O míssil hipersônico russo Oreshnik voltou a ser utilizado na guerra da Ucrânia e reacendeu preocupações sobre escalada militar e tensão nuclear na Europa.Foto: Imagem gerada por IA/ND Mais
O míssil hipersônico russo voltou ao centro da guerra na Ucrânia e reacendeu um dos maiores temores da geopolítica contemporânea: o risco de escalada nuclear em plena Europa. Na madrugada deste domingo (24), a Rússia lançou um dos maiores ataques contra Kiev desde o início da guerra, utilizando centenas de drones e dezenas de mísseis, incluindo o poderoso Oreshnik, arma apresentada por Moscou como praticamente impossível de interceptar.
As imagens da capital ucraniana revelam o nível de destruição provocado pela ofensiva. Explosões iluminaram o horizonte de Kiev durante toda a madrugada enquanto sistemas de defesa aérea tentavam interceptar projéteis lançados do ar, do mar e de terra. Segundo autoridades ucranianas, áreas residenciais, escolas, supermercados e prédios comerciais foram atingidos.
Mas o aspecto mais importante do ataque talvez não seja apenas a quantidade de armamentos utilizados. É o tipo de tecnologia empregada.
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O míssil hipersônico russo Oreshnik representa uma nova geração de armas estratégicas desenvolvidas justamente para desafiar os sistemas de defesa ocidentais. Segundo Vladimir Putin, o armamento pode atingir velocidades próximas de Mach 10 — cerca de dez vezes a velocidade do som — e possui capacidade para carregar tanto ogivas convencionais quanto nucleares. Veja o vídeo do impacto abaixo:
Imagens registradas por moradores mostram explosão de míssil hipersônico e coluna de fumaça após impacto de míssil em área urbana da Ucrânia; vídeo circula nas redes sociaisVídeo: Reprodução/Novyny KS/ND Mais
Na prática, isso reduz drasticamente o tempo de reação dos sistemas defensivos e aumenta o potencial de intimidação estratégica.
A Rússia sabe exatamente o impacto político e psicológico desse tipo de operação.
Ao utilizar novamente o Oreshnik, Moscou envia mensagens simultâneas para Ucrânia, Otan e Estados Unidos. O Kremlin tenta demonstrar que continua disposto a elevar o grau tecnológico do conflito caso considere necessário.
O problema é que isso aumenta os riscos globais de erro de cálculo.
A guerra da Ucrânia já deixou de ser apenas uma disputa territorial entre Moscou e Kiev. Ela se transformou num enorme laboratório militar onde drones, inteligência artificial, guerra eletrônica e armamentos hipersônicos são testados em tempo real diante do mundo inteiro.
China, Estados Unidos, União Europeia e outros países acompanham atentamente cada novo movimento militar no conflito.
Isso ajuda a explicar a preocupação crescente no Ocidente com o avanço das armas hipersônicas.
Durante décadas, o equilíbrio nuclear internacional funcionou baseado na lógica da dissuasão: todos sabiam que uma escalada direta poderia produzir consequências catastróficas. Mas sistemas hipersônicos mudam parte dessa lógica porque diminuem a previsibilidade e encurtam drasticamente o tempo de resposta.
Além disso, o uso do míssil hipersônico russo também possui uma dimensão simbólica importante.
Num momento em que a Rússia enfrenta desgaste econômico, sanções internacionais e dificuldades prolongadas no conflito, exibir armamentos sofisticados ajuda Moscou a reforçar sua imagem de potência militar global.
Não por acaso, a própria União Europeia classificou o uso do Oreshnik como uma demonstração de intimidação estratégica ligada à política nuclear russa. O mais preocupante talvez seja perceber que o mundo entrou definitivamente numa nova corrida militar.
E, diferentemente da Guerra Fria clássica, o cenário atual parece muito mais fragmentado, imprevisível e instável.

