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Região

Lula soma 23 derrotas no Congresso; veja comparação com outros governos

Ultima atualização: 27 de julho de 2026 08:00
Por Tatiana Azevedo
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (c) reunido com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB)                                           Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência BrasilO presidente Luiz Inácio Lula da Silva (c) reunido com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB)                                           Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

As derrotas de Lula no Congresso marcam uma série de problemas neste terceiro mandato. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acumula ao menos 23 derrotas neste período, segundo levantamento do Poder360 organizado pelo Ranking dos Políticos.

O balanço reúne episódios considerados relevantes, como vetos presidenciais derrubados, projetos retirados de pauta por falta de votos, derrotas em comissões, medidas econômicas barradas e a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A contagem aponta seis derrotas em 2023, cinco em 2024, oito em 2025 e quatro em 2026. O levantamento considera diferentes tipos de derrotas, que vão desde votações perdidas no plenário até pautas que o governo não conseguiu fazer avançar.

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Entre os episódios de maior impacto estão a derrubada do veto ao marco temporal das terras indígenas, a resistência do Congresso a medidas econômicas como o aumento do IOF e, em 2026, a rejeição inédita de uma indicação presidencial ao Supremo Tribunal Federal.

Lula 3 enfrenta Congresso diferente dos primeiros mandatos

A comparação entre governos precisa considerar que não existe uma metodologia oficial única para medir “derrotas presidenciais” no Congresso. A composição do Legislativo, as regras de funcionamento e o peso dos partidos mudaram ao longo das últimas décadas, segundo apontou o levantamento.

O principal contraste está na capacidade de articulação política, aponta o documento, baseado na dificuldade de intelocução política entre o Planalto e o Congresso, com resistência a nomes do Executivo e trocas de comando na pasta.

Nos dois primeiros mandatos de Lula, entre 2003 e 2010, o governo conseguiu formar uma coalizão parlamentar mais previsível. A aproximação com partidos de centro e a distribuição de espaços na Esplanada ajudaram o Executivo a aprovar projetos considerados estratégicos.

Já neste terceiro mandato, iniciado em 2023, Lula chegou ao Planalto após uma eleição marcada por uma ampla frente contra Jair Bolsonaro (PL). A aliança eleitoral, porém, não se transformou automaticamente em uma base parlamentar fiel.

O governo passou a depender de negociações específicas para cada votação, e passou a depender do Centrão para aprovar matérias.

CPMI do 8 de janeiro mostrou dificuldades do governo em controlar agenda política do CongressoFoto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil1CPMI do 8 de janeiro mostrou dificuldades do governo em controlar agenda política do CongressoFoto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil1

2023: os primeiros sinais de dificuldade no Congresso

Logo no primeiro ano, o Planalto acumulou seis derrotas relevantes, segundo destaca o documento.

Entre elas esteve o avanço da oposição com a instalação da CPMI do 8 de Janeiro, além da criação da CPI do MST, movimentos que mostraram dificuldade do governo em controlar a agenda política do Congresso.

Outro episódio foi o avanço do marco temporal das terras indígenas. O Congresso derrubou o veto presidencial e manteve a tese que restringia demarcações de terras indígenas às áreas ocupadas em 5 de outubro de 1988.

Também em 2023, o governo enfrentou dificuldades com o chamado PL das Fake News, retirado de pauta por falta de votos.

A disputa pelo comando de comissões da Câmara também evidenciou a força do Legislativo e a dificuldade do Executivo em ocupar espaços estratégicos.

Um dos embates mais desafiadores ocorreu com a indicação de Nikolas Ferreira (PT-MG) para comandar a Comissão de Educação na Câmara, tradicional reduto da esquerda.

2024: vetos derrubados e desgaste em pautas sociais

No ano seguinte, o Congresso manteve o movimento de contrariar decisões do presidente Lula.

Entre os principais episódios esteve a derrubada do veto presidencial à lei que restringiu as chamadas “saidinhas” de presos.

O Legislativo também rejeitou vetos relacionados a temas orçamentários e avançou em pautas que contrariavam posições defendidas pelo governo.

A desoneração da folha de pagamentos foi outro ponto de tensão. Após a derrubada do veto presidencial, o governo precisou negociar uma transição e buscar alternativas para preservar parte da arrecadação.

Ao mesmo tempo, propostas como a regulamentação do trabalho por aplicativos não avançaram por falta de consenso.

Enquanto o relator estava coom o texto pronto para votação na Câmara, o Planalto barrou o avanço do projeto por discordar dos valores pagos a motoristas.

Ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad tentou negociar aumento do IOF com CongrressoFoto: Diogo Zacarias/MF/NDEx-ministro da Fazenda, Fernando Haddad tentou negociar aumento do IOF com CongrressoFoto: Diogo Zacarias/MF/ND

2025: IOF vira símbolo da dificuldade econômica

A área econômica passou a concentrar parte dos principais reveses do governo Lula no Congresso.

A derrota mais emblemática foi a derrubada do decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

A medida era considerada importante pela equipe econômica para ampliar receitas e ajudar no cumprimento das metas fiscais. O governo estimava arrecadar cerca de R$ 20,5 bilhões com a mudança.

O Congresso, porém, rejeitou a iniciativa. Na Câmara, o decreto foi derrubado por 383 votos a 98. No Senado, a decisão também foi contrária ao Executivo.

O episódio obrigou o governo a buscar alternativas para recompor receitas e expôs os limites da articulação do Planalto mesmo em uma pauta considerada prioritária.

Ainda em 2025, o governo enfrentou derrotas envolvendo a lei das eólicas offshore, regras trabalhistas para atletas e a disputa pela condução da CPMI do INSS. Numa manobra, a oposição conseguiu derrubar nomes da base para conduzir as investigações.

Rejeição do nome de Messias para o STF marcou uma das principais derrotas de Lula no Congresso neste terceiro mandato do presidenteParlamentares de oposição comemoraram rejeição de Jorge Messias pelo plenário do SenadoFoto: Marcel van Hattem/@marcelvanhattem/Instagram

2026: rejeição de Messias marca crise política

O episódio de maior impacto político deste terceiro mandato de Lula ocorreu em abril deste ano, quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF.

O advogado-geral da União, indicado por Lula, recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários. Para ser aprovado, precisava de pelo menos 41 votos.

A rejeição entrou para a história como a primeira vez, desde a República, que o Senado recusou uma indicação presidencial ao Supremo em mais de um século.

A derrota foi interpretada como um sinal de enfraquecimento da articulação do governo entre os senadores.

No dia seguinte, o Congresso também derrubou o veto ao chamado PL da Dosimetria, ampliando o desgaste político do Planalto.

Vetos presidenciais se tornam principal marca do desgaste

Uma das características do terceiro mandato de Lula foi a quantidade de vezes em que o Congresso passou por cima de uma decisão presidencial.

A derrubada de vetos mostra que o Executivo não conseguiu sustentar posições aprovadas pela Presidência mesmo após a tramitação das propostas.

Além do marco temporal e das saidinhas, outros vetos relacionados a temas econômicos, sociais e eleitorais foram revertidos pelos parlamentares.

Comparação com Dilma e Bolsonaro

A dificuldade de relacionamento com o Congresso também marcou outros governos recentes, mas em contextos diferentes.

No segundo mandato de Dilma Rousseff, a perda de apoio político no Legislativo contribuiu para a crise que terminou no processo de impeachment em 2016.

Já Jair Bolsonaro iniciou o mandato com uma postura de confronto com parte do Congresso, mas posteriormente ampliou a aproximação com o centrão para construir uma base de apoio.

No caso de Lula 3, o desafio foi transformar uma ampla aliança eleitoral em uma coalizão parlamentar estável.

Lula chega ao final do terceiro mandato com preocupações políticas e pré-campanha para a reeleiçãoFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Reprodução/ND MaisLula chega ao final do terceiro mandato com preocupações políticas e pré-campanha para a reeleiçãoFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Reprodução/ND Mais

Governo chega ao fim do mandato pressionado

A sequência de derrotas não significa que o governo deixou de aprovar projetos importantes. A reforma tributária, por exemplo, avançou durante o mandato de Lula.

O problema, neste caso, foi a dificuldade de manter uma maioria consistente para sustentar a agenda presidencial.

Com a aproximação das eleições de 2026, o ambiente tende a ficar ainda mais complexo. Parlamentares passam a priorizar estratégias eleitorais próprias, enquanto o governo busca recuperar capacidade de articulação no Legislativo.

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