Membros do conselho da SAF do FigueirenseFoto: Patrick Floriani/FFC/ND Mais
Em uma sala de imprensa lotada como há tempos não se via no Estádio Orlando Scarpelli, os membros do conselho da SAF do Figueirense concederam uma entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira (31) para tentar acalmar os ânimos da torcida, explicar os próximos passos na venda para a PanSports e a dívida do clube com o fundo de investimentos Clave/Lift Capital.
Com muitas dúvidas, ainda mais em um momento em que o clube tenta buscar a classificação na Série C do Brasileiro e equacionar as questões financeiras, o presidente do conselho da SAF, Eduardo Philippi Mafra, ficou responsável pelas respostas, mas teve ao lado Leonardo Berlanda, Guilherme Koerich, Leandro Rosa e Gabriel Richter Pires.
Em uma delas, por sinal, explicou que todo o dinheiro que entra pago pelos sócios do clube é utilizado para pagar a Clave/Lift, em acordo assinado em 2024 e que trava justamente a entrada da PanSports como acionista de 90% da SAF alvinegra.
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“Esse contrato com a Clave/Lift nos traz também esse prejuízo recorrente de não ter acesso aos valores do sócio-torcedor”, disse. O valor, que é de cerca de R$ 450 mil, cai diretamente na conta do fundo de investimento como forma de amortizar a dívida.
A venda de 90% da SAF do Figueirense para a PanSports foi aprovada no dia 2 de junho, por unanimidade em relação à proposta da Kactus Capital – que veio depois a fechar com o Avaí. Segundo Mafra, o processo para que a empresa seja administrada pelos empresários Edson da Silva e Guillermo Arturo Vieira não tem um prazo, mas está em andamento.
“A relação tem evoluído e o envolvimento para que se chegue na transição ainda faltam etapas a cumprir, mas foi criada a expectativa de ser um prazo menor. O Figueirense tem um histórico de negociações anteriores que faz o clube pagar até hoje, temos de prezar pela segurança jurídica e a nossa função é dar continuidade em paralelo ao clube com todos os pagamentos. Não tem uma data porque temos etapas a cumprir. Temos muita cautela com o patrimônio do Figueirense. A intenção dos membros da PanSports é fazer o clube mudar de patamar, mudar inclusive o propósito de não ser mais só mais um clube de futebol”.
Guilherme Koerich (E) e Eduardo Mafra na coletiva do conselho da SAf do FigueirenseFoto: Patrick Floriani/FFC/ND Mais
Processo de transição
A entrada da PanSports para comandar a SAF alvinegra passa por processos burocráticos, como acesso aos balanços financeiros de 2024 e 2025 que não foram divulgados até hoje, conhecimento de todos os débitos e a discussão direta com o fundo Clave/Lift, que alega ter um valor a receber maior do que os R$ 27.301.350,02 que o clube recebeu de fato.
As conversas entre Figueirense, PanSports e fundo de investimento estão sendo feitas, mas ainda sem um acordo de quanto o clube deve e o quanto a Clave acredita ter direito a receber.
“Essa negociação caminha, já foram feitas propostas e contrapropostas para a Clave/Lift e até o momento não se chegou a um a um acordo. Essa negociação é uma das necessidades para se efetivar o contrato com a PanSports. A Clave/Lift entende que o valor é um e o Figueirense entende que o valor é outro”, disse Mafra.
Transferban e futebol
O objetivo dos membros atuais da SAF é de dar condições para que a equipe brigue pela classificação para o quadrangular final, tanto que Eduardo Mafra confirmou que o dinheiro relativo ao pagamento da folha salarial de julho, que cai na conta dos atletas em agosto, já está garantido e não haverá atraso.
Assim, o foco está na partida diante da Ferroviária, dia 8, no Scarpelli, para que o estádio esteja cheio para empurrar o time. Em caso de vitória e provável classificação, o transferban que o clube sofre – não pode contratar nenhum jogador – pode vir a ser negociado com o credor Cascavel.
“A gente acredita que é possível classificar e com isso caberá uma conversa para tirar o transferban. Já tive uma conversa com o Guillermo e vamos evoluir a partir de uma vitória contra a Ferroviária. A nossa ‘janela de transferência’ tem sido o elenco”. Não vejo hoje no mercado uma possibilidade de trazer um atacante que vai entregar o que o Maílson entregou no jogo contra o Santa Cruz”, comentou Mafra, mas deixando claro os parâmetros do clube na Série C.
Eduardo Mafra na coletiva do conselho da SAf do FigueirenseFoto: Patrick Floriani/FFC/ND Mais
Outros pontos da coletiva do Figueirense
- O Estádio Orlando Scarpelli é uma garantia no contrato assinado com a Clave/Lift. No entanto, em caso de acerto sobre o valor devido o patrimônio fica inteiramente com o clube
- O pagamento da Recuperação Judicial será feito assim que a mesma for homologada, a PanSports tem plano para quitar o débito assim que ele for autorizado
- A Clave/Lift ainda pode exercer a compra de 90% da SAF, mas não é o objetivo do fundo de investimento
- A PanSports acompanha diariamente a situação do clube e não irá deixar de finalizar a operação

Jorge Jr. Repórter
Jorge Jr. atua com crônica esportiva catarinense desde 2006 e é repórter de esportes do portal ND Mais e da NDTV. Formado na Estácio de Sá, trabalhou por nove anos como editor de esportes em jornal, produtor de rádio em Florianópolis e assistente de conteúdo em um portal de notícias. Também tem experiência como assessor de imprensa do Governo de Santa Catarina e comentarista. Vencedor do Prêmio Osvaldo Paquetá, o Oscar do MMA brasileiro, e do Prêmio ACI Ocesc de Rádio, além de finalista do Prêmio Fiesc de Jornalismo. Leia mais ▾
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