Urutau, conhecido por “ave fantasma”, foi flagrado em estação da Epagri em LagesFoto: Reprodução/ND Mais
A Estação Experimental da Epagri em Lages, na Serra catarinense, recebeu um visitante inusitado na segunda-feira (6): um urutau, ave rara conhecida como “mãe-da-lua” ou “ave fantasma”.
Com aparência que lembra um Pokémon da vida real, o animal pousou em um palanque no local e chamou atenção pela camuflagem quase perfeita. O registro foi feito pela engenheira-agrônoma Marlise Nara Ciotta, durante o fim de tarde.
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Ave tem aparência mística – Reprodução/Epagri
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Urutau foi flagrado na estação da Epagri em Lages – Reprodução/Epagri
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Ave é capaz de se camuflar devido a sua penugem – Reprodução/Epagri
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Urutau tem hábitos noturnos e permanece imóvel durante o dia – Reprodução/Epagri
O que é um urutau, conhecido como ‘ave fantasma’?
O urutau é uma ave com hábitos noturnos e que usa a plumagem para camuflar-se e imitar troncos de árvores. Por essas razões, é raro conseguir vê-lo à luz do dia, como aconteceu na Estação da Epagri em Lages.
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Ele é uma ave residente de Santa Catarina, ou seja, pode ser encontrado em todo território, e se adapta bem desde o litoral até o planalto serrano.
O urutau possuí uma habilidade impressionante de camuflagemFoto: Reprodução/Amo Aves/ND
Durante o dia, ele costuma ficar imóvel no topo de estacas ou galhos quebrados: não voa e nem se mexe mesmo com a presença de humanos. Além disso, possui duas fendas nas pálpebras superiores que permitem enxergar o ambiente mesmo de olhos fechados.
Urutau tem hábitos noturnos e pode chegar a 50 centímetros de comprimentoVídeo: Reprodução/Floripa Mil Grau/ND Mais
Sua figura de penagem escura e grandes olhos negros, e seu canto singular são geralmente associados a mensagens místicas. Além disso, o pássaro também é presente em lendas populares.
A lenda do urutau
A lenda do urutau está presente na cultura Guarani. A origem do pássaro — e de seu canto que se assemelha a um choro humano — remonta a uma história de amor proibido e luto profundo entre nações rivais.
A lenda tem início com Nheambiú, filha de um influente cacique guarani, que se apaixonou por Cuimbaé, um bravo guerreiro da nação Tupi capturado e feito prisioneiro.
Conheça o conto por trás da “ave fantasma”Foto: Reprodução/Internet/ND
Diante do sentimento avassalador, a jovem implorou ao pai pela liberdade do amado para que pudessem se casar, mas o pedido foi negado veementemente, pois os Tupis eram inimigos mortais de seu povo.
Incapaz de suportar a proibição, Nheambiú fugiu para a densidade da floresta, mobilizando os guerreiros da aldeia em uma busca incessante que terminou de forma perturbadora: ao ser localizada, a jovem estava em estado catatônico, imóvel e muda como uma estátua de pedra.
Urutau possui um dos cantos mais assustadoresFoto: Internet/Reprodução ND
Diante da paralisia da filha, o cacique recorreu ao pajé, que diagnosticou que apenas um choque emocional provocado por uma dor imensa poderia despertá-la.
Após diversas tentativas frustradas do pai em provocar uma reação com notícias tristes, o pajé proferiu a sentença final: “Cuimbaé acaba de ser morto”. O impacto foi imediato; Nheambiú rompeu o silêncio com um grito desesperado e desapareceu mata adentro para nunca mais ser vista.
Urutau tem lenda indígena GuaraniFoto: Vilma Pompilho/Reprodução/ND
A lenda conta que os gritos da jovem ainda ecoam pela floresta em noites de lua crescente. A crença popular narra que a dor extrema transformou Nheambiú no urutau, ave que herdou o comportamento estático da jovem, mimetizando-se aos troncos e utilizando fendas nas pálpebras para observar o mundo em uma vigília eterna.
Seu canto melancólico, ouvido geralmente ao anoitecer, permanece como o lamento contínuo de uma alma que perdeu seu grande amor, consolidando sua fama como a “ave fantasma” das florestas brasileiras.

