Super El Niño: fenômeno pode ser o mais intenso em 150 anosFoto: Clima MeteoFedex/MeteoFedex/X; Canva/ND Mais
O Super El Niño já está dando as caras na América do Sul. Projeções reforçadas pelo Instituto Internacional de Pesquisa para Clima e Sociedade, da Universidade de Columbia (EUA), indicam que, até o fim de 2026, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico poderá atingir um pico de 3,1°C.
As estimativas, inclusive, apontam que o fenômeno poderá ser o mais intenso dos últimos 150 anos.
Há, segundo o NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), 81% de probabilidade de o El Niño atingir a categoria máxima de classificação, considerada “muito forte”. No Brasil, os efeitos do Super El Niño já estão sendo observados nesta semana.
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NOAA prevê El Niño muito intenso entre outubro e dezembroFoto: Laboratório de Ciências Atmosféricas da UFMS/ND Mais
De acordo com o meteorologista Piter Scheuer, somente nas últimas 24 horas, o Rio Grande do Sul registrou volumes superiores a 200 milímetros de chuva.
“Vai ter momentos em que essas chuvas vão ficar muito frequentes, com temporais e tempestades mais ativos e organizados, principalmente no oeste da Região Sul do Brasil, com granizo e até tornados”, alerta Scheuer. Os impactos do fenômeno, contudo, não ocorrem de forma uniforme.
“Não é algo generalizado, é algo pontual”, explica o especialista. Diante desse cenário, confira, a seguir, mitos e verdades sobre o fenômeno.
Super El Niño: o que é mito e o que é verdade sobre o fenômeno climático
Embora o El Niño esteja associado ao aumento da ocorrência de eventos climáticos extremos, nem toda chuva intensa, onda de calor ou período de seca pode ser atribuído diretamente ao fenômeno. Para esclarecer as principais dúvidas, o R7 ouviu o meteorologista da Climatempo, Rennan Barbosa Suares.
Segundo o especialista, um episódio de Super El Niño favorece a ocorrência de extremos climáticos em diferentes partes do planeta.
No entanto, os impactos variam conforme a região e dependem da interação do fenômeno com outros sistemas atmosféricos.
Como o El Niño afeta cada região do Brasil
Os reflexos do fenômeno não ocorrem da mesma forma em todo o país. Na Região Sul, por exemplo, a tendência é de aumento na frequência de frentes frias e de sistemas de baixa pressão, cenário que favorece episódios de chuva intensa, enchentes e deslizamentos.
Já no Norte e no Nordeste, a expectativa é de redução das chuvas, elevando o risco de estiagem, seca e queimadas. No Centro-Oeste e em parte do Sudeste, a previsão indica temperaturas acima da média, com maior probabilidade de ondas de calor e veranicos, principalmente durante a primavera e o verão.
Fenômeno influencia o clima em diferentes partes do mundo
Apesar de ter origem nas águas do Oceano Pacífico Equatorial, os efeitos do El Niño vão muito além dessa região. De acordo com Rennan Barbosa Suares, o fenômeno altera a circulação atmosférica em escala global, o que interfere nos padrões de chuva e temperatura em diversas partes do planeta.
Dependendo da região, lavouras e produções agrícolas podem sofrer prejuízos provocados pelo excesso de chuva, pela seca ou por períodos de calor intenso.
Efeitos do Super El Niño também alcançam a geração de energia
As mudanças nos padrões de chuva e temperatura provocadas pelo El Niño podem afetar a geração de energia hidrelétrica, principal fonte da matriz elétrica brasileira. O fenômeno também eleva o consumo de eletricidade, impulsionado pelo maior uso de aparelhos de ar-condicionado e ventiladores durante períodos de calor.
Qual é a relação entre o El Niño e o aquecimento global?
Segundo o meteorologista ouvido pelo R7, o aquecimento global não é responsável pelo surgimento do El Niño.
No entanto, o aumento da temperatura da atmosfera e dos oceanos pode potencializar os impactos do fenômeno. Nesse contexto, eventos como ondas de calor, chuvas intensas e períodos de seca tendem a se tornar mais severos quando coincidem com um episódio de El Niño.

Yasmin Mior Repórter
Yasmin Mior é repórter do ND Mais e faz parte do Núcleo Nacional, escrevendo matérias que envolvem política, segurança e saúde, assim como outros assuntos que impactam o dia a dia do brasileiro. Além de trazer previsões do tempo, tem como foco pautas econômicas e sociais em diferentes estados do Brasil. Jornalista formada pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), atua na área desde 2021 e cobriu eventos de destaque, como as Olimpíadas de Paris 2024 e a posse do Papa Leão XIV. Também está sempre conectada ao mundo da cultura pop, por dentro do que há de novo em filmes e séries, e fez cursos livres de SEO, gestão de mídias sociais e cinema contemporâneo. Acompanhou as Eleições Municipais de 2024 atuando no setor de distribuição de conteúdo de um portal de notícias de Santa Catarina. Leia mais ▾
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