Casal trocou carreiras tradicionais para investir em ranário com criação de rã-touro gigante em SCFoto: Arquivo pessoal/Reprodução/ND Mais
O sonho de trabalhar no campo e investir em uma atividade pouco comum levou um casal de empreendedores do Extremo-Oeste catarinense a apostar alto na criação de rã-touro gigante. Após anos atuando em outros setores, eles investiram na estrutura de um ranário que hoje abriga cerca de 100 mil animais, virou referência em inovação rural e já projeta expansão.
Mauro Lunkes é formado em Técnico em Segurança do Trabalho e Angélica Knob em Administração. O casal, que está junto há 12 anos, trabalhou durante muitos anos em suas respectivas áreas de formação. Entre as empresas em que atuaram está uma indústria moveleira de alto padrão.
O sonho antigo de investir na ranicultura
Há cerca de cinco anos, os dois decidiram empreender. Mauro passou a atuar no ramo de extração de resina de pinus, enquanto Angélica iniciou na área de e-commerce.
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Mesmo em outras atividades, o objetivo de investir na ranicultura nunca saiu dos planos.
O empreendimento AquaRã, considerado inédito na região, aposta na criação da rã-touro gigante — espécie originária dos Estados Unidos e adaptada para criação em cativeiro.
Baias de alvenaria e manejo controlado fazem parte da criação rara em SC. Vídeo: AquaRã/ND Mais
O ranário, localizado na Linha Marmeleiro, em Princesa, chama atenção pelo tamanho da estrutura e pela proposta inovadora no campo. Com baias de alvenaria e manejo controlado, o empreendimento mira um mercado especializado e lucrativo.
O AquaRã começou há aproximadamente um ano e conta atualmente com cerca de 100 mil rãs distribuídas em 108 baias, com aproximadamente 800 animais por unidade.
Esse é o primeiro lote de produção da rã-touro gigante. Alguns animais já estão em ponto de abate, enquanto a maior parte ainda deve permanecer mais alguns dias em fase de desenvolvimento.
De plantação de eucalipto a ranário gigante
Segundo os proprietários, o início da atividade exigiu planejamento, estudos e investimento próprio.
Angélica relembra que um dos fatores essenciais para a escolha da área foi a disponibilidade de água.
“Era fundamental que a propriedade tivesse grande disponibilidade de água.”
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Ranário abriga cerca de 100 mil rãs gigantes em sistema fechado – AquaRã/ND Mais
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Ranário abriga cerca de 100 mil rãs gigantes em sistema fechado – Montagem/ND Mais
Aos poucos, o que antes era uma plantação de eucalipto foi transformado em um ranário gigante.
Para isso, os empreendedores contaram com apoio do poder público com horas de serviço para terraplanagem, limpeza e ampliação dos açudes já existentes na propriedade.
Estrutura deve triplicar nos próximos anos
Entre os principais investimentos do projeto estão a construção do pavilhão de engorda, com aproximadamente 750 metros quadrados, além da aquisição das rãs reprodutoras e de 330 mil girinos para iniciar o ciclo produtivo.
Os empreendedores estimam que o retorno do investimento aconteça em até dois anos. “Por se tratar da nossa primeira experiência nesse setor, enfrentamos alguns desafios, o que acabou prolongando um pouco esse retorno.”
Estrutura do ranário em Princesa já projeta expansão. Foto: AquaRã/ND Mais
Atualmente, o ranário conta com uma estrutura principal, mas o projeto prevê três unidades do mesmo porte.
“Em breve iniciaremos a construção das próximas unidades”, antecipa Angélica.
Como funciona a criação de rã-touro gigante
A produção de rã-touro gigante foi organizada em sistema de ciclo completo, abrangendo todas as etapas da criação:
- matrizário, onde ficam as matrizes reprodutoras;
- girinário, destinado ao desenvolvimento dos girinos;
- e a fase de engorda, que dura cerca de um ano até o abate.
Na área externa estão os tanques do matrizário e do girinário. Já no galpão acontece a etapa final de engorda das rãs.
Empreendimento rural aposta na ranicultura como nova alternativa de renda em SC.Foto: AquaRã/ND Mais
O sistema funciona em ambiente fechado e com manejo controlado para garantir a sanidade dos animais.
A estrutura também possui proteção contra predadores, enquanto as baias de alvenaria mantêm uma lâmina constante de água limpa, criando condições ideais para o desenvolvimento.
Frio é desafio para produção no Extremo-Oeste catarinense
Os empreendedores explicam que o ciclo da rã-touro gigante dura aproximadamente um ano, sendo cerca de seis meses na fase de girinagem e mais seis meses na fase de engorda.
A rã pronta para o abate chega, em média, a 350 gramas.
O clima da região, porém, é um dos principais desafios da atividade.
Segundo os proprietários, a temperatura influencia diretamente no desenvolvimento dos animais, já que as rãs apresentam melhor desempenho em ambientes mais quentes.
Criação rara de rãs gigantes vira aposta lucrativa no agronegócio catarinense. Foto: AquaRã/ND Mais
“Precisamos contornar os desafios do inverno durante o processo. Inclusive, estamos investindo em aquecimento no setor de engorda para proporcionar melhores condições de desenvolvimento dos animais.”
Atualmente, o manejo é realizado por apenas duas pessoas.
A produção da rã-touro gigante será destinada a um abatedouro especializado em Chapecó, com padrão frigorífico voltado à exportação. No futuro, os proprietários também estudam implantar um abatedouro próprio na propriedade.
Projeto quer atrair novos produtores em rã-touro gigante
Além da produção própria da rã-touro gigante, Mauro pretende implantar um sistema de parceria com pequenos produtores de Princesa e cidades vizinhas.
A proposta inclui palestras sobre ranicultura, identificação de interessados, suporte técnico, fornecimento dos animais e garantia de compra da produção.
Criação rara de rã-touro gigante chama atenção em Princesa. Foto: AquaRã/ND Mais
O produtor ressalta, porém, que a atividade depende do cumprimento de normas específicas e de licenciamento ambiental rigoroso.
“Todo o processo é realizado de forma legal e regularizada, contando com o apoio de uma empresa parceira responsável por orientar e acompanhar cada etapa da implantação.”
Carne de rã é considerada produto nobre
A carne de rã é considerada exótica e possui alto valor de mercado.
O alimento é apreciado pela textura semelhante à carne de frango, além de ser rico em proteínas e apresentar baixo teor de gordura e colesterol.
Angélica enfatiza que a ranicultura é considerada uma atividade bastante rentável, principalmente por se tratar de uma carne nobre, saudável e cada vez mais valorizada no mercado.
Criação rara de rã-touro gigante chama atenção em Princesa.Vídeo: AquaRã/ND Mais

