Igor Bolt em disputa de bola na derrota do Figueirense contra o MarcílioFoto: Patrick Floriani/FFFC/ND
Numa sexta-feira 13 de Carnaval, o Figueirense tratou de transformar superstição em roteiro real de terror. A derrota por 1 a 0 para o Marcílio Dias, em Itajaí, deixou o torcedor assustado e cada vez mais desconfiado de que o desfecho deste quadrangular da morte pode ser trágico. Foi mais uma atuação pobre ofensivamente, previsível, burocrática, de um time que roda a bola de um lado para o outro sem agredir o adversário.
O desenho tático repetiu a saída com três: Bacelar e depois Felipe Santiago e Jhonnathan como zagueiros, com Jean Mangabeira baixando entre eles para organizar a base de saída de bola pelo setor defensivo. Léo Maia pelo corredor direito, Wesley pelo esquerdo; por dentro, Rafinha Potiguar, Arthur Henrique e Igor Bolt; e na frente, Felipe Augusto e Kayke No papel, uma estrutura que poderia oferecer amplitude e variações. Na prática, um conjunto engessado, lento, incapaz de acelerar o jogo ou atacar os espaços.
Jean Mangabeira em duelo com meias do Marcílio na derrota do Figueirense por 1 a 0 em ItajaíFoto: Patrick Floriani/FFC/ND
Os números ajudam a explicar o vazio: 63% de posse de bola, nove finalizações, apenas duas no alvo. Posse estéril, sem agressividade, com pouca utilização de bolas longas e raríssimas infiltrações e finalizações. A melhor oportunidade caiu nos pés de Igor Bolt, após passe de Felipe Augusto, mas o atacante desperdiçou cara a cara. Felipe Augusto ainda teve outra chance. Muito pouco. Do outro lado, o Marcílio finalizou dez vezes, acertou duas e foi eficiente na que importava: o gol que decidiu a partida.
Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir
Tecnicamente fraco, o jogo reuniu duas equipes limitadas, mas o adversário foi mais objetivo e sustentou o resultado. O Figueirense, não. Segue com apenas uma vitória, saldo negativo de um gol e agora vê o rival abrir três pontos e ter saldo positivo de três gols.
Próximo jogo do Figueirense contra o Marcílio será decisivo na luta pela permanência
O atacante Kayke do Figueirense teve poca ações no jogo contra o Marcílio DiasFoto: Patrick Floriani/FFC/ND
Furacão volta a enfrentar o Marcílio no Scarpelli na próxima sexta-feira (20). Se não vencer, praticamente cava o caminho para a segunda divisão. Se vencer, ainda respira — mas dependerá de combinação de resultados e de um futebol que, até aqui, não mostrou capacidade de fazer quatro gols em ninguém.
A crise vai além do campo. Elenco envelhecido, atletas retornando de lesão, perdas importantes como Silvinho e Raynan, Jorginho fora da partida, salários de imagem atrasados. Não é só sistema tático ou troca de treinador. É falta de gestão no futebol, de organização, de rumo. E quando a estrutura falha, o reflexo aparece no gramado. Hoje, o Figueirense agoniza no Catarinense, caminhando a passos largos para um desfecho que seu torcedor mais teme.

