Novas regras do futebol, implantadas na Copa do Mundo 2026, começaram a valer no brasileirãoFoto: Canva/ND Mais
O futebol brasileiro está diante de uma mudança que pode parecer pequena no papel, mas que tem potencial para produzir um impacto importante dentro de campo: fazer a bola rolar por mais tempo.
As novas regras aprovadas em assembleia pela CBF e pelos clubes começam a ser implementadas gradualmente nas principais competições nacionais. Na Série A e na Série B, passam a valer a partir da 23ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Na Copa do Brasil, a aplicação começa nas quartas de final. No futebol feminino, a Copa do Brasil adotará as mudanças a partir da quinta fase, enquanto a Série A1 passa a utilizá-las a partir da segunda fase. Para as demais competições que começaram depois de julho de 2026, a implementação é obrigatória.
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O futebol precisa recuperar o seu tempo. A intenção é combater comportamentos que, ao longo dos anos, foram se incorporando à cultura do futebol e contribuindo para que os 90 minutos regulamentares representem, na prática, um tempo de bola muito menor.
E aqui está o ponto que merece ser valorizado. Quem vai ao estádio ou passa duas horas diante da televisão não quer assistir a um espetáculo interrompido a todo momento. Quer ver futebol. Quer ver a bola rolando, ataques sendo construídos, disputas, defesas, gols e também aquela imprevisibilidade que faz do jogo o esporte mais apaixonante do mundo. Quanto menos tempo a bola fica parada sem uma justificativa real, maior tende a ser a qualidade do espetáculo.
O estudo “Tempo de Bola Rolando no Futebol Brasileiro”, produzido pela CBF Academy com dados da Stats Perform, serviu de base para a análise das regras aprovadas. E essa preocupação com o tempo efetivo de jogo é absolutamente pertinente.
O futebol moderno ganhou tecnologia, estrutura, preparação física, análise de desempenho e recursos para praticamente tudo. Não faz sentido, portanto, aceitar passivamente que uma parte significativa do espetáculo seja consumida por situações que pouco ou nada têm a ver com jogar futebol. Estava constrangedor ver alguns jogos com menos de um tempo com bola rolando. Absurdo!
A arbitragem também terá papel decisivo. Não adianta criar protocolos e regras mais modernas se a aplicação for frouxa, desigual ou interpretada de maneira diferente de uma partida para outra. A regra não pode ver peso de camisa, tem que ser aplicada de forma uniforme.
O jogador precisa saber que determinadas condutas não serão mais toleradas e que a regra será aplicada de uma maneira pata todos. O treinador também precisa compreender que administrar uma vantagem faz parte da estratégia, mas tentar transformar cada minuto restante em uma eternidade não pode ser confundido com inteligência competitiva.
No fim das contas, a grande beneficiada deve ser a própria partida. Um futebol com mais bola rolando é um futebol mais atraente para quem está no estádio, para quem acompanha pela televisão e até para quem consome os jogos pelas plataformas digitais.
É também uma forma de valorizar o torcedor, que paga caro pelo ingresso, pela assinatura ou pelo serviço de transmissão e espera receber, em troca, aquilo que está comprando: futebol.
As novas regras não vão resolver todos os problemas do futebol brasileiro, mas o tempo do jogo vai melhorar
O entretenimento futebol, ganha mais com as novas regras Foto: Reprodução/ND Mais
As mudanças não vão resolver todos os problemas do futebol brasileiro, evidentemente. Há questões muito mais profundas envolvendo calendário, arbitragem, gramados, organização das competições e qualidade técnica. Mas melhorar o aproveitamento do tempo de jogo é uma iniciativa que aponta na direção correta.
No futebol, afinal, quanto mais tempo a bola estiver rolando, maiores são as chances de o torcedor continuar fazendo aquilo que mais gosta: assistir ao jogo

