Plano Brasil Soberano apostou em Câmara para preservar empregos diante do aumento de tarifas imposto a produtos brasileiros por Donald TrumpFoto: Reprodução/ND Mais
O Brasil Soberano criou uma estrutura de acompanhamento do mercado de trabalho para reduzir os impactos do tarifaço dos Estados Unidos sobre os empregos no país, em 2025.
Como contrapartida às medidas de apoio às empresas, o programa estabeleceu mecanismos de monitoramento e vinculou parte das linhas de crédito ao compromisso de manutenção ou ampliação dos postos de trabalho.
Os primeiros resultados disponíveis estão no balanço do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre a primeira fase do programa, executada no ano passado.
Receba as principais notícias de política e eleições
O relatório mostra que o banco acompanhou indicadores de emprego entre empresas beneficiadas pelas linhas emergenciais criadas para enfrentar os efeitos das barreiras comerciais americanas.
O eixo voltado aos trabalhadores foi estruturado a partir da criação da Câmara Nacional de Acompanhamento do Emprego, para monitorar setores afetados pelo tarifaço, acompanhar impactos sobre cadeias produtivas e buscar alternativas para evitar demissões.
Crédito emergencial teve contrapartida de manutenção de empregos
Uma das principais regras do Programa BNDES Brasil Soberano Crédito Emergencial foi vincular os financiamentos realizados com recursos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE) a compromissos trabalhistas.
As empresas que acessaram esses recursos precisaram assumir o compromisso de manter ou ampliar o nível de emprego durante o período de acompanhamento previsto nos contratos.
A referência utilizada pelo programa foi a média de empregos registrada pelas empresas entre julho de 2024 e junho de 2025. A avaliação do cumprimento da regra considera a média de trabalhadores entre o quinto e o 16º mês após a contratação do financiamento.
A medida buscou garantir que recursos públicos destinados a enfrentar a crise comercial fossem acompanhados de uma contrapartida social, evitando que empresas beneficiadas reduzissem seus quadros de trabalhadores no período.
Sede do BNDES, no Rio de JaneiroFoto: fachada-do-bndes
BNDES acompanhou 163 mil empregos em empresas apoiadas
Segundo o relatório do BNDES sobre a execução do programa Brasil Soberano em 2025, um grupo de 500 empresas que já haviam recebido desembolsos foi monitorado pela Câmara para acompanhar os empregos.
Essas companhias representavam aproximadamente 163 mil empregos.
Na comparação entre setembro e dezembro de 2025 e o mesmo período de 2024, houve uma variação positiva de 0,4% no emprego médio mensal das empresas acompanhadas.
Do universo analisado, 303 empresas (60,6%) mantiveram ou ampliaram o número de trabalhadores no período avaliado.
O BNDES ressalta que os números são indicadores preliminares de acompanhamento. A verificação definitiva do cumprimento da cláusula de manutenção de empregos depende dos prazos previstos nos contratos firmados com cada empresa.
O tarifaço dos EUA ao Brasil teve impacto sobre exportações, investimentos e cadeias produtivas em estados como SC e outrosFoto: Montagem/Canva/ND Mais
Câmara passou a acompanhar efeitos do tarifaço
Além da atuação do BNDES, o governo criou a Câmara Nacional de Acompanhamento do Emprego como uma ferramenta de monitoramento dos impactos das tarifas americanas sobre o mercado de trabalho.
O grupo passou a acompanhar setores mais expostos ao comércio exterior, além de ficar responsável por avaliar riscos de desligamentos e observar negociações entre empresas e trabalhadores.
Entre as atribuições da Câmara estão o acompanhamento dos efeitos indiretos do tarifaço sobre cadeias produtivas e a articulação com órgãos regionais do Ministério do Trabalho para identificar situações de maior vulnerabilidade.
Novo cenário internacional aumenta pressão sobre empregos
Com a retomada do Plano Brasil Soberano em 2026 e a continuidade das tensões comerciais internacionais, o eixo de proteção ao trabalhador volta a ganhar relevância.
A preocupação do governo é que novas barreiras comerciais reduzam a competitividade de empresas brasileiras exportadoras e provoquem impactos em fornecedores, trabalhadores e regiões dependentes desses setores.
Os dados já divulgados mostram estabilidade inicial entre as empresas acompanhadas pelo BNDES na primeira fase do programa, mas o efeito completo sobre o emprego ainda dependerá da evolução do cenário internacional e da capacidade das empresas apoiadas de manter produção e mercados.
–

Tatiana Azevedo Repórter
Tatiana Azevedo é repórter do ND Mais em Brasília e, como parte do Núcleo Nacional, cobre o cenário político da capital federal. Acompanha de perto as principais pautas do Congresso Nacional, Executivo e Judiciário, com foco em decisões que impactam diretamente o país. Escreve matérias sobre os desdobramentos mais relevantes da política brasileira, traduzindo temas complexos de forma clara e precisa, em reportagens que conectam fatos, contexto e implicações à vida dos brasileiros. Também segue novidades envolvendo deputados federais, senadores, a presidência da República e outras figuras públicas. Jornalista formada em Comunicação Social com ênfase em Audiovisual pela UniverCidade, no Rio de Janeiro, tem ampla experiência em rádio, televisão e jornalismo digital, incluindo passagens por emissoras públicas e privadas. Atuou em assessoria de imprensa no setor público e em grandes instituições, o que lhe proporcionou visão aprofundada sobre processos legislativos, políticas públicas e bastidores de Brasília. Com vasta trajetória política, cobriu as Eleições 2002 pela Rádio Câmara e atuou no núcleo de rádio do TSE e na Rádio Justiça em 2010, além de anos de cobertura pela Rádio e TV Câmara. Leia mais ▾
O que você achou deste conteúdo?
Por favor, complete a verificação de segurança.

