Igor Bolt, não auxiliou em ações ofensivas o Figueirense, que acabou derrotado para o ItabaianaFoto: Patrick Floriani/FFC/ND
Mais uma vez o torcedor do Figueirense deixou o estádio com a sensação de frustração e preocupação. A derrota para o lanterna Itabaiana por 1 a 0 escancara aquilo que já vem sendo observado ao longo da Série C: o time alvinegro oscila demais, não consegue criar uma identidade.
Diferente do que aconteceu diante do Barra, o Figueirense não foi um time desorganizado em campo. Houve compactação em alguns momentos e a equipe não perdeu totalmente o controle tático da partida. O problema foi outro: faltou repertório ofensivo, intensidade e capacidade de agredir o adversário. O Figueirense aceitou o modelo de marcação do Itabaiana e pouco fez para desmontar as linhas defensivas da equipe sergipana.
A equipe finalizou pouco, construiu pouco e praticamente não conseguiu acelerar o jogo pelos lados do campo. Foi um time previsível, lento e sem criatividade. E isso passa também pelas escolhas de Raul Cabral. O técnico tinha à disposição os mesmos jogadores que venceram o Amazonas fora de casa, numa atuação consistente, organizada e competitiva. Ainda assim, optou por modificar a estrutura inicial. Hyuri entrou no lugar de Lucas Alves e Gui Vieira ganhou a vaga de Arthur Martins.
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Na coletiva, Raul justificou as alterações dizendo que o Figueirense melhorou no segundo tempo diante do Amazonas e encontrou o gol com jogadores que entraram durante a partida.
Mas essa lógica não pode servir como regra permanente. É natural que atletas que entram na etapa final tenham vantagem física sobre adversários desgastados. O mais importante naquele jogo era justamente a consistência da formação inicial, que sustentou o time até o momento das mudanças.
E ficou evidente novamente diante do Itabaiana. Quando Lucas Alves entrou, o Figueirense ganhou dinâmica, velocidade e movimentação. O jogador mostrou mais uma vez que entrega características diferentes das do Hyuri e não havia justificativa técnica para sua saída da equipe titular.
Existe a informação de que Lucas Alves não teria o mesmo desempenho nos treinamentos durante a semana. Claro que o cenário ideal é treinar bem e jogar bem. Mas o futebol é decidido no jogo. E, quando o atleta entra repetidamente e melhora a equipe, isso precisa pesar.
Jean Mangabeira foi substituído na derrota do Figueirense contra o ItabaianaFoto: Patrick Floriani/FFC/ND
Outro ponto difícil de compreender foi a saída de Léo Maia justamente quando o lateral começava a crescer ofensivamente pelo corredor direito no segundo tempo. O Figueirense já produzia pouco pelos lados e, quando finalmente encontrava alguma profundidade, perdeu essa alternativa. A entrada do Flávio e não do Breno, também não deu para entender. Dá para acelerar também o jogo com boa condução e passe do Breno.
O gol sofrido também simboliza o momento do time. Uma jogada simples, quase inacreditável para o nível profissional. Reposição direta do goleiro adversário, zaga em linha, sem cobertura, e o atacante vence com enorme facilidade na velocidade até ficar cara a cara com Igo Gabriel.
O próprio Raul Cabral classificou o lance como bizarro. E foi mesmo. Houve erro coletivo da defesa e talvez faltasse também uma ação diferente do goleiro, atacando a bola antes da finalização.
Não adianta ter a posse de bola que o Figueirense teve, sem ter ações ofensivas efetivas. O time Alvinegro ficou girando a bola de um lado para o outro, sendo que os corredores estavam fechados. Tinha jogadores para infiltrar e atacar por dentro e fez pouco. Quando fez, criou as duas chances claras de gols com Raynan e Lucas Alves.
Sem regularidade, a briga do Figueirense será de permanência apenas
Figueirense não teve poder de reação na derrota para o ItabaianaFoto: Patrick Floriani/FFC/ND
O cenário é claro. O Figueirense ainda não encontrou regularidade, não encontrou padrão ofensivo e tampouco conseguiu estabilidade emocional e tática dentro da competição. A Série C não permite oscilações longas. E enquanto o time não alcançar consistência, a realidade será dura: brigar muito mais pela permanência do que por qualquer sonho maior na competição.

