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Lotação, calor e atrasos: passageiros agora podem fazer raio-x dos ônibus de Florianópolis

Ultima atualização: 1 de abril de 2026 08:00
Por Gabrielle Tavares
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Lotação, calor e atrasos: passageiros agora podem fazer raio-x dos ônibus de Florianópolis
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Passageiros agora podem fazer 'raio-x' do transporte público de FlorianópolisPassageiros agora podem fazer ‘raio-x’ do transporte público de FlorianópolisFoto: Arquivo pessoal/ND Mais

Moradores que utilizam o transporte público de Florianópolis podem fazer um “raio-x” da frota que circula pela capital através do aplicativo “Sentinela STP”. O objetivo é transformar a experiência dos passageiros em dados concretos sobre a qualidade das viagens para tentar melhorar a frota da capital, que possui a passagem mais cara do país.

A proposta do projeto, desenvolvido por Robson Matos, é permitir que os próprios passageiros registrem, em tempo real, situações cotidianas do transporte público de Florianópolis, como a temperatura no interior do ônibus, pontualidade da linha e até o volume do barulho gerado pelo veículo.

Como funciona o app para avaliar o transporte público de Florianópolis?

Os usuários alimentam o sistema com informações e também podem registrar reclamações sobre superlotação, barulho e calor. A proposta, segundo o criador, é construir um retrato fiel do que a população enfrenta diariamente.

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“O projeto visa fazer uma medição paralela à Prefeitura e ao próprio Consórcio Fênix, para poder ver o que as pessoas de fato estão sentindo”, destacou Robson.

De acordo com ele, o aplicativo não depende de sensores sofisticados para medir todas as variáveis. No caso da temperatura, por exemplo, não há leitura direta do celular. O sistema utiliza uma estimativa baseada na percepção do usuário e nas condições externas.

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    Avaliações dos usuários do transporte público de Florianópolis - Reprodução/Sentinela STP/ND Mais

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Já a medição de ruído utiliza o microfone do celular. O aplicativo capta o som ambiente e tenta converter em níveis próximos aos de um decibelímetro, equipamento específico para esse tipo de aferição. Ainda assim, Matos reconhece limitações. “Não é o ideal. Para validação oficial, é necessário comparar com medições feitas com equipamentos profissionais”, destaca.

A iniciativa funciona como uma espécie de monitoramento paralelo ao poder público e ao sistema de transporte. “A ideia é entender o que as pessoas estão sentindo de fato”, diz Matos.

O projeto começou a ser desenvolvido em janeiro e passou a funcionar efetivamente no início de março. Em pouco tempo, ganhou repercussão nas redes sociais, com publicações que ultrapassaram 30 mil visualizações.

Além disso, Matos também entrou em contato com vereadores de Florianópolis para tratar da iniciativa e levar os dados coletados adiante. Com o passar do tempo, a ideia é ampliar a oferta do aplicativo para outros municípios da Grande Florianópolis, como São José, Palhoça e Biguaçu.

Como o app foi criado

Robson mora no extremo sul de Florianópolis, no Pântano do Sul, e precisa percorrer 28 km todos os dias para chegar até o trabalho, onde atua como técnico em T.I.

Todo esse trajeto é percorrido por meio do transporte público, o qual Robson sempre utilizou. Tantas horas passadas dentro dos ônibus lhe rendeu vários “perrengues”, como linhas atrasadas, veículos lotados e calor insuportável.

O projeto começou a ser desenvolvido em janeiro e passou a funcionar efetivamente no início de marçoO projeto começou a ser desenvolvido em janeiro e passou a funcionar efetivamente no início de marçoFoto: Arquivo pessoal/ND Mais

Com essa questão em mente, Robson se deparou com o artigo 3º da Lei nº 8.080/1990 (Lei Orgânica da Saúde) durante um dia de estudos para prestar um concurso público.

A lei define os fatores determinantes e condicionantes da saúde, estabelecendo que a saúde não é apenas a ausência de doenças, mas o resultado de um conjunto de condições sociais e econômicas. Entre eles, o transporte.

“Isso me deu um insight a respeito do transporte como um condicionante de saúde. O que a gente poderia fazer para buscar isso? Porque, hoje, o transporte é tratado somente como algo logístico, em forma de números, e deixando de lado a saúde das pessoas”, apontou.

A partir daquele momento, em janeiro de 2026, Robson começou a estudar possibilidades para ajudar a melhorar o coletivo da cidade onde vive. “Um dia eu me irritei tanto com o ônibus e o calor que decidi criar o app”, explicou. Aliando os conhecimentos de T.I. e da faculdade de Design Gráfico, o morador desenvoleu o “Sentinela STP”.

Transporte público como questão de saúde

Dois problemas enfrentados pelos usuários dos transportes coletivos podem ser uma questão de saúde pública, explica Robson: calor excessivo e ruído elevado.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) alerta que níveis de ruído acima de 75 decibéis (dB) são prejudiciais à audição humana. Já a legislação brasileira determina que o nível máximo de barulho a que um trabalhador pode ficar exposto ao longo de uma jornada de 8 horas é de 80 decibéis. “Já captamos cerca de 92 decibéis dentro de um ônibus”, ressaltou Robson.

Décibeis captados por decibelímetro dentro de um ônibus do transporte público de FlorianópolisFoto: Arquivo pessoal/ND MaisDécibeis captados por decibelímetro dentro de um ônibus do transporte público de FlorianópolisFoto: Arquivo pessoal/ND Mais

O criador ressalta que muitos passageiros acabam se acostumando ao barulho e deixam de perceber o problema. Por isso, o aplicativo também inclui um questionário para avaliar a percepção dos usuários.

Entre as perguntas, estão situações do cotidiano, como a necessidade de aumentar o volume dos fones de ouvido para conseguir ouvir música durante a viagem,um indicativo indireto de ruído excessivo.

O calor também é apontado como fator de risco, especialmente para pessoas com problemas de saúde. Segundo Matos, temperaturas acima de 32 graus dentro dos ônibus podem agravar quadros de hipertensão e até provocar mal-estar. “Uma pessoa pode ter um colapso nessas condições”, diz.

A expectativa, segundo ele, é que a coleta sistemática desses dados ajude a pressionar por melhorias no sistema e contribua para políticas públicas mais eficazes voltadas ao bem-estar dos passageiros.

Como usar o app?

Os usuários podem usar o aplicativo diretamente pelo navegador do celular, compudator ou tablet. Basta selecionar uma linha, preencher os dados e enviar um comentário se desejar, sem precisar se identificar.

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