Larissa Dalberto Florianópolis
José Oswaldo, conhecido como “Lobo do Batel”Foto: Reprodução/Redes sociais
O estelionatário José Oswaldo Dell’Agnolo, conhecido como “Lobo do Batel”, deixou a prisão após decisão da Justiça Federal que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, como monitoramento eletrônico, restrições de circulação e suspensão de atividades financeiras. A decisão foi proferida pela 23ª Vara Federal de Curitiba, com parecer favorável do MPF (Ministério Público Federal).
Dell’Agnolo havia sido preso em dezembro de 2025, em Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina. A prisão ganhou repercussão nacional após o próprio investigado afirmar que teria sido vítima de uma tentativa de extorsão por parte de policiais militares horas antes de ser detido oficialmente.
‘Lobo do Batel’ diz que PMs pediram propina de R$ 500 mil não ser preso em SCFoto: Reprodução/PMSC/Divulgação/ND Mais
Segundo a investigação, dois policiais militares de Itapema teriam ido até um hotel de alto padrão, onde Lobo do Batel estava hospedado, após uma denúncia anônima ao 190 indicar que um hóspede seria foragido da Polícia Federal e da Interpol. Os policiais teriam recebido da recepção a chave do quarto, subido sozinhos até o oitavo andar e deixado o local cerca de 30 minutos depois, sem cumprir o mandado de prisão que já estava em vigor.
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Em depoimento à Corregedoria, Dell’Agnolo afirmou que, durante essa primeira abordagem, os policiais teriam pedido R$ 500 mil para não efetuar a prisão. O valor, segundo ele, não foi localizado pelas autoridades. Horas depois, no período da tarde, uma nova equipe da PM retornou ao hotel e cumpriu oficialmente o mandado judicial, sem qualquer negociação.
Na ocasião, foram apreendidos cerca de R$ 5 milhões em espécie, entre reais e dólares, além de celulares, relógios e um computador. Os dois policiais envolvidos na primeira abordagem passaram a ser investigados por suspeita de concussão e prevaricação e permanecem presos preventivamente enquanto o caso é apurado.
O que diz a defesa de Lobo do Batel
Em nota à imprensa, o escritório responsável pela defesa de Dell’Agnolo informou que o pedido de substituição da prisão preventiva foi feito após 40 dias de encarceramento, período que, segundo os advogados, foi aguardado “por prudência e respeito às instituições”
A defesa sustenta que o investigado não tentou se evadir da Justiça, alegando que seu afastamento temporário teve como objetivo preservar a integridade física dele e de familiares, diante de ameaças. Também destacou que os crimes apurados não envolvem violência ou grave ameaça e que Dell’Agnolo é réu primário.
Ainda conforme a nota, a substituição da prisão não representa impunidade, mas apenas a alteração do estado de liberdade enquanto o investigado responde ao processo. A defesa afirma que Dell’Agnolo seguirá cumprindo todas as determinações judiciais e colaborando com as investigações da Operação Mors Futuri.
A Justiça impôs, entre outras medidas, uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno, proibição de contato com outros investigados e restrições severas a qualquer movimentação financeira que ultrapasse despesas básicas de subsistência.

