Clube do Leia Mulheres Blumenau completa uma década de encontros neste anoFoto: Arquivo pessoal/Leia Mulheres Blumenau/ND Mais
A leitura pode parecer uma atividade solitária, mas em Blumenau, no Vale do Itajaí, cada vez mais pessoas se reúnem em um clube do livro para conversar sobre a obra. Com diferentes gêneros, públicos e formas de se encontrar, os grupos têm uma coisa em comum: veem no encontro uma nova forma de conexão.
Um dos clubes mais antigos da cidade é o Leia Mulheres Blumenau, movimento nacional que chegou aqui em 2016. Tudo começou dois anos antes, com um questionamento da escritora britânica Joanna Walsh sobre quantos livros escritos por mulheres o público costumava consumir.
“Hoje é comum vermos esse tipo de debate, mas em 2014 foi revolucionário. Deu origem ao clube Leia Mulheres em São Paulo e foi se espalhando pelo país e até no exterior. Aqui em Blumenau já vamos completar dez anos”, celebra Kelly Franz, uma das mediadoras do grupo — à direita na foto abaixo.
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“O clube do livro, no geral, abrange nosso repertório para entendimento de mundo, trocas de experiências e abertura para nos encontrarmos com os nossos pares. Pessoas que tenham gostos e ideias parecidas com os nossos, que podíamos achar que eram únicos”, explica Kelly.
Encontros do Leia Mulheres Blumenau são realizados no sebo Rocinante, no bairro Água VerdeFoto: Arquivo pessoal/Leia Mulheres Blumenau/ND Mais
Uma integrante assídua que está no grupo desde 2023 é a psicanalista Juliana Melo. Servidora aposentada da Justiça do Trabalho, desde a infância tinha o hábito da leitura. Quando cruzou com o perfil do Leia Mulheres Blumenau, se encantou pelos títulos escolhidos.
“Os livros sempre foram minha companhia, meu refúgio e meus direcionadores de vida, já que me conduziram ao direito e à psicanálise. Mas, até encontrar o Leia Mulheres, havia sido uma experiência solitária. Percebi que encontrar pessoas para falar sobre um bom livro é algo muito enriquecedor em diversos sentidos”, relata.
Para a psicanalista, os benefícios incluem desacelerar a rotina, melhorar a concentração, socialização e desenvolvimento de opinião sobre a leitura. Porém, defende que há também uma melhora para o coletivo.
“O leitor passa a ter contato com outras realidades, outras visões de mundo, outras opiniões, o que acaba gerando sentimentos de empatia, de identificação e compreensão. No mundo polarizado e individualista em que vivemos atualmente, tudo isso tem um valor inestimável”, exemplifica.
As próximas leituras serão Caderno proibido, de Alba de Céspedes, Ensaios de despedida, de Elisama Santos e Envelhecer é para os fortes, de Helena Celestino.
Biblioteca municipal também conta com o próprio clube do livro
Em julho de 2026, o clube do livro da biblioteca municipal de Blumenau completa dois anos. Durante este período, os organizadores destacam a fidelidade do público de diferentes idades, que permanece encontro após encontro e traz amigos para as discussões.
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Clube da Biblioteca Municipal completa dois anos em julho – Arquivo pessoal/Biblioteca Municipal/ND Mais
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Encontros são realizados na Biblioteca Municipal, localizada no Centro Histórico – Arquivo pessoal/Biblioteca Municipal/ND Mais
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Encontros duram cerca de uma hora e meia – Arquivo pessoal/Biblioteca Municipal/ND Mais
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Fim de ano foi marcado por dinâmica do “livro secreto”, na qual cada um escolheu um livro a partir de uma dica dos colegas – Arquivo pessoal/Biblioteca Municipal/ND Mais
A iniciativa foi da gerente Cristina Carvalho e da bibliotecária Mariana Jucélia Vidal, que se tornou mediadora dos encontros. Participam pessoas de várias profissões, como escritora, psicóloga, estudante, professora, arquiteto, chegando a gerar lista de espera para os encontros mensais.
Dentre os próximos títulos a serem lidos pelo grupo estão O Processo, de Franz Kafka, Antes do baile verde, de Lygia Fagundes Telles, e O velho e o mar, de Ernest Hemingway.
A procura por clubes de leitura claramente não é pouca, já que a estadunidense Katherine Phaneuf decidiu lançar a ideia de um grupo de leitoras em Blumenau no Instagram recém-lançado e recebeu tantas inscrições que precisou repensar os planos.
“Eu esperava que cinco ou dez pessoas se interessassem, mas, com tantas mensagens, eu e minha cunhada decidimos que, além do clube do livro, vamos fazer outros eventos, porque percebemos quantas mulheres adultas buscam amizade aqui na cidade”, relata.
Criando o próprio clube do livro
Para o livreiro Felipe Ziegler, o Clube da Leitura Blulivro nasceu por um motivo simples: ele tinha vontade de participar de um e criou o seu próprio em 2019 com apoio da livraria.
Atualmente, a Blulivro conta com diferentes clubes. Às vezes a leitura é escolhida pelos membros, em outros o foco é em lançamentos e alguns grupos focam em temas específicos.
“Mensalmente chegamos à média de 90 participantes, limitando o encontro com 15 integrantes no máximo. Assim fazemos mais encontros e mais pessoas podem participar”, explica Felipe.
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Clube realiza encontros mensais com diferentes grupos – Clube da Leitura Blulivro/Arquivo pessoal/ND Mais
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Grupos se dividem por gênero literário, estilo de livros e lançamentos – Clube da Leitura Blulivro/Arquivo pessoal/ND Mais
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Grupos incluem participantes de várias idades – Clube da Leitura Blulivro/Arquivo pessoal/ND Mais
“Fora que abre o leque de possibilidades de leituras diferentes do que estamos habituados a ler! Eu, por exemplo, criei o gosto por leituras que nunca me imaginei lendo, graças ao clube”, ressalta.

