Julgamento durou 16 horas em FlorianópolisFoto: Luciano Cerin/NDTV/MPSC/ND Mais
Depois de 16 horas de julgamento, o homem que estuprou e matou Ana Beatriz Schelter, aos 12 anos, em Rio do Sul, foi condenado na madrugada desta quarta-feira (13). Mais de dez anos após o crime que chocou o Alto Vale, ele responderá com mais de 58 anos de prisão.
O homem, de 58 anos, foi o primeiro a ser julgado no processo em que outros dois homens também foram denunciados. O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri de Florianópolis e iniciou na manhã de terça-feira.
Condenação
O principal autor do assassinato brutal já está detido desde 2020 e não poderá recorrer em liberdade. A pena total é de 58 anos e nove meses de prisão em regime fechado e de nove meses e 26 dias de detenção em regime semiaberto.
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O réu foi condenado por estupro de vulnerável, praticado em concurso de pessoas, mediante emboscada e com abuso da relação de hospitalidade e confiança que mantinha com a vítima; por homicídio qualificado, cometido por asfixia, também mediante emboscada, com recurso que dificultou a defesa da vítima e com o objetivo de assegurar a execução, a ocultação e a impunidade de outro crime, caracterizando feminicídio agravado pelo fato de a vítima ser menor de 14 anos; além de fraude processual qualificada, em razão da alteração deliberada da cena do crime.
“É um dos casos mais chocantes e desumanos que eu já vi. Esse processo pede justiça. São dez anos de espera e hoje aqui vai ser feita justiça com provas técnicas. A família quer justiça não por vingança, mas por responsabilidade”, afirmou a promotora de Justiça Lanna Gabriela Bruning Simoni.
“A justiça tem mãe, tem filhos e a certeza do julgamento de hoje. A Ana não está mais aqui. Muitas Anas desse mundo não desejam o fim que ela teve”, pontuou o promotor de Justiça Jonnathan Augustus Kuhnen.
Ao final, Ismael Schelter, pai de Ana Beatriz, agradeceu aos promotores de Justiça e afirmou que a justiça foi feita.
Testemunhas
Foram ouvidas três testemunhas. A primeira delas, arrolada pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina), foi um policial militar que, na época, atuava no Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) e participou da investigação.
O depoimento durou mais de cinco horas. Ao responder perguntas do MPSC, o policial confirmou que a investigação, por meio de provas técnicas e um conjunto de fatores, concluiu que o réu foi o principal autor do crime contra a adolescente.
Depois, foi ouvido o dono da empresa do contêiner em que o corpo da vítima foi encontrado, arrolado como testemunha pela defesa. Por último, foi ouvida como informante a ex-esposa do réu.
Familiares e amigos da vítima acompanharam julgamento
Os pais de Ana Beatriz, familiares e amigos da família acompanharam durante todo o dia e noite o júri popular, no salão de júris do Fórum de Florianópolis. Eles vestiram camisetas com a foto de Ana Beatriz e pediam justiça.
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Familiares acompanham júri sobre assassinato de menina em Rio do Sul com camisetas pedindo justiça – Michael Gonçalves/TJSC/ND Mais
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“Quando fiquei sabendo do caso, que a minha tia me explicou e como estudante de Direito, resolvi vir participar do ato por conta que é um caso que choca a gente”, lamentou Vanessa Cristina Karling de Lima Santos, amiga da família.
Ana Beatriz Schelter saiu de casa em março de 2016 para ir à escola, como fazia todos os dias. No fim da tarde, quando a mãe voltou do trabalho, não encontrou a menina.
Uma câmera de monitoramento de uma empresa, localizada ao lado da casa da família, registrou as últimas imagens da menina com vida. A escola da garota ficava a 2 km de sua casa.
O corpo da vítima foi encontrado na manhã seguinte ao seu desaparecimento, dentro do baú de um caminhão, em uma empresa de locação de banheiros químicos. O local fica às margens da BR-470, a menos de 3 km da casa da família.
Caso Ana Beatriz: menina foi estuprada e morta brutalmente aos 12 anos, em Rio do SulFoto: Reprodução/NDTV
Ela foi encontrada com uma corda presa no pescoço, simulando um suicídio. Contudo, as investigações comprovaram que a menina foi vítima de estupro. A causa da morte foi perda de sangue, segundo os laudos oficiais.
Três homens são acusados pelo crime
Em maio de 2020, O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) apresentou denúncia contra três homens pelo estupro e assassinato da menina.
O MPSC defende que no trajeto, antes de chegar ao colégio, um homem conhecido da família de Ana, que inclusive frequentava a mesma igreja que a menina e os pais, teria oferecido carona para a vítima. Com ele havia um comparsa no carro.
De lá, os homens seguiram para um local não identificado, onde teriam violentado sexualmente a vítima, causando em Ana graves lesões corporais. Para esconder o crime, os homens teriam matado Ana Beatriz via asfixia por esganadura.
Com Ana já sem vida, o homem que lhe ofereceu carona conseguiu a ajuda de um outro conhecido para esconder o corpo. Ele trabalhava na empresa de banheiros químicos onde a menina foi encontrada e seria o responsável por ter colocado a corda no pescoço dela para simular um suicídio. Além disso, após montar a cena, ele mesmo chamou a polícia.
De acordo com o Ministério Público, apenas o homem que ofereceu carona a Ana Beatriz era conhecido da família da vítima.
Os outros dois homens eram conhecidos do mentor do crime e respondem pelo crime em liberdade. O comparsa que estava no carro também é acusado de estupro de vulnerável e homicídio qualificado.
Segundo os advogados, a forte repercussão do caso na cidade poderia influenciar os jurados, já que o crime gerou grande comoção e foi amplamente divulgado pela mídia local.
Denuncie a violência contra crianças e adolescentes Todo caso de violência física, psicológica, sexual ou negligência contra menores de idade deve ser denunciado. Em Santa Catarina, você pode entrar em contato com a delegacia especializada mais próxima. O canal Disque 100 também funciona 24 horas, inclusive nos finais de semana e feriados, com garantia de anonimato. Também é possível registrar a ocorrência no Conselho Tutelar ou pela Delegacia de Polícia Virtual por este link Em situações de emergência, ligue 190 para acionar a Polícia Militar.

