a memória daquele período.
A ABPF classifica o trecho percorrido pelo Trem das Termas como parte da chamada Ferrovia do Contestado.Foto: Prefeitura de Piratuba/ND Mais
Quando o trem chega ao Rio Grande do Sul
Depois da travessia da ponte, a Maria Fumaça chega à Estação Ferroviária de Marcelino Ramos.
A parada dura cerca de uma hora e meia e permite que os passageiros conheçam a cidade gaúcha antes do retorno a Piratuba.
Durante esse intervalo, há opções de passeios adicionais, como visitas ao Santuário de Nossa Senhora da Salette e às águas termais de Marcelino Ramos, contratadas à parte.
Depois, chega a hora de voltar aos trilhos.
A locomotiva faz o caminho inverso e segue novamente em direção a Piratuba, onde a chegada ocorre aproximadamente no fim da tarde.
Segundo a ABPF, o passeio completo envolve cerca de 1h15 de viagem na ida, 1h30 de parada em Marcelino Ramos e aproximadamente 1h30 no retorno.
O passeio completo envolve cerca de 1h15 de viagem na ida, 1h30 de parada em Marcelino Ramos e aproximadamente 1h30 no retorno.Foto: Prefeitura de Piratuba/ND Mais
Uma viagem que sobrevive ao tempo
Em uma época em que grandes distâncias são percorridas rapidamente por carros e aviões, a experiência do Trem das Termas aposta justamente no contrário.
A viagem é lenta.
E é essa lentidão que permite observar a paisagem, ouvir o barulho das rodas sobre os trilhos e perceber a dimensão histórica do caminho.
O Trem das Termas transforma um trecho da antiga ferrovia em uma experiência turística, mas também mantém em movimento uma parte da história do Meio-Oeste catarinense.
Como fazer o passeio
Atualmente, a ABPF informa que o Trem das Termas realiza passeios aos sábados, com recepção na Estação Ferroviária de Piratuba a partir das 13h e saída prevista para 13h30.
O retorno está previsto para aproximadamente 18h. Datas adicionais devem ser consultadas previamente.
Como horários, valores e disponibilidade podem mudar, a recomendação é confirmar as informações diretamente com a ABPF antes da viagem.
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O que antes era meio de transporte hoje se tornou uma das experiências turísticas ligadas à história ferroviária de Piratuba. – Prefeitura de Piratuba/ND Mais
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