Caso Ana Beatriz, que chocou Rio do Sul, completa 10 anos nesta terça-feira (3)Foto: Luciano Cerin/NDTV RECORD/ND Mais
O assassinato brutal da menina Ana Beatriz, que chocou a cidade de Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, em março de 2016, completa 10 anos nesta terça-feira (3), sem respostas.
Cláudia Schelter, mãe da vítima, compartilha a dor e a revolta de ver a memória da filha marcada por um crime ainda sem desfecho, em entrevista ao repórter Luciano Cerin, da NDTV RECORD.
Mãe relembra momentos de desespero após desaparecimento de Ana Beatriz
Caso Ana Beatriz, que chocou Rio do Sul, completa 10 anos nesta terça-feira (3)Foto: Luciano Cerin/NDTV RECORD/ND Mais
A mãe relembra as quase 24 horas de puro desespero, vividas entre o desaparecimento da filha e a confirmação de sua morte. A menina foi dada como desaparecida às 13h, e seus pais só foram informados sobre a tragédia na delegacia às 10h30 do dia seguinte.
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“Eu sempre encontrava com ela na saída da escola. Ela sempre vinha naquele trajeto, e não apareceu. Esperei das 17h30 até quase 18h. Meu marido estava no primeiro dia de férias, então imaginai que ele já teria buscado ela”, relembra Cláudia.
Assim que a mãe chegou em casa, descobriu que a filha não estava. Neste momento, os pais de Ana Beatriz entenderam que algo havia acontecido com a menina.
O casal passou a madrugada em busca de Ana Beatriz, até que, na manhã seguinte, foram até a delegacia, onde, finalmente, receberam a notícia de que o corpo da menina havia sido encontrado. “Eu nunca vou esquecer”, enfatiza Cláudia.
Dez anos depois, a esperança por justiça, para a família da vítima, se apoia no júri popular dos três homens acusados pelo estrupo e assassinato da menina, que foi transferido da cidade natal para a comarca da Capital, em Florianópolis, e segue sem data definida.
“A gente quer um desfecho, que seja feita a justiça, porque quem sofreu foi ela. Não fui eu, meu marido ou a família, foi Ana Beatriz Schelter, de 12 anos, que ficou na mira de quem fez maldade com ela. Ela sofreu mais do que nós. Ficou esse sentimento de saudade, que dói bastante. É estar com o coração partido, e não fecha, porque nunca vai fechar mesmo”, destaca a mãe.
Caso Ana Beatriz: menina de 12 anos foi assassinada em Rio do Sul em março de 2016Foto: Luciano Cerin/NDTV RECORD/ND Mais
Mudança no júri popular
Em 2025, o júri popular, inicialmente marcado para o dia 29 de outubro em Rio do Sul, foi suspenso pelo TJSC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina).
A decisão atendeu a um pedido da defesa de um dos acusados, que solicitava que o julgamento aconteça em outra cidade da região.
Segundo os advogados, a forte repercussão do caso na cidade poderia influenciar os jurados, já que o crime gerou grande comoção e foi amplamente divulgado pela mídia local.
Relembre o caso Ana Beatriz
Ana Beatriz Schelter saiu de casa em março de 2016 para ir à escola, como fazia todos os dias. No fim da tarde, quando a mãe voltou do trabalho, não encontrou a menina.
Uma câmera de monitoramento de uma empresa, localizada ao lado da casa da família, registrou as últimas imagens da menina com vida. A escola da garota ficava a 2 km de sua casa.
O corpo da vítima foi encontrado na manhã seguinte ao seu desaparecimento, dentro do baú de um caminhão, em uma empresa de locação de banheiros químicos. O local fica às margens da BR-470, a menos de 3 km da casa da família.
Corpo da menina foi localizado um dia após o desaparecimento – Foto: Reprodução/NDTV RECORD/ND Mais
Segundo familiares, a garota ainda estava vestindo o uniforme da escola. Ela teria sido colocada sentada dentro do baú, com uma corda no pescoço. O laudo da morte apontou que Ana Beatriz morreu às 2h30.
Três homens são acusados pelo crime
Em maio de 2020, O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) apresentou denúncia contra três homens pelo estupro e assassinato da menina.
O MPSC defende que no trajeto, antes de chegar ao colégio, um homem conhecido da família de Ana, que inclusive frequentava a mesma igreja que a menina e os pais, teria oferecido carona para a vítima. Com ele havia um comparsa no carro.
De lá, os homens seguiram para um local não identificado, onde teriam violentado sexualmente a vítima, causando em Ana graves lesões corporais. Para esconder o crime, os homens teriam matado Ana Beatriz via asfixia por esganadura.
Com Ana já sem vida, o homem que lhe ofereceu carona conseguiu a ajuda de um outro conhecido para esconder o corpo. Esse trabalhava na empresa de banheiros químicos onde a menina foi encontrada e seria o responsável por ter colocado a corda no pescoço dela para simular um suicídio. Além disso, após montar a cena, ele mesmo chamou a polícia.
De acordo com o Ministério Público, apenas o homem que ofereceu carona a Ana Beatriz era conhecido da família da vítima. Ele foi preso preventivamente em fevereiro de 2020 e vai responder pelos crimes de estupro de vulnerável e homicídio qualificado. Se condenado, pode pegar mais de 60 anos de prisão.
Caso Ana Betriz: mentor do crime foi preso preventivamente em 2020 e pode pegar até 60 anos de prisão, caso condenado – Foto: Marco Favero/ND Mais
Os outros dois homens eram conhecidos do mentor do crime e respondem pelo crime em liberdade. O comparsa que estava no carro também é acusado de estupro de vulnerável e homicídio qualificado. Já o responsável pela ocultação do corpo é acusado de fraude processual qualificada, com pena máxima de até quatro anos de prisão.
O que diz a defesa
O advogado de defesa, Jonas De Oliveira, expressa confiança na absolvição de seu cliente, argumentando que o processo foi desaforado para Florianópolis devido à falha da acusação e do Ministério Público na condução da investigação.
Ele critica a ausência de provas no caso e acredita que o julgamento será isento e neutro, dado que será conduzido por jurados que terão o primeiro contato com os fatos.
De Oliveira destaca ainda que seu cliente, o único dos acusados preso, já aguarda julgamento há mais de três anos. Caso o Ministério Público recorra, a defesa considerará pedir a revogação da prisão para que ele possa aguardar o julgamento em casa.

