Geografia do voto no Espírito Santo: 3 milhões de capixabas estão aptos a votar nas eleições de 2026Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil/ND Mais
Dos quase 3 milhões de capixabas aptos a votar nas eleições de 2026, cerca de 1,42 milhão (47%) se concentra nos municípios que compõem a Região Metropolitana da Grande Vitória (Vitória, Vila Velha, Cariacica, Viana, Serra, Fundão e Guarapari).
Os três maiores colégios eleitorais do Espírito Santo também estão na Grande Vitória: Serra, com 361 mil votantes; Vila Velha, com 347 mil; e Cariacica, com 274 mil eleitores aptos.
Eleições no Espírito Santo
Os menores, por sua vez, são: Divino de São Lourenço, no Caparaó capixaba, com 4,9 mil eleitores; Mucurici, no extremo norte, com 5,1 mil; e Dores do Rio Preto, também na região do Caparaó, com 6,2 mil votantes aptos.
Isso não quer dizer, no entanto, que as cidades do interior não exerçam influência na dinâmica eleitoral. Muitas vezes, conquistá-las pode ser crucial para ganhar uma eleição.
No Espírito Santo, vale considerar o destaque de outros municípios interioranos como Cachoeiro de Itapemirim, Linhares, São Mateus, Colatina e Aracruz, que, apesar de não estarem na Grande Vitória, exercem grande influência econômica e, consequentemente, eleitoral, no Estado.
Ou seja, não basta ganhar apenas na Grande Vitória. É preciso pensar em estratégias eleitorais para combinar o voto da metrópole e do interior.
Os dez maiores colégios eleitorais do Espírito Santo
Geografia do voto no Espírito Santo: Convento da Penha, em Vila Velha; ao fundo, a cidade de VitóriaFoto: Yuri Barichivich/Governo ES/ND Mais
De acordo com o TRE-ES (Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo), os dez maiores colégios eleitorais capixabas são:
- Serra: 361.269
- Vila Velha: 347.259
- Cariacica: 274.376
- Vitória: 266.236
- Cachoeiro de Itapemirim: 134.224
- Linhares: 122.459
- Guarapari: 101.609
- São Mateus: 92.475
- Colatina: 87.210
- Aracruz: 75.193
Perfil do eleitor do Espírito Santo
De acordo com o portal de dados abertos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 53% do eleitorado do Espírito Santo é feminino, fato que tem feito com que muitos partidos e candidatos invistam em candidaturas e políticas voltadas para esse público.
A faixa etária predominante entre os eleitores capixabas é de 40 a 44 anos, com quase 312 mil votantes. Além disso, 51,87% dos eleitores se autodeclaram pardos.
Em relação ao grau de instrução, mais de 812 mil capixabas (27,12%) têm Ensino Médio completo, enquanto 335 mil (11,2%) têm ensino superior. Mais de 103 mil capixabas votantes são analfabetos (3,45%), o que tem influenciado em uma comunicação política mais simples, pautada pela presença nas redes sociais.
Geografia do voto no Espírito Santo: o peso da Grande Vitória
Geografia do voto no Espírito Santo: cidade de Serra, na Grande VitóriaFoto: Prefeitura da Serra/Divulgação/ND Mais
Como já mencionado, cerca de 47% dos eleitores aptos a votar nas eleições de 2026 estão nas cidades que compõem a Região Metropolitana da Grande Vitória. Além disso, os três maiores colégios eleitorais do Espírito Santo estão no núcleo metropolitano.
A capital Vitória, apesar de não estar entre os três maiores colégios eleitorais do Estado, detém o segundo maior PIB (Produto Interno Bruto) do Espírito Santo. A capital só perde para a Serra, que está no topo da maior economia capixaba desde 2021.
Pelo fato da Grande Vitória concentrar uma parcela muito expressiva do eleitorado capixaba, percebe-se que muitos candidatos, sobretudo para governador, investem tempo e recursos na Região Metropolitana. Por isso, é comum a presença de pautas sobre mobilidade urbana, transporte e segurança pública, temas que afetam diariamente os moradores dos grandes centros urbanos.
A Grande Vitória também possui um eleitorado heterogêneo, capaz de decidir o rumo das eleições quando a disputa é apertada.
O poder do interior capixaba
Geografia do voto no Espírito Santo: Cachoeiro de Itapemirim, cidade do Sul capixabaFoto: gov.br/Divulgação/ND Mais
Em eleições para governador, senador e deputado, seja estadual ou federal, ganhar apenas na Grande Vitória não é suficiente. É possível ver que cada vez mais candidatos estão combinando força metropolitana com presença no interior para se garantir no pleito.
Um grande exemplo é Lorenzo Pazolini (Republicanos), nome cotado para a corrida ao Palácio Anchieta. Por ter sido prefeito de Vitória, Pazolini detém base forte na Grande Vitória e agora tenta expandir sua articulação política para o interior capixaba.
Os destaques vão para as cidades de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado; Linhares, Aracruz e São Mateus, no Norte; e Colatina, no Noroeste capixaba. Juntos, esses municípios englobam cerca de 511 mil eleitores.
Linhares e São Mateus, por exemplo, possuem forte presença no agronegócio, atividade primordial para a economia do Espírito Santo. Aracruz, por sua vez, é um importante polo da indústria de celulose e petróleo.
Cachoeiro de Itapemirim, além de ser um grande produtor de rochas ornamentais, tradicionalmente produz lideranças políticas importantes para o Estado, como Ricardo Ferraço (MDB), pré-candidato ao Palácio Anchieta.
Para além dessas grandes cidades do interior, municípios menores também são capazes de formar blocos eleitorais relevantes. Isso porque redes locais de prefeitos e lideranças regionais costumam influenciar resultados.
Como isso influencia a política do Espírito Santo?
É perceptível que a geografia do voto no Espírito Santo, com os maiores colégios eleitorais na Grande Vitória, o desempenho consistente no interior não pode ser deixado de lado.
Por isso, os candidatos têm cada vez mais investido em uma estratégia dupla. Uma vitória expressiva na Serra, Vila Velha e Cariacica, por exemplo, pode criar uma vantagem decisiva, mas, normalmente, é a combinação entre metrópole e interior que define os vencedores das eleições.
Eleições no Espírito Santo

