Eleições em Sergipe em 2026Foto: Ana Lícia Menezes/Prefeitura de Aracaju/Divulgação/ND Mais
A eleição para o governo de Sergipe em 2026 tende a ser competitiva, e um segundo turno se torna provável se o atual governador não romper a barreira dos 50% dos votos válidos diante de uma oposição fragmentada, porém competitiva em mais de uma frente.
Pesquisas recentes indicam favoritismo de Fábio Mitidieri, mas também mostram espaço para crescimento de adversários de direita e de esquerda, o que abre margem para uma disputa em duas etapas. Diante disso, nessa matéria iremos apresentar alguns pontos que podem levar a eleição de Sergipe ao segundo turno em 2026.
Regras e contexto das eleições em Sergipe
No modelo brasileiro, só é eleito em primeiro turno quem alcança mais de 50% dos votos válidos, isto é, excluídos brancos e nulos. Se nenhum candidato atinge essa maioria absoluta, os dois mais votados avançam para o segundo turno e se enfrentam em nova votação.
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Em Sergipe, a regra vale para o cargo de governador e já levou o estado a disputar o governo em duas rodadas, como ocorreu em 2022, quando Rogério Carvalho (PT) e Fábio Mitidieri (PSD) foram ao segundo turno. Naquele ano, Rogério somou 44,70% dos votos válidos no primeiro turno, contra 38,91% de Mitidieri, cenário que impediu vitória antecipada de qualquer um dos dois.
Eleição no Sergipe: governador Fábio Mitidieri (PSD)Foto: Governo de Sergipe/Divulgação/ND Mais
O ponto de partida das eleições em Sergipe em 2022
O desempenho de 2022 é um termômetro importante para 2026, porque mostra que o eleitorado sergipano já se dividiu em duas forças competitivas e não deu maioria absoluta a nenhum nome logo na largada. No segundo turno, Mitidieri acabou eleito com 51,70% dos votos válidos contra 48,30% de Rogério, diferença apertada, que indica um campo oposicionista numericamente robusto.
Pesquisas daquela eleição já mostravam um cenário fragmentado e volátil, com o então candidato Valmir de Francisquinho (PL) liderando intenções de voto em determinados levantamentos — como Ipec com 48% —, o que reforçou o peso do interior e da direita bolsonarista no estado naquele momento.
Prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, é cotado para as eleições em Sergipe em 2026Foto: Redes Sociais/Reprodução/ND Mais
A disputa de 2022, portanto, consolidou três polos relevantes: o grupo hoje no governo, o campo petista e a direita ligada a Valmir e aliados, composição que volta à mesa em 2026 — embora com ressalvas jurídicas e partidárias recentes.
Quem são os protagonistas das eleições em Sergipe em 2026?
A eleição de 2026 em Sergipe se desenha em torno de três eixos principais: a tentativa de reeleição de Fábio Mitidieri, que se apresenta como muito provável, assim como a reorganização da direita.
De um lado, Mitidieri (PSD) já se apresenta como pré-candidato natural e lidera todos os cenários testados por institutos como o Real Time Big Data, com percentuais que variam de 46% a 50% em simulações contra adversários distintos.
Recentemente, em 10 de janeiro de 2026, o governador reafirmou apoio à reeleição de Lula (PT), confirmando conversas com petistas como João Daniel, Márcio Macedo e Rogério Carvalho para unificar o palanque presidencial no estado, estratégia que pode atrair votos do Nordeste e fortalecer sua base.
Deputado João Daniel (PT) pode se candidatar ao Senado Foto: Câmara dos Deputados/Reprodução/ND Mais
Em cenários divulgados no fim de 2025, ele aparece à frente de nomes como Thiago de Joaldo (PP), a prefeita de Aracaju Emília Corrêa (Republicanos) e o ex-senador Eduardo Amorim, sempre com diferença de dois dígitos.
No campo oposicionista, pelo menos dois nomes circulam como potenciais protagonistas: Emília Corrêa, que saiu do PL em dezembro de 2025, se filiou ao Republicanos — assumindo a presidência estadual da sigla — e comanda a capital como força oposicionista; e Thiago de Joaldo, deputado federal que tem se colocado como contraponto ao governo após romper com o grupo de Mitidieri.
Valmir de Francisquinho, que em 2022 chegou a liderar pesquisas e mantém forte base no Agreste e no Sertão, saiu do PL no final de 2025 migrando para o Podemos, mas estava inelegível até janeiro de 2026, quando condenações por improbidade administrativa foram suspensas — a condenação mais recente, de outubro de 2025, pelo TJ-SE no caso do matadouro de Itabaiana, suspendeu seus direitos políticos por seis anos (com recurso pendente, mas decisão em vigor).
Adailton Sousa e Valmir de FrancisquinhoFoto: Prefeitura de Itabaiana/Reprodução/ND Mais
Recentemente, em vídeo de janeiro de 2026 ao lado do aliado Adailton Sousa, Valmir negou qualquer chance de Adailton ser pré-candidato a vice-governador, projetando-o como “futuro senador ou candidato a governador” e ironizando rumores de alianças: “Vice, nada, zero. Essa chance é zero” — reafirmando, como dito ao Jornal da Fan FM no fim de 2025, que “não estou conversando ainda com ninguém sobre 2026”.
Variáveis que podem levar as eleições para o segundo turno nas eleições em Sergipe
O primeiro fator que pode levar a disputa ao segundo turno é a fragmentação da oposição em mais de um candidato competitivo, o que tende a distribuir os votos anti‑governo e a impedir que Mitidieri chegue a 50% mais um no primeiro turno.
Com Valmir inelegível, negando alianças como Adailton de vice e mudanças partidárias recentes como a filiação de Emília ao Republicanos, a direita precisa se reorganizar rapidamente em torno dela ou Thiago, mas se múltiplos nomes entrarem na corrida, o cenário mais provável é de pulverização do voto, encurtando a distância entre o governador e a soma dos adversários.
Prefeita de Aracaju Emília Corrêa (Republicanos) não confirma que será candidata às eleições em SergipeFoto: Ronald Almeida/Secom PMA/Reprodução/ND Mais
O segundo elemento é o desempenho da gestão estadual até 2026, com impacto direto na aprovação ou desgaste de Mitidieri. Seu apoio recente a Lula pode ampliar o alcance no eleitorado petista, mas também alienar conservadores bolsonaristas, limitando seu teto de crescimento e abrindo espaço para um voto “de correção de rota” no segundo turno. Vale lembrar que nas últimas eleições presidenciais, o PT ganhou no estado.
Há ainda o peso das alianças nacionais: o comportamento do governo Lula no Nordeste, as entregas federais no estado e a narrativa sobre investimentos podem fortalecer ou enfraquecer o palanque governista e o campo de esquerda em Sergipe. Dependendo de como o eleitorado avaliar o balanço entre governo federal e estadual, pode surgir um sentimento de “equilíbrio de forças” que favoreça a manutenção de duas candidaturas fortes até a segunda rodada.
Cenários possíveis para as eleições 2026
Num primeiro cenário, o governo mantém alto grau de aprovação, a oposição se divide sem Valmir e o apoio a Lula consolida uma base ampla, permitindo que Mitidieri flerte com a vitória em primeiro turno, especialmente em simulações em que aparece na casa de 50% das intenções de voto.
Num segundo cenário, mais provável hoje, dois polos se consolidam: o grupo de Mitidieri e um agrupamento oposicionista capaz de unificar Republicanos (com Emília), Podemos (influência de Valmir, sem alianças como Adailton de vice) e setores da direita, com possível participação de Emília Corrêa ou Thiago de Joaldo na cabeça de chapa.

