Giorgio Guedin Florianópolis
Conversas previstas para a Suíça foram adiadas sem nova data definidaFoto: Imagem gerada por IA/ND Mais
As negociações entre Estados Unidos e Irã que deveriam ocorrer nesta sexta-feira (19), na Suíça, foram adiadas, aumentando as incertezas sobre o futuro do acordo que interrompeu a guerra iniciada há quase quatro meses no Oriente Médio.
O governo suíço confirmou o adiamento das conversas, que estavam previstas para acontecer no resort de montanha de Burgenstock, local escolhido para discutir os próximos passos do entendimento firmado entre Washington e Teerã.
A suspensão também levou o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, a cancelar os planos de viagem para o país europeu.
Receba no WhatsApp as principais notícias do dia em primeira mão Entre no grupo
O que aconteceu
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Suíça, os preparativos continuam e o país segue disponível para sediar as negociações, mas uma nova data ainda não foi anunciada.
A Casa Branca minimizou o adiamento.
“As questões logísticas dessas negociações nunca foram simples nem previsíveis”, afirmou um porta-voz do governo americano.
Do lado iraniano, também não havia confirmação de que a delegação viajaria para a Suíça.
Segundo a agência semioficial Tasnim, negociadores do país do Oriente Médio queriam primeiro observar sinais concretos de que os Estados Unidos começariam a implementar os compromissos assumidos no pacto preliminar.
Acordo abriu janela de 60 dias
O adiamento ocorre menos de dois dias após a divulgação dos 14 pontos do memorando firmado entre os dois países.
O documento estabeleceu um cessar-fogo e abriu uma janela de 60 dias para negociações sobre temas considerados centrais para o fim definitivo do conflito.
Entre eles estão:
- o programa nuclear iraniano;
- o alívio das sanções econômicas;
- a retomada das exportações de petróleo;
- a reabertura do Estreito de Ormuz;
- a criação de um fundo de desenvolvimento de US$ 300 bilhões para o Teerã.
País endurece discurso
Mojtaba Khamenei: Autoridades afirmam que aguardam sinais concretos da implementação do acordo preliminarFoto: Arquivo/Creative Commons/ND Mais
O líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, indicou que as negociações não serão simples.
Segundo ele, o presidente Donald Trump assinou o acordo “por desespero” e o Irã não aceitará exigências consideradas excessivas dos Estados Unidos.
“Se o lado americano quiser exigir demais, nós não aceitaremos”, afirmou.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do país do Oriente Médio também advertiu que responderá a qualquer descumprimento do acordo e declarou que não demonstrará “nenhuma tolerância” até que os direitos do país sejam plenamente garantidos.
Guerra ainda deixa pontos de tensão
Apesar do cessar-fogo entre Washington e Teerã, o cenário regional continua instável.
Israel, que ficou fora das negociações, mantém operações militares contra o Hezbollah no Líbano.
Nesta quinta-feira, novos ataques israelenses deixaram ao menos 18 mortos, segundo a agência estatal libanesa NNA.
A continuidade dos confrontos levanta dúvidas sobre a capacidade do acordo de garantir uma paz duradoura em toda a região.
Mercado acompanha próximos passos
Reabertura da principal rota de exportação de petróleo da região é um dos temas centrais das negociaçõesFoto: Conhecimento Cientifico/Reprodução/ND Mais
O acordo entre os dois paíes é acompanhado de perto pelos mercados internacionais devido ao impacto potencial sobre o petróleo.
Com a retomada gradual da navegação no Estreito de Ormuz e a perspectiva de aumento da oferta iraniana, os preços do petróleo registraram queda nos últimos dias.
O adiamento das negociações, porém, reacende dúvidas sobre a velocidade com que essas medidas poderão sair do papel.
*Com informações da Reuters.

