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Região

Super El Niño: o que já está confirmado e as ações para mitigar possíveis desastres naturais

Ultima atualização: 7 de maio de 2026 08:00
Por Deny Campos
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Super El Niño: o que já está confirmado e as ações para mitigar possíveis desastres naturais
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'Super El Niño' enciende alerta entre meteorologistasProjeções de ‘super El Niño’ acendem alerta entre meteorologistas no BrasilFoto: Thiago Kaue/Secom/GOVSC

As enchentes históricas que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024 ainda estão frescas na memória do país. Agora, novas projeções internacionais acenderam um alerta entre meteorologistas: o Brasil pode enfrentar, a partir do segundo semestre de 2026, um super El Niño com possibilidade de alcançar níveis inéditos em até 140 anos.

O alerta ganhou força após projeções divulgadas pela OMM (Organização Meteorológica Mundial) indicarem aquecimento acima do normal no Oceano Pacífico. Especialistas afirmam que o fenômeno pode ampliar o risco de chuvas intensas, enchentes e outros transtornos climáticos, principalmente na primavera de 2026.

Segundo a entidade internacional, há 90% de chance do evento climático se consolidar a partir do segundo semestre de 2026, alcançando intensidade rara na série histórica e ampliando os padrões de calor e chuva em diferentes regiões do planeta.

No Brasil, o meteorologista Piter Scheuer afirmou que El Niño de 2026 será considerado “muito forte” e vai se converter em um “super El Niño”. Segundo ele, o evento terá seu auge na primavera, quando o fluxo de umidade vindo da Amazônia vai se direcionar para a região sul do Brasil.

“Isso pode promover eventos extremos, como episódios de chuvas muito fortes, volumosas e que podem reforçar episódios de enchentes, alagamentos, enxurradas e deslizamento de terra”, alerta Scheuer.

Segundo o especialista, o fenômeno deve começar no Rio Grande do Sul e, a partir de junho, avançar gradualmente para Santa Catarina e Paraná. “O auge será na primavera, entre setembro, outubro e novembro”, prevê.

Previsão de El Niño entre junho e agosto de 2026Foto: Sérgio Sacani/@spacetoday/InstagramPrevisão de El Niño entre junho e agosto de 2026Foto: Sérgio Sacani/@spacetoday/Instagram

Como o Inmet classifica o El Niño

O Inmet segue a base técnica convencionalmente utilizada pela OMM (Organização Mundial de Meteorologia) e demais instituições internacionais, na qual o fenômeno El Niño é classificado.

Intensidade do El NiñoIntensidade do El Niño e seus impactos no climaFoto: Arte/ND Mais

Segundo os institutos meteorológicos, a classificação “super El Niño” não existe oficialmente. Até o momento, os modelos indicam a possibilidade de um evento enquadrado na categoria muito forte, cenário associado a impactos climáticos intensos em diferentes regiões do planeta.

O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) destaca que, como estamos no outono, que é um período de transição entre o verão e o inverno, a previsibilidade dos modelos climáticos fica mais limitada, especialmente para horizontes mais longos, acima de seis meses.

“Isso ocorre em grande parte devido às chamadas “barreiras de previsibilidade”, que dificultam a projeção (confiança) da evolução do El Niño. Dessa forma, o momento atual exige atenção e monitoramento contínuo”, afirmou o Inmet em nota.

O El Niño já está em atuação?

De acordo com as projeções mais recentes, o Inmet afirma que a partir do trimestre maio–junho–julho a probabilidade de formação do El Niño supera 60%, podendo ultrapassar 90% no segundo semestre de 2026.

Porém, segundo o órgão, ainda não é possível determinar o pico de temperatura desse evento: “O que se pode afirmar, com base nos modelos, é que há alta probabilidade de ocorrência de El Niño no segundo semestre de 2026.”

Já o engenheiro agrônomo Ronaldo Coutinho, da Climaterra, afirma que o fenômeno já começou a se formar no oceano e estaria atualmente em estágio moderado.

Segundo ele, os modelos meteorológicos têm alto nível de confiabilidade: “A confiança, para mim, é 100%. Não tem nem o que discutir. O fenômeno já começou e vai atingir seu ponto máximo entre o inverno e a primavera”.

El Niño forte pode registrar eventos severos no BrasilEl Niño forte pode registrar eventos severos no Brasil deixa meteorologistas e órgãos oficiais em alertaFoto: Reprodução/BRDE/Riskline/Clima Info/ND Mais

Como o El Niño pode afetar cada região do Brasil

De acordo com o Inmet (Instituto Brasileiro de Meteorologia), os impactos do El Niño variam conforme a região do país. No Sul, a tendência é de aumento no volume das chuvas, com possibilidade de alagamentos, enchentes e deslizamentos de terra.

Já nas regiões Norte e Nordeste, o fenômeno aumenta o risco de seca e queimadas, o que afeta diretamente o desenvolvimento e a produtividade das culturas, como soja e milho, além de elevar o risco de perdas em sistemas de sequeiro.

O Inmet destaca ainda que alterações climáticas desse tipo geram transtornos urbanos, danos à infraestrutura, prejuízos agrícolas, além de impactar a população em áreas de risco.

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    Sul do Brasil deve ser afetado por eventos extremos com chegada do fenômeno em 2026 - Divulgação/Prefeitura de Montenegro

    Sul do Brasil deve ser afetado por eventos extremos com chegada do fenômeno em 2026 – Divulgação/Prefeitura de Montenegro

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    Chuvas no Rio Grande do Sul em 2024 - Divulgação/Governo do Rio Grande do Sul

    Chuvas no Rio Grande do Sul em 2024 – Divulgação/Governo do Rio Grande do Sul

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    Fenômeno pode causar eventos extremos no Brasil - Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Fenômeno pode causar eventos extremos no Brasil – Tânia Rêgo/Agência Brasil

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    Chuvas em Minas Gerais em 2026 - CBMMG/Reprodução/ND Mais

    Chuvas em Minas Gerais em 2026 – CBMMG/Reprodução/ND Mais

Por que há preocupação sobre o planejamento para mitigar os efeitos do El Niño?

Para especialistas, o risco não está apenas na intensidade do fenômeno, mas na vulnerabilidade das cidades brasileiras diante de eventos climáticos severos.

Piter Scheuer afirma que parte da comunidade meteorológica ainda trata o cenário com cautela excessiva, apesar do comportamento atual do Pacífico Equatorial. “Recebi vídeos de alguns profissionais amenizando o El Niño que está vindo. Eu nunca vi, em toda a minha carreira profissional, um aquecimento tão anormal e intenso quanto este”, alerta.

O especialista demonstra preocupação com a demora para realizar alertas e defende que ações preventivas precisam ser adotadas com urgência. “Vocês estão esperando ter o transtorno que aconteceu no Rio Grande do Sul de novo. Teremos um super El Niño. E se bobear, será mais forte que o de 1983”, alerta.

Meteorologista Piter Scheuer critica ‘cautela excessiva’ com possibilidade de ‘super El Niño’ em 2026Vídeo: Piter Scheuer/@Meteorologista Piter Scheuer/Instagram

O Inmet foi questionado sobre a possibilidade de o fenômeno superar os eventos registrados em 1983 e 2024, ambos marcados por episódios intensos de El Niño, e afirmou que ainda não há base técnica suficiente para estabelecer esse tipo de comparação.

Quais medidas preventivas estão sendo tomadas diante de um super El Niño

As projeções de um El Niño de forte intensidade aumentam a pressão sobre órgãos públicos responsáveis por prevenção e resposta a desastres climáticos. Especialistas defendem que eventos extremos exigem não apenas monitoramento meteorológico, mas também planejamento, sistemas de alerta eficientes e preparação das cidades mais vulneráveis.

O Instituto Nacional de Meteorologia afirmou que mantém monitoramento contínuo das condições climáticas e atualiza regularmente as previsões repassadas às autoridades responsáveis. “As informações geradas são disponibilizadas de forma sistemática à população e aos tomadores de decisão, com o objetivo de subsidiar o planejamento e a elaboração antecipada de estratégias”, afirmou o Inmet em nota.

Defesa Civil prevê mecanismos para agilizar medidas de prevençãoDefesa Civil prevê mecanismos para agilizar medidas de prevenção em áreas de riscoFoto: Divulgação/SPDC/ND Mais

Na quarta-feira (6), a Defesa Civil de Santa Catarina informou que estuda decretar alerta climático diante das projeções relacionadas ao El Niño. Segundo o órgão, a medida faz parte de um conjunto de ações preventivas em elaboração técnica para ampliar a capacidade de resposta do Estado diante de possíveis eventos extremos.

De acordo com a nota divulgada, a proposta prevê mecanismos para facilitar o acesso dos municípios a recursos emergenciais e agilizar medidas de prevenção, proteção e preparação. A iniciativa também busca acelerar ações já em andamento, especialmente em cenários de previsão de chuvas mais severas.

A Defesa Civil afirmou ainda que os investimentos em prevenção vêm sendo executados desde o início da atual gestão. Apenas no Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina, região historicamente afetada por enchentes, mais de R$ 485 milhões foram destinados a obras e ações estratégicas, incluindo intervenções no sistema de barragens utilizado para controle de cheias.

Entre as medidas já realizadas em Santa Catarina estão obras de melhoramento fluvial em Rio do Sul, modernização das barragens de Ituporanga e Taió e reformas na Barragem Norte, em José Boiteux.

O Estado também ampliou a rede de monitoramento hidrometeorológico, que atualmente conta com 172 estações com atualização de dados a cada 15 segundos. Segundo a Defesa Civil, o acompanhamento das condições meteorológicas e hidrológicas segue sendo realizado de forma permanente.

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