Da Serra catarinense para o Brasil: o momento do embarque que conecta Correia Pinto a diversos destinosFoto: Divulgação/Arquivo Pessoal Jackson Cavalheiro/ND
Enquanto a maioria das pessoas associa aeroportos a cidades grandes, pistas longas e terminais movimentados, em Correia Pinto, na Serra catarinense, a realidade é outra.
O Aeroporto Regional Serra Catarinense opera em uma das regiões mais frias do Brasil, com nevoeiro denso, temperaturas negativas e aquela pergunta que os funcionários já conhecem bem, especialmente nos dias de inverno mais intenso: “Será que o avião desce?”.
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A operação no Aeroporto Regional Serra Catarinense desafia o inverno da Serra catarinense todos os dias – Divulgação/Arquivo Pessoal Jackson Cavalheiro/ND
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Embarque no Aeroporto Regional Serra catarinense. – Divulgação/Jonatã Rocha/ND
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Vista aérea do Aeroporto Regional Serra Catarinense, em Correia Pinto: pequeno em tamanho, grande em missão para o desenvolvimento da Serra catarinense – Divulgação/Onéris Lopes/ND
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Da Serra catarinense para o Brasil: o momento do embarque que conecta Correia Pinto a diversos destinos. – Divulgação/Arquivo Pessoal Jackson Cavalheiro/ND
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Céu limpo e pista liberada: quando o tempo colabora, o Aeroporto Regional Serra catarinense conecta Correia Pinto ao Brasil. – Divulgação/Arquivo Pessoal Jackson Cavalheiro/ND
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Lá de cima, dá para entender por que operar aqui é diferente, cercado pelas montanhas e araucárias da Serra catarinense. – Divulgação/Onéris Lopes/ND
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Por dentro do Aeroporto Regional Serra Catarinense: onde tudo começa com um briefing e termina com o avião no ar. – Divulgação/Jonatã Rocha/ND
Profissionais precisam lidar diariamente com um fator imprevisível: o clima
Jackson Cavalheiro, agente de passageiros do aeroporto, contou ao ND Mais como é a rotina de quem trabalha nos bastidores dessa operação singular.
“O primeiro passo ao chegar é o briefing, uma rápida reunião onde passamos os dados do voo: matrícula da aeronave, quantos clientes estão vindo e quantos estão previstos para embarcar. Junto dessas informações, também sabemos se terão ou não ‘prioritys’, as prioridades do voo, tanto indo quanto vindo, que são pessoas com alguma necessidade especial ou idosas que necessitem de auxílio para embarque e desembarque”, explicou.
Após o briefing, as funções são distribuídas, check-in, rampa, embarque e desembarque, e a operação começa. Um passo a passo que parece simples, mas que carrega uma variável que nenhum protocolo consegue controlar completamente: o clima da Serra catarinense.
O dia mais frio que Jackson não esquece
Com o frio intenso e o nevoeiro como companheiros frequentes, há momentos que ficam marcados na memória de quem trabalha no aeroporto. Jackson lembra de um em especial.
“O dia mais frio que eu me recordo foi ainda quando operava a Azul Linhas Aéreas. Foi no mês de junho, muita chuva e tempo nublado. Junto com o frio extremo, muitas vezes negativo, vinham as incertezas de pouso. E o clima era sempre de ‘Será que desce? Será que o comandante vai conseguir pousar?’”, relatou.
Gelo na pista ou gelo na asa? A realidade da aviação no frio serrano
Uma das dúvidas mais comuns sobre a operação no inverno da Serra é sobre o gelo na pista. A resposta, segundo os profissionais do aeroporto, surpreende.
O risco maior não está no asfalto, está nas asas. Para que o gelo se forme na pista, seria necessário um acúmulo de água que as pistas de aeroporto são justamente projetadas para evitar.
O problema mais frequente na aviação de regiões frias é o congelamento das asas das aeronaves, algo que acontece mais em cidades como Curitiba, onde os pousos ocorrem na madrugada com temperaturas ainda mais extremas.
Em países como o Canadá, onde o frio é ainda mais severo, aeroportos utilizam produtos químicos que reagem rapidamente com o gelo para descongelar as aeronaves antes da decolagem.
Aeroporto de Correia Pinto utiliza horário estratégico
Na Serra catarinense, o voo é planejado estrategicamente para a parte da tarde, justamente para evitar as condições mais críticas de neblina, que são mais intensas durante a manhã.
A comunicação entre pilotos também é uma ferramenta fundamental nesse processo: cada comandante que pousa registra as condições encontradas e repassa a informação ao próximo que vai pousar, um sistema simples e eficiente que garante mais segurança nas operações.
Aeroporto Regional Serra Catarinense opera em uma das regiões mais frias do Brasil, com nevoeiro densoVídeo: Divulgação/Arquivo Pessoal Jackson Cavalheiro/ND
Protocolos para o imprevisível
Na aviação, tudo tem protocolo, inclusive o imprevisível, Jackson explica como a equipe se prepara para os cenários mais adversos.
“Somos treinados para fazer a operação o mais rápido possível, sem pular etapas e, principalmente, sem esquecer do principal: a segurança. Mas há coisas que não estão no nosso controle, como o tempo. Seja no aeroporto de decolagem, seja em rota ou na hora de pousar aqui, sempre precisamos ter o plano B”, afirmou ao ND Mais.
E o plano B precisa considerar que nem todos os passageiros têm o mesmo destino final.
“Tem cliente indo para Salvador, para Minas Gerais, para fora do Brasil. Como garantir que eles cheguem a tempo de pegar o seu próximo voo? Para isso temos planos de contingência. Caso cancele, os clientes são levados ao aeroporto mais próximo que tenha voos disponíveis, ou remarcados para uma próxima data”, explicou.
“Você quer ser piloto?”
Trabalhar em um aeroporto na Serra catarinense desperta a curiosidade de todo mundo, e Jackson já está acostumado com as perguntas que surgem fora do trabalho.
“A grande maioria dos clientes que atendemos pergunta se somos daqui ou se viemos com o voo, parece bobo, mas perguntam bastante. Fora da bolha, as pessoas sempre perguntam como é trabalhar, se é difícil, o que precisa para conseguir um emprego na área, e a mais batida: ‘você quer ser piloto?’”, contou, bem-humorado.
Pequeno em tamanho, grande em missão
Para Jackson, o aeroporto é muito mais do que uma estrutura física, é uma peça fundamental no desenvolvimento da Serra catarinense.
“Aqui levamos trabalhadores de pomares de maçãs, levamos trabalhadores das grandes indústrias, levamos turistas que vêm conhecer o nosso frio, levamos oportunidades de negócios à nossa Serra. Somos pequenos em tamanho, mas temos uma força inigualável quando o assunto é trabalhar para o desenvolvimento da nossa região. Esse voo garante a visibilidade da nossa região para o Brasil todo”, comentou Jackson Cavalheiro.

