Inspirada por livro, jovem de Itajaí conquista aprovações em sete universidades dos EUAFoto: Arquivo Pessoal/ND Mais
Uma estudante de Itajaí, Litoral Norte de Santa Catarina, conquistou um resultado expressivo no cenário acadêmico internacional. Manuela Pinheiro, com apenas 18 anos de idade, foi aprovada em sete universidades dos Estados Unidos após passar por um processo seletivo considerado um dos mais exigentes do mundo.
A trajetória reúne planejamento, mudanças na rotina de estudos e um objetivo que começou ainda na infância. Segundo o que a jovem contou em entrevista ao ND Mais, este interesse por estudar no exterior surgiu a partir de uma leitura.
“Eu comecei com essa ideia de estudar fora quando eu li um livro quando era criança, que foi ‘Fazendo meu Filme’, da Paula Pimenta. E no segundo livro, a personagem faz um intercâmbio para a Inglaterra e foi lá que eu descobri esse mundo de estudar fora”, relatou a estudante.
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Aprovada em sete universidades dos EUA, Manuela conta que sonho iniciou na infância Foto: Arquivo Pessoal/ND Mais
Interesse em estudar jornalismo fora do Brasil retornou em 2024 já com planos
Apesar de o sonho ter ficado em segundo plano por um período, ele voltou com força em 2024. Manuela explica que, ao descobrir a possibilidade de estudar fora com bolsa, especialmente nos Estados Unidos, passou a pesquisar mais sobre o processo e conversar com a família. O interesse também se intensificou ao conhecer melhor o peso e a importância do curso de jornalismo no país.
Esta decisão contou com o incentivo dos pais, ainda que envolva desafios emocionais. “Os meus pais, eles sempre acreditaram em mim. Eu acho que a minha mãe, na verdade, ela fica só com o coração meio apertado de saber que eu vou morar em outro país sozinha e por tanto tempo. Mas sim, eles sempre acreditaram em mim, sempre me apoiaram”, afirmou.
Seguir carreira no jornalismo foi, conforme a jovem, uma escolha construída ao longo do tempo, influenciada pelo ambiente familiar e por interesses pessoais. Manuela afirma que cresceu em contato com a área da comunicação e que experiências como leitura, escrita e edição de vídeos contribuíram para a escolha.
Interesse em estudar jornalismo se deu por influência dos pais que atuam na área Foto: Arquivo Pessoal/ND Mais
Processo para entrar em universidades dos EUA é holístico
Diferente do modelo brasileiro, o processo seletivo das universidades americanas avalia diversos aspectos do candidato. “O processo de aplicação para os Estados Unidos é holístico. Então, diferente do Brasil, que geralmente é só a nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Medio) ou a redação, às vezes só a nota da escola, do boletim, nos Estados Unidos eles avaliam a pessoa como um todo”, explicou.
Segundo Manuela, isso exigiu mudanças na rotina durante o ensino médio. No relato, a estudante conta que passou a investir em atividades extracurriculares, como teatro, dança e voluntariado, além de manter o desempenho escolar.
A preparação também incluiu exames específicos. “Então eu tive que mudar um pouco a minha rotina para me adaptar com as atividades que eu fazia depois da escola, com os estudos da escola, com os estudos para o SAT e também os estudos para o teste de proficiência de inglês, que eu fiz o Duolingo”, disse.
Processo para entrar em universidades dos EUA é holístico, exigindo mais que notas boas Foto: Arquivo Pessoal/ND Mais
‘Enem’ americano foi realizado em Joinville
Para realizar o SAT, que se trata de uma prova americana comparável ao Enem no Brasil, Manuela precisou sair de Itajaí e se deslocar até Joinville. A avaliação foi feita em formato digital, com aplicação em um centro autorizado.
“Eu tive que ir em Joinville, que é o local mais próximo que tem aqui. E ele aconteceu lá, foi numa escola internacional, eu tive que levar o meu notebook para realizar lá no centro de aplicação da prova”, contou.
Ela também detalha que o exame tem duração aproximada de duas horas, dividido entre módulos de inglês e matemática, com intervalo entre as etapas.
‘Enem’ americano foi realizado por jovem em escola internacional de JoinvilleVídeo: @bymanupinheiro/TikTok/Reprodução/ND Mais
Plataforma americana centraliza candidaturas
Conforme a estudante, as inscrições foram feitas principalmente por meio da plataforma Common App, utilizada por universidades norte-americanas. O sistema permite o envio simultâneo de documentos para diferentes instituições.
“Existe um site chamado Common App, que é lá que você consegue mandar praticamente tudo da sua aplicação para até 20 faculdades, lá você consegue mandar todos esses documentos, além de outras informações da escola, cartas de recomendação também de professores, de tutores”, explicou.
O resultado do processo foi a aprovação em sete universidades, localizadas em diferentes estados dos Estados Unidos, sendo elas:
- St. Thomas Aquinas College (Flórida);
- Rollins College (Flórida);
- University of Kentucky (Kentucky);
- Monmouth University (Nova Jersey);
- Eastern Michigan University (Michigan);
- Elizabethtown College (Pensilvânia);
- Marquette University (Wisconsin).
Entre elas, a Rollins College se destacou pela forma como comunicou a aprovação. “Ela me marcou muito porque foi a única faculdade que me enviou aquela carta de aceitação física. Então eu fiquei muito feliz, muito grata”, relatou Manuela.
Jovem de Itajaí é aprovada em sete universidades dos EUAVídeo: @bymanupinheiro/TikTok/Reprodução/ND Mais
Processo de de estudante aprovada em universidades dos EUA ainda está em andamento
Apesar das diversas conquistas, Manuela compartilhou com portal ND Mais que ainda não definiu onde irá estudar. Isso porque o ciclo de candidaturas realizado foi, segundo ela, um teste para entender o funcionamento do processo.
“Então, essa aplicação que eu fiz esse ano, ela foi um teste. Porque neste ano, na verdade, eu vou aplicar de verdade. Para as faculdades americanas você aplica mais ou menos no final de dezembro”, explicou. Ela destaca que participará novamente do processo seletivo para ingressar na graduação no próximo ano.
Processo de de estudante aprovada em universidades dos EUA ainda está em andamentoFoto: Arquivo Pessoal/ND Mais
Conselhos para outros estudantes com o mesmo sonho
Ao falar sobre o processo e deixar conselhos a outros brasileiros com este sonho, a estudante destaca a importância de manter consistência e autenticidade.
“O mais importante é que o seu perfil diga sobre o que você é, que ele tenha várias partes da sua personalidade, de quem você é realmente, para que a faculdade olhe isso e pense: ‘Eu quero essa pessoa aqui’”, afirmou Manuela.
Ela também ressalta a necessidade de evitar comparações com outros candidatos e focar no próprio desenvolvimento, tanto acadêmico quanto pessoal, o que inclui notas, idioma do país de desejo e atividades extracurriculares e voluntárias.
“Quando você começa a descobrir e pesquisar mais sobre, acontece muito a comparação com outras pessoas que já passaram ou o perfil de outras pessoas que estão na faculdade que você quer. Então, eu acho que é muito importante tentar evitar esse tipo de comparação, olhar para o seu perfil e realmente pensar: ‘o que que eu posso melhorar no meu perfil? O que que eu posso aprender de novo para que eu consiga implementar no meu currículo”, destacou.
Por fim, a jovem fala na importância de se sentir bem durante todo este processo, buscando conhecimento e atividades que façam sentido pessoal. “Não adianta sair correndo, criar um monte de projeto, fazer um monte de coisa ou estudar igual a um louco, se não é algo que vai te fazer se sentir bem consigo mesma”, concluiu.

