Igreja Matriz de São Pedro de Alcântara, a primeira da colônia de imigrantes alemães em solo catarinenseFoto: Douglas Trierveiler/Divulgação/ND
Dentre os atrativos de São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis, a Igreja Matriz se destaca pela sua imponência, localização e arquitetura. Com o início da construção em 1926, foi decidido que o altar seria esculpido em madeira, com imagens sacras e uma grande cúpula que remete à Basílica de São Pedro, no Vaticano.
O local, no alto de um morro, faz com que se tenha uma vista completa da cidade, mas antes da atual Igreja Matriz, o terreno já havia abrigado outras três igrejas: uma de palha, construída em 1830; outra de madeira, em 1838; e a terceira de alvenaria, erguida em 1855 e demolida em 1926 para dar lugar ao atual templo.
No entorno das primeiras igrejas, um cemitério comunitário se fazia presente, sendo suprimido e substituído por um cemitério reservado onde padres que nasceram na região, ou serviram à comunidade, são sepultados.
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A construção do templo durou apenas três anos, sendo inaugurada em 1929, antes mesmo da conclusão total da obra. A data ainda coincidiu com o centenário da imigração alemã, que molda a forma com que os alcantarenses vivem.
O pioneirismo da imigração alemã em São Pedro de Alcântara
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São Pedro de Alcântara é o município com a menor população da Grande Florianópolis, localizada a 35 km da capital – Divulgação/Prefeitura de São Pedro de Alcântara/ND Mais
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Cidade se desenvolveu no entorno da Igreja Matriz São Pedro de Alcântara – Divulgação/ND
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Tradição alemã é preservada no pequeno município – Divulgação/ND
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Museu Alemão São Pedro de Alcântara possui acervo histórico – Anderson Coelho
Um refúgio que combina ar puro, arquitetura europeia e o charme de uma cidade pequena, São Pedro de Alcântara é o município com a menor população da Grande Florianópolis. Localizada a apenas 35 km da capital catarinense, a cidade carrega o peso histórico de ser a localidade que marcou o início da imigração alemã no estado.
Embora tenha sido emancipada apenas em 1994, completando 32 anos de autonomia política em 16 de abril de 2026, sua trajetória começou muito antes, em 1829, com a chegada dos primeiros alemães.
A história de São Pedro de Alcântara é um mergulho nas raízes de Santa Catarina. Em 1º de março de 1829, chegaram à região as primeiras 166 famílias de imigrantes alemães, a maioria vinda da região do Hunsrück.
Batizada em homenagem à Imperatriz Amélia de Leuchtenberg e ao Imperador Dom Pedro I, a colônia foi o primeiro assentamento germânico oficial do estado.
Por mais de um século, a localidade pertenceu a São José. Sua emancipação tardia permitiu que a cidade preservasse um ar de “vila do interior” que encanta quem foge da grande urbanização das cidades próximas, como Florianópolis.
Tradição e arquitetura engrandecem turismo em São Pedro de Alcântara
Grande parte da atividade turística do município é focada na contemplação, religiosidade e gastronomia. O relevo acidentado e as estradas sinuosas proporcionam vistas de cartões-postais que lembram cenários europeus:
- Caminho das Tropas: parte da antiga rota que ligava o litoral ao planalto serrano. Hoje, é muito usado para caminhadas e cicloturismo.
- Arquitetura Enxaimel: ao percorrer as estradas rurais, como as de Louro e Santa Filomena, é comum encontrar casas que preservam o estilo de construção trazido durante a colonização.
- Cachaça Artesanal: a cidade é famosa pela produção de cachaças reconhecidas e premiadas, com alambiques familiares que oferecem degustação e venda direta.
Cultura e gastronomia alemãs permanecem no dia a dia de São Pedro de Alcântara
Mantendo as tradições vivas, a cultura germânica faz parte da vida dos 6.175 habitantes, conforme dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Entre os mais velhos, ainda é possível ouvir o dialeto alemão Hunsrückisch, e o calendário municipal é marcado por celebrações que valorizam e recordam os primeiros imigrantes.
Gastronomia alemã é um dos principais atrativos da Oktobertanz, a maior festa alemã da Grande FlorianópolisFoto: Divulgação/ND Mais
Em outubro, por exemplo, a população se reúne para celebrar a Oktobertanz, que terá a sua 22ª edição em 2026. A celebração é a maior festa alemã da Grande Florianópolis.
Na gastronomia, o famoso marreco recheado com repolho roxo e as tradicionais cucas são obrigatórios nos restaurantes locais e enfeitam a mesa dos cidadãos alcantarenses.
Visitar o pequeno município é um convite a entrar em contato com as tradições germânicas, respirar o ar puro do interior e entender como a colonização alemã marcou a história catarinense.

