Homem bastante preocupado durante o diaFoto: Freepik/ND
Após exatos 39 dias de competição, a Copa do Mundo de 2026 chegou ao fim. A edição mais longa da história reuniu milhões de torcedores diante da televisão, movimentou encontros entre amigos e familiares e transformou a rotina de quem acompanhou cada partida. Mas, junto com o apito final, muitas pessoas passaram a relatar uma sensação difícil de explicar: o vazio após o torneio, vencido pela Espanha.
Embora pareça estranho, especialistas afirmam que o vazio após a Copa do Mundo é uma reação comum do cérebro quando um evento de grande impacto emocional chega ao fim.
A mudança brusca na rotina, o encerramento dos encontros e o fim da expectativa criada durante semanas fazem com que muitas pessoas sintam desânimo, nostalgia e até uma sensação de perda.
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Segundo a professora Lidyane Santos, do curso de Psicologia do Ceunsp (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio), esse sentimento é considerado natural nos primeiros dias após a decisão. “É quando eu criei toda uma expectativa para aquele evento e ele tem um fim, e eu preciso lidar com esse espaço mais vazio”, explica.
De acordo com a psicóloga, durante a Copa o organismo é constantemente estimulado por emoções intensas. Cada jogo desperta ansiedade, expectativa, alegria ou frustração, ativando diferentes mecanismos do cérebro. Entre eles estão:
- Cortisol, hormônio ligado ao estresse, ao sono e ao metabolismo;
- Dopamina, responsável pela sensação de recompensa e motivação;
- Amígdala cerebral, que processa emoções e responde a situações de alerta;
- Adrenalina, que prepara o organismo para momentos de grande intensidade.
Quando o torneio termina, esses estímulos diminuem de forma repentina. É justamente essa mudança que ajuda a explicar o vazio após a Copa do Mundo.
“Durante o Mundial, a pessoa saía mais cedo do trabalho, encontrava amigos, tinha momentos de convivência e participação emocional. Quando isso acaba, o cérebro precisa entender que essa rotina mudou e iniciar um processo de readaptação”, detalha a especialista.
Fim da Copa também representa perda da experiência coletiva
Outro fator importante é o sentimento de pertencimento criado durante o torneio. A Copa do Mundo costuma reunir pessoas de diferentes perfis em torno de um mesmo objetivo. Mesmo quem não acompanha futebol ao longo do ano acaba participando de bolões, assistindo aos jogos ou se reunindo com familiares e amigos.
Segundo Lidyane, essa identidade coletiva fortalece o bem-estar durante a competição.
“A Copa desperta um sentimento de união porque cria uma identidade coletiva. Todos compartilham emoções semelhantes e participam de um rito social. Quando esse momento termina, ocorre uma perda temporária dessa experiência coletiva, o que contribui para a sensação de vazio.”
Quando o vazio após a Copa do Mundo deixa de ser normal?
Na maioria dos casos, o vazio após a Copa do Mundo não representa um transtorno psicológico.
A especialista explica que essa fase faz parte do encerramento de um ciclo e tende a desaparecer, conforme a pessoa retoma sua rotina habitual. O alerta surge quando o sentimento se torna intenso e começa a comprometer outras áreas da vida. Entre os principais sinais estão:
- tristeza persistente;
- isolamento social;
- falta de motivação para atividades do dia a dia;
- irritabilidade constante;
- sensação de desesperança;
- perda do interesse por outros momentos de lazer.
“Não observamos apenas o tempo, mas principalmente o prejuízo que isso causa na vida da pessoa. Quando há impacto na rotina e nas relações, é importante buscar ajuda profissional”, afirma.
Como superar o vazio após a Copa do Mundo?
Para tornar essa transição mais leve, a psicóloga recomenda criar novas fontes de prazer e manter os vínculos sociais que surgiram durante o Mundial.
Praticar atividade física, organizar encontros com amigos e familiares e desenvolver novos hobbies ajudam o cérebro a substituir os estímulos que estavam concentrados na competição.
Harvard recomenda 3 exercícios físicos para perder peso Foto: Divulgação/Unsplash/ND
“Mesmo que não seja toda semana, vale manter o hábito de encontrar amigos para um café ou um passeio. Isso fortalece as relações e ajuda na adaptação após o fim da Copa”, orienta.
Ela faz, porém, um alerta para evitar tentar reproduzir exatamente a rotina vivida durante o torneio.
“Às vezes a pessoa quer manter os encontros semanais exatamente como aconteciam durante a Copa, mas aquele era um evento excepcional, que acontece apenas a cada quatro anos. É preciso entender que a rotina será diferente.”
Para a especialista, compreender esse processo ajuda a encarar o vazio após a Copa do Mundo como uma etapa passageira. Na maioria das pessoas, bastam alguns dias para que o cérebro se reorganize, a rotina volte ao normal e novas experiências ocupem o espaço deixado pelo maior evento do futebol mundial.

Bruno Benetti Repórter
Bruno Benetti é repórter esportivo do ND Mais, integrante do Núcleo Nacional, e escreve notícias sobre o mundo dos esportes, cobrindo desde as movimentações da Seleção Brasileira até o cenário internacional do futebol. Além de acompanhar grandes torneios, como a Copa do Mundo, traz novidades sobre bastidores de clubes, desempenhos, adversários do Brasil, curiosidades e tendências do futebol. Está sempre atento às trends e temas que impactam o futebol brasileiro dentro e fora de campo. Formado em Jornalismo em 2014, pela Faculdade Estácio de Sá de Santa Catarina, é multilíngue e domina inglês, espanhol, italiano, alemão e francês. Leia mais ▾
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