Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema: para analistas, fragmentação pode dificultar vitória em 1º turno nas eleições presidenciaisFoto: Montagem Folha de S.Paulo/ND Mais
A disputa pela Presidência da República em 2026 segue aberta e com baixa probabilidade de vitória no 1º turno, segundo apontam as pesquisas mais recentes e avaliação de especialistas.
Levantamentos divulgados ao longo de abril indicam um cenário competitivo entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), com vantagem de Lula nas intenções de voto no 1º turno e disputa mais equilibrada nas projeções de segundo turno.
Nesse contexto, analistas apontam que a fragmentação partidária, os níveis de rejeição e a dificuldade de coordenação entre forças políticas tornam remota a chance de vitória antecipada já em outubro.
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Na avaliação de analistas ouvidos pelo ND Mais, a chance de unificação da esquerda em torno de Lula, assim como uma eventual transferência de votos no campo da direita para fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro, são fatores centrais para o desfecho da disputa, mas ainda cercadas de incerteza diante do comportamento tradicional dos partidos no 1º turno.
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Por que vitória no primeiro turno é improvável?
Do ponto de vista técnico, a possibilidade de vitória em 1º turno depende de fatores como concentração de votos, fragmentação dos adversários e rejeição dos candidatos. Segundo o cientista político Jorge Mizael, da Metapolítica Consultoria, o cenário atual ainda está longe dessas condições.
Para ele, a possibilidade de vitória em 1º turno nas eleições presidenciais depende de um conjunto específico de condições, como alta concentração de votos em um único candidato, fragmentação significativa dos adversários e níveis baixos de rejeição.
“No cenário atual, a viabilidade de vitória em 1º turno parece limitada, sobretudo se houver manutenção de múltiplas candidaturas competitivas”, alerta Mizael.
O especialista afirma que, diante da estrutura do sistema político brasileiro, o mais provável é a realização de 2º turno, a menos que haja uma forte coordenação entre partidos.
“O cenário mais provável continua sendo a realização de 2º turno. Mudanças nesse quadro dependerão da consolidação de candidaturas e, principalmente, da capacidade de coordenação entre forças políticas nos diferentes campos ideológicos”, conclui o analista político.
Pesquisa mostra maior desaprovação ao governo LulaFoto: Ricardo Stuckert/PR/ND Mais
Lula consegue unificar a esquerda?
Um dos pontos centrais da disputa em 2026, segundo analistas, é a capacidade de Lula de manter a esquerda unificada. Historicamente, o presidente atua como um polo agregador, mas esse movimento depende de acordos políticos e da percepção de risco eleitoral.
“A capacidade de Lula unificar a esquerda é uma variável relevante, mas essa convergência depende de negociações partidárias, definição de alianças regionais e do grau de competitividade percebida. Se houver risco real de derrota, a tendência sistêmica é de maior coordenação eleitoral para evitar dispersão de votos”, afirma Mizael.
Já o professor do Ibmec de Belo Horizonte, Adriano Cerqueira, aponta que essa unificação pode não ser suficiente para garantir engajamento total do eleitorado e uma eventual vitória no 1º turno das Eleições 2026.
“A chance de alguém ganhar no 1º turno é remota. O Lula está conseguindo, até o momento, unificar a esquerda em torno da sua candidatura, mas pode estar também frustrando parte desse eleitorado de esquerda, por não ter uma opção melhor do que o Lula para eles. E eles já sabem que o Lula vai ao 1º turno” pontua o professor.
Campanha de Flávio Bolsonaro realiza giro pelos estados do nordesteFoto: Reprodução/Instagram/ND Mais
Flávio consegue herdar votos da direita?
No campo da direita, a dinâmica é diferente. A fragmentação entre candidaturas e o perfil competitivo dos partidos dificultam a transferência de votos já no 1º turno, segundo avaliam os especialistas.
“No campo da direita, a hipótese de transferência de votos para evitar o 2º turno, no caso de uma candidatura como a de Flávio Bolsonaro, enfrenta obstáculos estruturais”, alerta o consultor da Metapolítica.
“Diferentemente do segundo turno, o primeiro é marcado por estratégias individuais dos partidos, que buscam maximizar capital político, tempo de exposição e bancadas parlamentares. Isso reduz incentivos para retirada precoce de candidaturas ou transferência coordenada de votos”, explica Mizael.
A corrida de Lula e dancinha de Flávio Bolsonaro escondem estratégias eleitoraisFoto: Reprodução/ND Mais
Fragmentação trava acordos entre partidos
Essa dinâmica também é apontada como um dos principais entraves para uma definição antecipada da eleição. A lógica de funcionamento dos partidos políticos no primeiro turno, voltada para o fortalecimento individual de candidaturas e bancadas, dificulta a construção de alianças amplas desde o início da disputa.
Adriano Cerqueira reforça que, mesmo com uma eventual consolidação de candidatura, não há garantia de migração automática do eleitorado para garantir uma vitória já em outubro.
“No caso da direita, que é mais fragmentada, mais disputada, se houver a imposição de um só candidato, isso pode levar à desistência, ou seja, uma parcela do eleitorado está mais à vontade em votar em um candidato do seu estado, por exemplo, mais conhecido”, avalia Cerqueira.
Lula e Flávio aparecem empatados em segundo turnoFoto: Imagem gerada por IA/DMA Notícias/ND Mais
Segundo turno deve decidir eleição
Para os especialistas, a combinação entre fragmentação partidária, estratégias individuais e comportamento do eleitorado mantém o 2º turno como desfecho mais provável da eleição presidencial.
“Então, para que haja a possibilidade de uma vitória no 1º turno, ou Lula ou Flávio Bolsonaro, teriam que conquistar esse voto de primeira opção. Que hoje está indo para outras tendências”, afirma o professor do Ibmec.
Segundo ele, a chance de Lula chegar na frente na disputa em 2026 seria mais lógica, á que concentra, até o momento, o principal apoio da esquerda. O que na opinião do cientista, não é o caso de Flávio Bolsonaro.
“Pode ser que durante a campanha Flávio Bolsonaro consiga, se tornando mais conhecido, levar uma espécie de voto útil, mas eu não acho isso muito viável não”, conclui Adriano Cerqueira.
Apesar das incertezas, o cenário ainda pode sofrer alterações ao longo da campanha, especialmente com a definição de candidaturas, alianças e estratégias eleitorais. Até lá, a tendência apontada por analistas é de manutenção de um quadro competitivo e indefinido, com a disputa caminhando para uma decisão em 2º turno.

